sábado, 5 de setembro de 2026

PORTUGAL É A+. OS PORTUGUESES É QUE NÃO SABEM

 A Fitch acaba de promover Portugal a A+.

O Governo rejubila. Mais um extraordinário sucesso económico deste país imaginário que nos apresentam diariamente.

Só há um pequeno problema: o Portugal da Fitch não é o Portugal onde vivem os portugueses.

A Fitch avalia essencialmente a capacidade do Estado para pagar aos credores. Não avalia salários, pensões, pobreza, custo da habitação ou a dificuldade crescente das famílias para chegarem ao fim do mês.

E talvez convenha recordar o que disse o próprio FMI em junho passado: os padrões de vida em Portugal continuam bem abaixo da média da União Europeia, a dívida pública permanece elevada e o aumento rápido dos preços da habitação está a pesar fortemente sobre as famílias.

Curioso A+.

Há ainda uma questão que não deve ser escondida: as agências de rating trabalham num sistema em que, frequentemente, quem é avaliado paga a quem o avalia. Isso não permite afirmar que o rating foi comprado. Mas permite perguntar quanto paga Portugal à Fitch e qual o verdadeiro grau de independência de um sistema desta natureza.

Talvez afinal não haja contradição nenhuma.

Portugal pode ser A+ para os credores e continuar a ser um país de baixos salários, pensões insuficientes, habitação incomportável e famílias cada vez mais apertadas.

A Fitch avalia a capacidade de Portugal pagar.

Os portugueses avaliam a capacidade de Portugal lhes permitir viver.

E nessa classificação, infelizmente, estamos muito longe do A+.



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