A Fitch acaba de promover Portugal a A+.
O Governo rejubila. Mais um extraordinário sucesso económico deste país imaginário que nos apresentam diariamente.
Só há
um pequeno problema: o Portugal da Fitch não é o Portugal onde vivem os
portugueses.
A
Fitch avalia essencialmente a capacidade do Estado para pagar aos credores. Não
avalia salários, pensões, pobreza, custo da habitação ou a dificuldade
crescente das famílias para chegarem ao fim do mês.
E
talvez convenha recordar o que disse o próprio FMI em junho passado: os padrões
de vida em Portugal continuam bem abaixo da média da União Europeia, a dívida
pública permanece elevada e o aumento rápido dos preços da habitação está a
pesar fortemente sobre as famílias.
Curioso
A+.
Há
ainda uma questão que não deve ser escondida: as agências de rating trabalham
num sistema em que, frequentemente, quem é avaliado paga a quem o avalia. Isso
não permite afirmar que o rating foi comprado. Mas permite perguntar quanto
paga Portugal à Fitch e qual o verdadeiro grau de independência de um sistema
desta natureza.
Talvez
afinal não haja contradição nenhuma.
Portugal
pode ser A+ para os credores e continuar a ser um país de baixos salários,
pensões insuficientes, habitação incomportável e famílias cada vez mais
apertadas.
A
Fitch avalia a capacidade de Portugal pagar.
Os
portugueses avaliam a capacidade de Portugal lhes permitir viver.
E
nessa classificação, infelizmente, estamos muito longe do A+.
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