quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CARTA (II) A PEDRO PPC no dia da morte do Coronel

Meu Caro PEDRO P.C.
Inesperadamente, estava eu a pensar nas maldades que patrocinas aos meus pobres e desgastados concidadãos, quando de repente surge a notícia da captura e depois, a morte do Coronel...
Ao longo de todo este dia de hoje, caíram em catadupa as mais diversas informações do acontecimento. Julgo mesmo que, sendo um "acontecimento mundial" como se pretende, sendo uma notícia "fantástica" como nos é retratada e "actuação democrática e maravilhosa" como outros a adjectivam, haverá boas razões para tanta divulgação e regozijo.
Mas não...
Não me regozijo pela morte de nenhum ser humano. Não me incute nenhuma felicidade saber que alguém morre.
Não sou David Cameron, cuja satisfação ficou patente nas ulteriores declarações, e deixou claro que a sua fantástica actuação bélica permitiu esta "façanha" tão cheia de moralidade e honra.
Não sou Sarko, que disputou imediatamente o protagonismo dos seus Mirage, no "heróico" ataque à coluna militar do Coronel em fuga.
Não sou aquele senhor Coreano (acho eu), que secretaria "geral...mente" a tão mística e promissora ONU.
Não serei certamente, Obama! Que defende e bem o seu Povo. Que defende e bem, a manutenção do parque automóvel norte-americano, com 8 e 12 cilindros cada um. Com 6 e 8000 centímetros cúbicos de cilindrada, que bem precisam de petróleo. Vamos ver o que dirá!?
Não sou, o lusitano Presidente da Comissão Europeia, que refere a morte de alguém como quem informa o resultado de um jogo de futebol. Felizmente não o fez em "portunhol" como ontem, aquele ridículo personagem.
Sabes meu bom Pedro, eu não tenho semelhança com nenhum deles. Sou incomparável. Não me comparo com tantas celebridades, moralistas, bem-fazejas, democratas, honestas, honradas e sempre auto-convencidas de praticar o bem. E que "bem"!!!
Sabes Pedro, eu não sou como esses. Não sou vendedor de armas, nem fabricante. Não me interessa o ópio do Afeganistão, nem o petróleo do Iraque, da Libya ou de Angola. Não lhes vendo nem quero vender nada. Nem comprar!
Não sou vendedor de sonhos, nem de almas.
Sabes Pedro, afinal o teu MNE, foi afinal esta tarde, o mais contido e aparentemente sábio nas declarações proferidas. Não se regozija, como eu, pela morte de nenhum ser humano.
À cautela lá foi dizendo qualquer coisa, tentando agradar, mas visìvelmente comprometido, lembrando-se talvez da Grande Tenda do Coronel, há tão pouco tempo montada nos jardins da sua residência oficial, no Forte.
Eu sou, como verás..."terra a terra" !
Como militar que me orgulho de ter sido, ainda hoje sinto a honra dos militares que nada devem às Pátrias, antes serão, isso sim... credores.
Já são muitos os que se regozijam nos últimos anos, pela morte de "ditadores" que ajudam a derrubar. Mas não mais me sairá da memória, a imagem de um "sacana" como Sadam Hussein, quando no patíbulo da forca, respondia impotente aos que o provocavam naquela hora final.
Não me permitiram guardar a imagem de outro, mais sacana ainda, mais tenebroso e cruel, que os Marines americanos, entregaram ao fundo do oceano.
Não me regozijo. Recolho-me em meditação com pesar, pelos males que esses mesmos seres humanos tiveram coragem de protagonizar e o fim que o destino lhes reservou.
Não entendo porém, que as brutalidades cometidas mereçam qualquer espécie de perdão.
Meu bom Pedro PC, há no entanto que admitir serem vários os entendimentos sobre este tema.
Não me conformo contudo que, tanta generosidade e determinação demonstrada, não seja de igual modo aplicada, para salvar os pobres da Somália e Eritreia, os da Nigéria e Libéria. No Uganda do Imperador Bokassa (protegido em França em troca de um punhado de diamantes). No Ruanda e na Serra Leoa... enfim. E porque não Portugal, que durante 40 anos sofremos a ditadura de Salazar. Nem uma ajudinha nos deram...
Porém, não posso terminar esta carta de hoje, sem te dizer meu caro Pedro, que há muitas ditaduras, não achas? Nos teus estudos sobre política, nunca te falaram nas "ditaduras democráticas" ? Nunca te falaram nas "democracias representativas" que não representam ninguèm ? Ah, já sei... só aprendeste essas coisas do Liberalismo e da Economia de Mercado, quer dizer, do saque aos que menos podem, para que se calem e não reclamem.
Pois é...pois é!!!
Sabes, isto é um problema. Parece que a "coisa" pode ficar preta doravante. A "malta" está mesmo farta. A "malta" já não aguenta mais. Por mais que a tenham despolitizado, sabes, graças ao Zuckerberg e a outros, a "malta" vai-se entre-ajudando, esclarecendo-se e unindo-se. È mau, dirás tu... e com razão! 
E se a "malta" desata para aí a fazer asneiras, a não pagar o que deve mais o que tu, estóicamente lhe impões? E se a "malta", começa a comparar os Sadam´s e os Kadhafi´s e as suas repressões, com as maldades da "democrácia" ?
Vemo-nos "gregos" Pedro!!! Olha que isto está a ficar feio !!!
No sábado passado, fui lá a S. Bento dar uma "forcinha" à malta. E era muita.
Não sei que te diga... afinal não precisas dos meus conselhos mas, como se dizia antigamente, "quem te avisa teu amigo é" !!!
Não querendo ensinar a "missa ao vigário", sempre te direi que pares um pouco... escuta a "malta", ouve-os com calma, atenta nas suas reflexões, não te deixes iludir por esse pessoal troykiano. Afirma-te com determinação.
Os teus, verdadeiros teus... SOMOS NÓS ! "TOTUS TUUS"
Não desejo escrever-te uma linha sequer, parecida com tudo o que escrevi em 5 de Junho último (O REQUIEM PARA JOSÉ), para o teu mui dilecto antecessor Pinto de Sousa - aliás, muito amigo, por acaso, do hoje falecido (morto em combate) Coronel  Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, que o Profeta o guarde ou o entregue a Alá.

Adeus e até breve

António Ventura



sábado, 15 de outubro de 2011

O LEITE CHOCOLATADO E... OS QUE MAMAM!!!! Cartinhas a PPC

Caro PEDRO
Há tempo que ando a tentar escrever-te. O trabalho não abunda de facto e por isso, poderás pensar que te minto, mas não. O facto é que, nos teus gloriosos 100 dias, não me tens dado hipótese de te escrever com calma, ponderação, enaltecendo os teus gloriosos feitos em defesa da nossa querida Pátria. Desculparás que esta pequena carta, usando eu o "português" que aprendi ( e não subscrevo, nem subscrevi nenhum acordo para mudar coisa nenhuma, muito menos a nossa querida língua, talvez mesmo o que nos vai restando de património nacional ), te vá, talvez magoar.
Sabes Pedro, o José nunca me respondeu às minhas piedosas e fofas cartinhas. Eu até acho que ele ficou chateado, como pessoa sensível que é, foi certamente por alguma coisa que lhe escrevi e que ele se ressentiu. Vê bem que nem se despediu, lá foi para Paris e que Deus o tenha por lá muito tempo. Acho que está a estudar muito e tem tido boas notas lá na Sorbonne. Pudera...com aquela lábia!!! Bom, mas isso, como diria a nossa muito querida Teresa Guilherme - "isso não interessa nada".
Mas o que de facto interessa, é manifestar-te a minha solidariedade, expressa aqui neste público louvor que só te honrará. Olha que eu não escrevo a "um qualquer". Só pessoas com a tua fibra, a tua tenacidade e o teu sublime e pátrio propósito e a tua postura e classe... o resto, o resto, "não interessa nada". Sei bem que és incomparável, bem diferente daquilo que dizem e pensam de ti.
Hoje, ainda mal recomposto da "martelada" que me deste ontem, eis que me surpreendi com aquele tipo - o Jerónimo - a dizer lá em S. Bento que tu "não sabes o que é a vida..., bla...bla...bla". Olha que é preciso descaramento. E mal acabo de escutar tal aberração, eis que levo, atordoado com o outro. Sim o Francisco. Aquele rapaz, acho que é teu colega ou talvez tenha sido teu professor. Atrevido é o que ele é. Com que então, a desafiar-te sobre o aumento do IVA no leite achocolatado... parece mentira. Será que aquele atrevido não sabe que tu és um defensor acérrimo das criancinhas, bem alimentadas, no Continente, na Madeira e na Zona Franca??? Disparate foi o que foi!!! Não saberá ele que a tua preocupação, para além dos défices, da educação, da saúde e da recapitalização da banca, és um homem preocupado com os pequenos? os mais fracos, débeis, desfavorecidos?
Francamente não gostei que te tenham atacado tanto.
Já vai longa esta minha humilde missiva, porque humilde é o signatário.
Espero que fiques bem, na companhia da tua mulher e meninas. Prometo dar-te notícias em breve.
Ah, já me esquecia... lembrei-me agora de te informar que um grupo de amigos nossos, estamos a convidar para cá vir a Deputada brasileira Cidinha Campos. Se não a conheceres não tem problema. Eu apresento-te com gosto.
Só tem um problema... toma por isso cuidado. Ela, a Cidinha Campos, sempre que ouve falar de leite, mesmo achocolatado, quer logo falar "...DOS QUE MAMAM...". Por isso, a esses, diz-lhes que se escondam nesses dias, que vão...talvez para Cabo Verde, está lá o Manel que também os deve receber com gosto. Se puderem que fiquem por lá... seria óptimo!
Pedro, desculpa qualquer coisinha. Até muito breve. Não te darei razões para dizeres que nunca te escrevo.
Um abraço do teu
António Ventura

sexta-feira, 3 de junho de 2011

REQUIEM PARA JOSÉ - Na noite antes da sua morte!

Meu Caro
Viveste a tua vida e infernizaste a nossa.
É bem verdade que deixei de te escrever, com a assiduidade que não merecias, mas afinal te prometi. Fui igual a ti próprio... um mentiroso.
A tua visão frenética, perturbada, esquizofrénica do nosso pequeno Mundo Lusitano, far-nos-á  viver para além de ti, anos de desespero, amargura e dor.
Todos os sonhos que cruelmente nos quiseste fazer sonhar, esfumaram-se na loucura da tua teimosia, obstinação inconsequente que tanto mal nos fez... e nada de bom nos aconteceu.
Criaste a mentira e o descaramento, como sendo a verdade, só por ti criada e que sempre nos garantiste séria, leal e verdadeira.
Viciaste-nos a assistir às tuas poses televisivas diárias, criando em muitos de nós, que nunca deixaste crescer, o crédito na utopia, na tua loucura e ambição.
Não vias que estavas a ir longe de mais ? Nunca a consciência te recordou  a origem, sim a tua origem de "provinciano bem vestido (??) e petulante"? Nunca ?
Jamais pensaste que tanto, seria demais para ti. Alguma vez olhaste para os pés... para o umbigo, entendendo e interiorizando com seriedade as tuas reais capacidades, para além daquelas que te reconhecemos qualidade - o teatro puro e duro, a tragicomédia, - para nos deixares neste mar de angústia, de incerteza e preocupação?
Não me adiantará mais criticas. Já morreste. Faz a viagem em paz, essa que nos negaste durante 2000 longos dias.
Não nos deixaste a Justiça capaz de pagares cá tanto mal feito. Não sei se para onde vais, encontrarás a penitência que bem mereces cumprir... para todo o sempre.
Não nos deixaste Educação para as nossas crianças crescerem e se educarem, sem necessitarem de estratagemas de domingo para obterem os canudos. Os canudos de tão fraca qualidade que também tu criaste.
Não nos deixaste  a solidariedade para com os nossos séniores. Sim, aqueles que tanto em ti confiaram, nas patranhas que lhes pregaste, tornando-os ainda mais ignorantes e despolitizados, sempre pensando no teu louco e tresloucado benefício.
Não nos legaste a Saúde, bem pelo contrário, fizeste dela um negócio para prazer, deleite e lucro dos teus iguais.
Tudo arrasaste e deixas-nos esta terra queimada, com gente de vergonha e honra, mas muito envergonhada.

Maldito testamento José.
Tudo nos custa, tudo nos cansa, tudo nos maltrata... tudo merecemos por em ti havermos confiado.
Na noite da tua morte, este requiem é para ti. Merecido.
Quando Wolfgang Amadeus Mozart compôs este "Requiem for a Dream", jamais pensou que o viria eu, aqui e agora a dedicar-te. Maldito sonho o teu !
Não serás perdoado jamais. Sempre te recordaremos como um "aquilo", que não sabendo não quis, que não querendo não soube, que desejando conseguiu, que ambicionando mentiu, e foi deixar-nos neste inferno de demência económica, social, política e moral.
Não se faz ! Nem aos nossos piores inimigos !
Mas se afinal alguns de nós, assim os tiveste, nem soubeste perceber que esses, eram teus adversários apenas.
Nós não te queríamos mal José. Acredita!
Porquê tanta incúria, tanto défice de solidariedade, humanidade, justiça, sã e salutar amizade para connosco?
Nós não merecíamos Zé. Acharás no entanto que não te entendemos, que tudo fizeste por bem, que foram os "demónios" que inventaste, que te impediram de mais fazeres e melhor.
Não te perdoo !!! Não te perdoamos !!!
Que o além se ocupe da tua alma, ou quem, ou o que quer que seja !
Nós nem o teu corpo queremos voltar a ver, e não no ocuparemos das exéquias.
Fica-te com o requiem do Mozart e vai curtir os teus sonhos de loucura para bem longe.
ADEUS

António Ventura
(Na noite da morte de José - 4 para 5 de Junho 2011)



domingo, 15 de maio de 2011

CARTA A JOSÉ ( V) - Mas que familia a tua Zé !!!...



Caríssimo ZÉ
Ganda maroto...só gatas!!!
De madrugada, ainda eu pensava como és corajoso e determinado. De madrugada, quando eu, (preocupado é bem de ver) com essa tua mania de andares nesse vai vem de Sul a Norte a levares a "mensagem" a todos... eis que salta a notícia !!! O teu familiar político DSK, de novo metido em sarilhos. Nada tem a ver contigo Zé, claro...claro. Aliás, escandaleiras dessas ninguém te conhece ou conheceu. Só de outras, eheheeheh. Mas sabes, "a família...é o que nós somos" e afinal o  Dominique é useiro e vezeiro em se atirar às "gatas", e isso está mal.
Eu acho que afinal tinhas razão quando dizias que não querias nada com aquela gente, e não sei quê mais, tatata e berimbau.. patati... Mas sempre tive a certeza que o DSK, por ser da tua família politica, o manterias sempre na tua muito completa esfera de amigos europeus de categoria semelhante à tua. Convém. Sim porque tu não és homem para te dares, te relacionares mesmo "tutuayer", uns tipos quaisquer de um fandango barato.  Aquela relação com o "allô Presidente", lá de Caracas já lá vai. O gajo não tem grana e tu, sacudiste-o e muito bem. Que comprava barcos de Viana do Castelo e vinho e Magalhanes e tudo mais... uma ova. Aliás, por isso te aprecio. Estás sempre na crista da onda, sempre em alta. No melhor lugar da festa... com as tuas amigas de lá, a Angela, o Berlusco, o Sarko e aqueles loirinhos que nem me lembro o nome, mas tu nem lhe passas cartão nenhum.
Bom, hoje é domingo e tu...sempre a trabalhar, já se vê.
Só te quero alertar como amigo que deves ter cuidado nas relações com esse pessoal do IMF. O "Chefão" atira-se a elas como gatos a bofes. Até é conhecido por isso, mas em Neully-sur-Seine, acho que até gostam.
Olha Zé, se um dia tiveres que dar um mau passo daqueles e não quiseres sair da familia, eu voto-te Ségolène Royal, que aliás até te ficava bem e te acalmava esse teu feitio estuporado de arrogante e mau-génio.
Olha que ela, a Ségolène, ainda pode chegar ao Eliseu e tu... nessa altura, haverá só um lugar e uma casa que te servirá, para a tua categoria - entre os "pastéis" e  o moribundo Museu dos Coches. Está jóia??!!! Serve ??!!
Só tem um problema. È que, se tal acontecer, ficas cá sózinho....sim porque mesmo os tansos que ainda te aplaudem, eu "liberto-os" nem que seja à força.
Toma cuidado, vê lá o que fazes ...
Amanhã dar-te-ei mais notícias carinhosas e fofas
Sempre a considerar-te,

Teu António Ventura
15 de Maio de 2011



PS: Ontem disse-te, Totus Tuus, mas afinal enganei-me..."Tuus, mesmo tuus, são cada vez menos Totus"

sábado, 14 de maio de 2011

CARTA A JOSÉ ( I V ) Os apóstolos do teu descontentamento.










Caro ZÉ
Espero que te encontres bem de saúde na companhia de quem mais desejares.
Hoje sábado, prometo-te não te tirar muito tempo. Mereces um repouso, depois de tanta canseira, na maratona de que te falei ontem. Como guerreiro que és, merece-lo mais ainda...
Não sei se estarás por cá ou por "lá". Deves dizer para contigo..."mas como é que este tipo, sabe que eu repouso e leio e projecto, e reflicto, no Pine Clifs ???   Zé, cuidado, tudo se sabe!!! Eles andam aí e no mais pequeno deslize saltam-te em cima como soi dizer-se "como gatos a bofes". Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém....e que belas galinhas aquelas lá de Vilar de Maçada!!! Dessas sim... aquilo é que era carne gostosa, sem hormonas e essas porcarias todas que agoram são uso. Aquelas lá de Vilar era só a poder de milho e sêmeas: Lembras-te??
Bom, olha... eu ontem fiquei mais maluco que anteontem. Parece que estou a piorar. Queira Deus que no 5 de Junho a cabeça não me dê para o disparate.
Mas sabes Zé, não se aguenta com aqueles dois profetas, sim... o Pedro e o Paulo. Ora, um homem não é de ferro, o Povo é sereno eu bem sei, mas puxa, não dá pra ver aqueles dois, a dividirem o Reino ao meio... Como se tu já não existisses. È preciso ter lata não achas? Se bem calhar nem ligaste ao assunto, pensaste (e bem, como é teu costume), pra quê estares a incomodar-te com semelhantes ignorâncias. Se assim foi, fizeste bem, aliás ... fizeste muito bem. Mas repara que o arrojo dos "rapazes" foi demais. Olha que até admitiam 20% para um e 23% para o outro; depois o da esquerda, estava com o sorrizinho do costume, confesso que até o faz simpático, mesmo até ..."doce"... talvez de alguma influência anterior. Coisas de jovens. E então acabou por confessar que contaria sempre com o outro, em qualquer circunstância ou resultado. Chiça ZÉ !!! E tu??? Estes gajos pensam que andas a dormir??? Hoje pela manhã, até me ri sózinho, ehehheeheh. Lixaste-os bem, Zé, devem ter ficado com uma cabeçorra. A sondagem hoje, indica logo quem manda, que é para eles se acalmarem... Ès tramado Zé! O que tu consegues acho que nem Deus... ou talvez não. Mas tu, acredita, estás logo abaixo do Filho, logo...logo. E não são estes apóstolozitos que te vêm agora enzucrinar a tua prodigiosa cabecinha. Ai isso não!
Olha Zé, hoje é dia de descanso e tu deves ter mais "salsifré" por esse País fora. Faz boa viagem e sucessos. Se decidires ficar por lá, escreve. Não te preocupes connosco, como é teu lusitano e fofo hábito. Fica, não te rales que a gente cá se há-de desenrascar sem ti... com dificuldades eu sei, mas que se lixe....também não se pode ter tudo.
Aceita um Xi muito apertado, deste que te estima e muito te deve

Sempre teu, ou melhor dizendo "TOTUS TUUS"
António Ventura
14 de Maio 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Carta a José (I I I )

Caro José
Nunca duvides, eu não falho !!!
Consta-me que andas aborrecido e que já nem paciência tens para me ler. Eu sei que é chato, mas tem paciência, afinal só faltam 23 dias, vais ver que passam depressa.
Sabes, hoje pela manhã comecei por me indignar por aquelas asneiradas do imbecil do Olli Ilmari Rehn, sim…aquele tipo que tem a mania que manda nos euros “para aqui e para acolá”, esse mesmo!!!
Como compreenderás José, tudo tem a ver contigo (ou não fosse). O “rapaz” insultou o outro Senhor que vive ali ao lado do antigo Museu dos Coches e tu… nada!!! Esse, por mais “apagado”, de vez em quando lá vai dizendo umas coisas, mas tu nunca o defendes. És tramado! Já há tempos tinha sido aquele lá da Republica Checa, a desancar o pobre sobre a dimensão da nossa dívida externa. Agora é este “branquinho luzidio” deste Olli . Por amor da Santa, José !!! Estes gajos não têm respeito nenhum, tu como bom tesoureiro, não podes ser bom em tudo, claro está, não podes estar a controlar as contas, é bem de ver. Para isso temos TOC´s , que outrora se chamavam “guarda-livros” e não precisavam nenhuma Ordem para andarem alinhadinhos. E nós temos um, ele sabe que o estimo também. Fui até eu que já nos idos de 85 o promovi a tal lugar…
Mas este Olli,… deixa-me dizer-te…foi demais, foi longe demais foi o que foi. Como é que semelhante  faetonte pretende que está farto de usar de imaginação para te aturar???
É imperdoável, este arrojo. Como é que um simples mortal, mas qual filho de Hélio se permite lançar tamanha atoarda? Quem é que ele pensa que tu és?? Quem é que ele se julga??
Fica claro que a imaginação a que o Rehn se referia, não era aquela que tu, labutadora e tenazmente tens ido descobrir ao cú de Judas, para nos tornar felizes a todos. Era a imaginação que o TOC (de Belém…) falava como uma peregrina ideia para te ajudarem a levar o “barco a bom porto”. Para ti, acho que nem a cruz ao Calvário serás capaz…mas enfim, não é para isso que te escrevo.
José, ao longo deste tempo todo, em que convivemos de forma salutar, sempre fui dizendo umas coisas, tentando ver se “lá ias”, …mas não, és um teimoso….foi um fracasso. Porra!!! Não ouves ninguém!!!
Imaginação porque é disso que se fala, só a demonstraste ultimamente.
Tal como Faetonte, lembras-te???... o filho de Hélio e da ninfa Climene, ao perceberes que não podes guiar semelhante “carruagem do (teu) Sol” através dos céus, perdes o controle das bestas, aproximas-te de nós e quase deixas que se incendeie. Para nos poupar da destruição que o embate causará, talvez só um raio enviado por Zeus, possa resolver. A menos que te emendes…o que, francamente não acho crível!!!
Não te preocupes no entanto. Sei que estás bem, um pouco farto compreende-se, mas ainda te resta fôlego para a última jornada, a maratona que começaste antes de todos e vais sempre dizendo que o tiro já tinha soado antes…
Lembras-te daquele rapaz, o Miguel??? Sabes que, não morrendo de amores por ti, acabou por te defender e ao PR ??? Nem imaginas…deu uma “desanca” no Olli lá em Estrasburgo, sobre a “imaginação”… Olha que lhe disse das boas, “Por favor demita-se, senhor comissário; a Europa agradece”. Chamou-lhe “governador colonial”, pelo comportamento em relação a Portugal, e mais… sabendo como levas a sério o próximo 5 de Junho, descascou-lhe com força, que isso não se faz, patati…patatá…, que estamos a três semanas de eleições e arrogâncias daquelas não se podem consentir. Olha Zé, foi mesmo firme e hirto o Miguel !!!
Sabes, depois concluí que afinal, tomates mesmo a sério, não se vendem no Armani ou no Prada. Casca grossa parece, o rapaz, mas digo-te que é de boas famílias, garanto-te.
Agora, Zé… pah, não sei que mais te diga…
As coisas complicam-se e tu sabes…
Vê bem que até o pessoal do bivaque já se rebela e te afronta!!! À cautela, toma cuidado com esses. Há sempre a possibilidade de também ires na Chaimite, eheheehehe.
Comigo, não te preocupes, aliás como vens fazendo há muito tempo, deste sempre é que é.
Digo-te fraternalmente, o mesmo que o Miguel disse ao Olli… “pisga-te daqui pra fora, desampara-me a loja”, ninguém te vai impedir ou ter saudades.

Carinhosamente
António Ventura
13 de Maio de 20111
Dia da Padroeira


PS: Não te preocupes, amanhã cá estarei como combinado. Amofina-te com os pentelhos do costume e deixa o resto com o pessoal…

Carta a José ( II )

Caro José,
Hoje, cá estou eu de novo. Como prometi. Não sei se compreenderás, mas eu uso muito aqueles termos antigos, e normalmente até procuro acreditar que fazem todo o sentido. Como tal, “o prometido é devido”, e por isso cá estou a dar-te a maçada de me leres. Será que entendes???...
Tu, que tanto me tens prometido… ganda maroto, (desculpa o adjectivo, mas não é por mal…é uma brincadeirinha fofa em te tratar assim…) e sempre te esqueces de cumprir, ahahahaahah !!! José, tu és mesmo terrível,…maroto, quer dizer, malicioso, lascivo, finório, tratante…espertalhão.
Sabes que às vezes, para me esquecer de ti por alguns momentos, vou até à Bahia e lá, na época da Independência, “maroto” , era o que chamavam aos Portugueses. Tens portanto, sangue lusitano, disso não tenho a menor dúvida. Não será sangue do “melhor”, mas corre na mesma. Que Diabo, também não podes ter todas as qualidades, não é???
Desculpa lá a seca que te dou. Sabes que sendo tu um “europeísta convicto”, cioso dos propósitos e desígnios desta tão solidária U.E., sendo tu fluente nessas línguas todas, para te entenderes tão bem, com os teus parceiros, tenho a certeza que já ouviste alguns termos parecidos com o “maroto”. Puxa pela cabeça e diz-me, em Bona ou em Bruxelas, onde tratas o pessoal “tu cá…tu lá”, nunca ouviste, “salaud” , ou “vilain” ; “schunft”, ou “schelmisch”, ou  “pillo” ou “mascalzone”…? Pois é, podem ser “brincadeirinhas” também dos teus amigos, Sarko, ou Berlusquy ou mesmo da tua amiga Ângela. Mas, olha…não te rales, quer tudo dizer o mesmo. Ès tu mesmo e tenho a certeza que não ligas a isso, “naughty boy…sacré José !!!
Sabes que fiquei muito apreensivo com aquele tipo do Financial Times. Um descarado é o que ele é. Parece mentira o que saiu daquela conspurcada pena, para dar aquele artigozito, ofensivo claro está. À tua honra e dignidade, revelador de grande ignorância de um despudorado que não conhece, nem entenderia tudo o que tens feito por nós todos, nos últimos 15 anos e que muito nos tem sensibilizado.
Olha José, acho que já não se pode confiar em ninguém!!!
Segue o meu conselho, desculpa o mau jeito ou incómodo que isso te possa causar, sei que te vou magoar, mas sentimentos…são sentimentos e, mais uma vez à antiga, lá diz o ditado, “quem não se sente, não é filho de boa gente”.
E eu… dos meus ascendentes só tenho saudade, memória e respeito. Eram boa gente !!!
Talvez só por influência daquele desbocado do Wolfgang Munchau, do FT, acho que já não confio em ti.
Abraços e até amanhã
Teu, António Ventura
12 de Maio de 20111

PS: Não tem nada a ver com o PS, foi só para dizer que esta carta, é escrita em memória de meu saudoso Pai.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

CARTA A JOSÉ!!!!

Caro José,
Mais uma vez te escrevo, não porque sejas importante, fundamental, irresistível ou mesmo decisivo. Não, não és nada disso. Nos meus textos gratuitos (sim...porque tu não gostas de pagar nada...) sempre manifestei o que verdadeiramente penso de ti. Mal...muito mal. Desiludiste-me, mentiste-me, enganaste meio-mundo lusitano e o pior, é que jamais reconheces. Que falta de virtude...porra!!!
Hoje, mais uma vez te vi, ao longo de uma penosa jornada nos écrans da SIC. Digo que te vi, e isso é verdade, mas não te ouvi. Não te ouvi porque não quis, porque recusei há já tempo, não mais te escutar.
Que seca!!! Que lenga-lenga, Zé...!!! Tu não mudas mesmo... pah!!!
Se bem me lembro, a última vez que te prestei atenção e não me arrependo, pois pelo menos posso hoje recordar-te o que de certo já esqueceste, juravas por todos os "santinhos" que, "Entre ti e o FMI havia dez milhões de Portugueses...".
Desculpa-me a linguagem,... porra!!! Mais uma Zé, caraças...não tens vergonha na cara!!! Mas que "ganda lata".
Bom, doravante e até ao 5 de Junho, para não te esqueceres, vou-te mandando umas letrinhas diáriamente, ou sempre que possível...está bem pah????. Ok.!!!
Ah já me esquecia...não vás para aí ficar todo contente...
Olha, como não te oiço desde aquele dia e não tenho saudades nenhumas, antes de me despedir, daquela forma fofa que se usa vulgarmente nas cartas, de... "um abraço"  "até sempre"..."até breve"..."saudades"...etc, queria dizer-te o seguinte...
ENTRE MIM E TI...SÓ HÁ, DEZ MILHÕES DE RAZÕES PARA NÃO QUERER MAIS NADA CONTIGO... razões de alma, de vergonha, de ética, de solidariedade...enfim de Honra.
ADEUS
António Ventura

sábado, 2 de abril de 2011

CIDADANIA HOJE !!!


CIDADANIA HOJE

Nestes conturbados tempos em que vivemos, carregando o peso das crises económicas e financeiras desta Modernidade e da Globalização generalizada…nestes tempos de dúvida e incerteza em que nós, cidadãos e famílias, cada dia que passa, mais incrédulos ficamos quanto ao prometido futuro de felicidade, progresso, solidariedade e bem-estar, teremos a partir de hoje, correspondendo ao nosso desafio colectivo, de procurar, quiçá com redobrado esforço, encontrar a forma de nos posicionarmos corajosa e esperançadamente, enfrentando com coragem, determinação e atitudes positivas, as vicissitudes e dificuldades e acreditarmos ser possível…ser sempre possível ainda, entendermos e conquistarmos a felicidade e a “vida boa” entendida no sentido filosófico de Paul Ricoeur.

Não quero aqui falar sobre as reflexões ético-morais do filósofo francês, falecido em 2005, filósofo do meu tempo e de muitos dos leitores, mas não poderemos deixar, de referir tal conceito. Disse que…

“A perspectiva ética consiste em viver bem com, e para os outros em instituições justas”.

Antes de tudo, quero aqui referir, pelo menos aos que não são como eu, menos novos, o que ganhámos desde os tempos em que a minha juventude me impulsionava com tanta esperança e outro tanto futuro.

O que se passou nestas ultimas três décadas, era para nós, jovens Portugueses dos anos 60 e 70, quase inimaginável.

Na minha juventude, não nos chegaria agirmos com atitude positiva, construtiva, dinâmica e pró-activa. Um enorme conjunto de limitações, obrigava-nos a depender das circunstâncias do tempo que se vivia e por isso mesmo, não haveria muito a esperar.

Os jovens de 60 e 70, tinham esperança de, …

Sonhar verdade, morrer de velho, evitar a guerra, ou passá-la e sofrê-la com o pouco risco possível, ou menores danos, viajar, conseguir entrar e frequentar o tal Curso superior, e só havia uma dezena deles que o conseguia em cada mil, obter o tão desejado passaporte, comprar o seu primeiro carro, casar e ter a sua própria casa, enfim, talvez umas férias no Algarve ou em Caminha, ou mesmo mais perto, na Caparica e muitas vezes só e apenas num bom Domingo de praia. O cinema no sábado à noite, a televisão a preto e branco.
A chamada “semana inglesa”, tinha pouco de britânica e queria dizer…trabalhar aos sábados de manhã.

E hoje?...

Os jovens de 60 e 70, queriam o emprego, a via profissional, pois aprendiam carpintaria, serralharia, electricidade, canalizações… alguns mais sortudos, já rondavam a electrónica, a contabilidade, o pequeno grande passo na computação, com os extraordinários mostrengos de toneladas de peso e barulheira infernal – eram os primeiros processadores de cartões perfurados, o princípio de tudo, acreditávamos.

E hoje?

O cidadão comum, constituía família e era empregado, pequeno empresário de artes e de ofícios, ou agricultor não saindo da terra onde nascera, e até se dizia numa frase de um político conhecido da época, de uma longa época–

“Portugal é um País agrícola !!!”

Ou ainda, em relação à vinha e ao vinho –

“O vinho dá de comer a um milhão de Portugueses!!!”

Que vida boa!

E hoje ????

O cidadão Português de 60 e 70, não lhe interessava Política, ou melhor… dizia não lhe interessar.
Completamente despolitizado, e sem possibilidade de mais conhecer e aprender…, um País com uma taxa de analfabetismo das maiores da Europa, só comparável à Ásia ou África, vivia com esperança e relativa felicidade, que lhe parecia total, parecendo agir com atitude positiva, construtiva, dinâmica e pró-activa.

Na saúde, buscava o Hospital da terra e a assistência de algum serviço médico ou de enfermagem… era o que se podia.
A assistência e apoio social quase inexistente, não nos fazia entrar em depressão, e a segurança social e a garantia de reforma era apenas…uma miragem.

E hoje?

Os media ou comunicação social, injectam-nos hoje doses massivas de desesperança, tristeza, revolta, desespero e tantas vezes incredulidade pelo presente que vivemos e pelo futuro que chega amanhã.

Todos nos preocupamos hoje com a “recessão”, com o défice, com a “dívida externa”, com o corte dos salários ou a sua redução, com o novo imposto que ainda não conhecemos, mas que está chegando, enfim…com a crise.

Com a crise generalizada.
Crise de tudo, de dinheiro, de crédito, de incapacidade para mais consumir, a crise política… e poucas vezes nos preocupa, a crise de valores, da ética, da moral e da honra.

E pensamos sempre individualmente, raras vezes no colectivo… na solução para tudo isto, para tudo aquilo que nos preocupa, nos fere e nos trai, nos atormenta e nos massacra,…sempre, sempre perto ou olhando para o nosso umbigo.

E depois a política e os políticos. Que nos enganam amanhã tendo-nos prometido hoje. E fogem com fortunas que roubam descaradamente. E a corrupção generalizada no aparelho do Estado e essa promíscua e prostituta relação entre a política  (digo, alguns políticos) e as Empresas (digo, algumas Empresas dos compadres), criando e gerando negócios mirabolantes, que perdurarão por décadas em prejuízo de todos nós e da Nação que quase já não se reconhece…

Será esta a maior crise ???

O nosso sentimento constantemente negativo, é normalmente fruto do que ouvimos, lemos e sentimos na pele.

Haveremos pois de construir a tal atitude. A positiva. Mudando…claramente no pensamento, na atitude e na acção.

Como disse alguma vez Churchill –

"Atitude é uma coisa pequena que faz uma grande diferença." 

E teremos de contrariar Roger Vaillant, quando dizia que, -

Desistimos do nosso próprio destino” …ou ainda ficarmos atentos

à “tendência para o abismo” de Miguel Unamuno.


Sei bem que, não sendo eu próprio um modelo de motivador de almas, pelas razões que muitos de meus amigos conhecem e compreendem, sei bem no entanto, que todos teremos de mudar.

E há uma frase que é bem exemplo disso –

Ou tu mudas…ou alguém te muda!!!”

Não sou um modelo de positivismo e esperança.

No entanto, não deixarei ainda, no melhor sentido, ajudando a promover a esperança e atitudes positivas, de me debruçar um pouquinho sobre a questão que no meu entender, terá nos complicados dias de hoje, o maior interesse.

Esse tema… é o da Cidadania e do seu exercício pleno, acentuado, eficaz, dinâmico e necessário para, isso sim, contrariarmos com acuidade e em tempo e a tempo, a vontade de “nos mudarem a seu belo prazer e gosto”, com os mais duvidosos intuitos, nebulosos, objectivos, duvidosos programas, que nem sequer importa aqui e agora enunciar.

Nos últimos tempos, usamos com frequência o termo cidadania em qualquer discurso ou diálogo trivial, pois, devido ao seu significado abrangente, a designação que tende a ser oportuna é adequada em inúmeras situações.
Todos experimentamos o exercício da cidadania ou o seu desrespeito na vida colectiva, e assim, acabamos perfeitamente aptos para apontar a existência ou a falta da mesma, sem dificuldades. Esta realidade permite alcançar o conteúdo que aquele termo designa a partir de um cem número de direitos que o integram. Tais direitos, seguindo a moral de vida de uma sociedade e de seus interesses, vão sendo estendidos e ampliados, favorecendo, por conseguinte, a identificação do significado e conteúdo da cidadania em uma quase infinita variedade de situações.
É possível dizer que, todo o cidadão, que integra a sociedade pluralista do Estado democrático, é senhor do exercício da cidadania, a qual, em síntese, é vocábulo que expressa um extenso conjunto de direitos e de deveres.
Nesta ideia, de exercício de um vasto conjunto de direitos e de deveres, consiste o conceito amplo de cidadania, cujo conteúdo, superior ao conceito estrito, o qual é percebido unicamente como o exercício do direito e dever políticos de votar e de ser votado, só adquire pleno significado, no mundo contemporâneo, num Estado democrático de direito. E, normalmente, na actualidade, quando fazemos referência à cidadania, estamos falando do seu sentido amplo.
Perceber o pleno alcance do conceito amplo de cidadania, hoje, exige necessariamente, o ambiente de vida e de convívio entre os homens, típico e próprio de um Estado democrático de direito.  Em sua acepção ampla, cidadania constitui o fundamento da primordial finalidade daquele Estado, que é possibilitar aos indivíduos habitantes de um País o seu pleno desenvolvimento através do alcance de uma igual dignidade social e económica. E tal desenvolvimento, requere-se igualmente heterógeno.
O princípio de igualdade, disciplina todas as actividades públicas e tem aplicação directa nas relações privadas, que ocorrem entre os particulares, impondo, para torná-lo real, a proibição de discriminações e a eliminação das desigualdades fácticas nos planos social e económico, proporcionando a todos os cidadãos igual condição de vida e mesma posição perante o Estado democrático, sendo que uns ou outros poderão obter maior sucesso em virtude do seu melhor e maior desempenho na generalidade da sua actuação.
E, também para a realização da cidadania, o princípio democrático torna indispensável a participação popular nas tomadas de decisão. Esta, não se consigna apenas à participação irregular, em momentos de imposição política, para nomear representantes, tantas vezes desconhecidos ou pouco interessados nos interesses dos seus representados… como ocorre normalmente.
A cidadania, no Estado de direito democrático, efectivada, oferece aos cidadãos, como iguais, condições de existência, o gozo actual de direitos e a obrigação do cumprimento de deveres, que, resumidamente, podem ser assim apresentados:
  • exercício de direitos fundamentais e participação; e,
  • os deveres de colaboração e solidariedade.
Sabendo-se que todo cidadão tem a sua existência acompanhada do exercício de direitos fundamentais e do direito de participação...,sobre a participação, cumpre garantir que este direito significa a capacidade de ser consultado para as tomadas de decisão que dizem respeito à direcção da sociedade em que vive o cidadão e que, dentre os direitos de participação política, tais como a igualdade de sufrágio, o direito de voto e de elegibilidade, e o direito de petição, ainda importa recordar outro que também a integra, …é o direito de iniciativa popular.
E é neste contexto que o exercício da Cidadania se impõe mais expressa e fortemente.

Na busca de soluções para a crise de esperança e de futuro com que nos deparamos, as iniciativas da Sociedade Civil, são por demais necessárias, ou mesmo indispensáveis.

È na Associação Cívica, na reunião em Grupos mais ou menos organizados da sociedade civil, que encontraremos a resposta aos problemas que hoje a todos aflige.

Das palavras do Prof. Carlos Fontes, em que se questiona sobre
 “Se estará a Cidadania em crise?”, retiramos … que,

“Não é possível pensar os regimes democráticos sem uma participação activa dos seus cidadãos. Mas a verdade é que o panorama é deprimente nos países mais desenvolvidos do mundo.

Porque é que a maioria dos cidadãos parece estar a abdicar dos seus direitos e deveres de cidadania?
Uma elevada percentagem dos eleitores afirma que não se reconhece nos candidatos e nas suas propostas eleitorais, facto que se traduz nas elevadas percentagens de abstenção nos actos electorais. O resultado é muitas vezes, elevadas figuras do Estado… eleitas por simples minorias. 
Essa é… a Crise de Legitimidade.
A mediatização da política transformou o debate, num espectáculo, onde frequentemente muitos políticos para obterem elevados níveis de notoriedade pública, assumem atitudes e comportamentos que lhes retiram qualquer crédito aos olhos da maioria dos cidadãos, mas que têm também como consequência minar a confiança no próprio sistema democrático.
É… a Política Espectáculo.
Os cidadãos sentem frequentemente que os políticos só se preocupam com eles em épocas eleitorais, após as mesmas… são rapidamente esquecidos.   
São as Expectativas Defraudadas. 
Um dos motivos para explicar a falta de participação na vida política, está no facto, dos cidadãos se queixarem que não são informados e de serem múltiplos os entraves que encontram quando pretendem ter acesso à informação relevante sobre a coisa pública. 
Essa é… a Falta de Transparência. 
A criação de grandes organizações internacionais, como a União Europeia, estão a produzir um progressivo alheamento dos cidadãos sobre o seu destino colectivo. A complexidade destas organizações e a forma difusa como as decisões nelas são tomadas, contribuiu para diminuir o interesse dos cidadãos pelas mesmas. 
É… a Alienação.
A tudo isto, segundo alguns autores, os valores próprios de uma sociedade de consumo, exacerba o culto do hedonismo e a primazia dos interesses individuais sobre os colectivos.”
Mas então… que saídas para isto???

Parece inquestionável que o regime político que temos, apenas passa pelo sistema partidário… a indispensabilidade da existência e fortalecimento partidário. Será ???...

“As sociedades modernas, onde o consumismo está plenamente desenvolvido, enfrentam hoje dois graves problemas que colocam em perigo a sua sobrevivência:

Os seus cidadãos estão de tal forma preocupados em consumirem e em arranjarem dinheiro para consumirem que não têm tempo para se preocuparem com a sociedade. A sua moral é puramente hedonista: a única coisa que conta verdadeiramente é o seu prazer pessoal imediato, sendo-lhes indiferente as consequências dos seus actos.

É o consumismo.

Os cidadãos de hoje, vivem cada vez mais em grandes cidades, onde as relações impessoais e os mecanismos de decisão política lhes escapam complemente do seu controlo. A tendência que daqui decorre, é para abandonarem qualquer forma de intervenção cívica, remetendo-se para um completo alheamento das questões sociais.
É a alienação.
E o "individualismo" é uma espécie de doença que está a minar a cidadania.”
Estou certo que, todos ou a maior parte dos leitores, serão cidadãos eleitores-votantes, isto é, apresentam-se no dia certo, para cumprimento do dever cívico e do direito democrático. Ou não??!!

A representação política ao nível do Instituto da governação do Estado, está hoje em crise. E essa representação é tanto mais posta em causa, se atentarmos nas razões que levam os Portugueses às taxas de abstenção superiores a 50%.

É aí que reside a exigência de organização da sociedade civil, o exercício pleno da cidadania.

Nas palavras de Miguel Sousa Tavares, parece que …

“A democracia é uma senhora sem memória nem pudor… uma espécie de “Maria-vai-com-todos”

Mas… como  reordenar este complexo sistema ?

Através de um processo histórico, envolvendo os cidadãos para além das instituições, com experiências de verdadeira participação popular, unida às organizações políticas existentes, mas sem abrir mão de todas e quaisquer formas de manifestação, evidência ou liberdade democrática.


Sim. Nós podemos ! … ou melhor dizendo… Yes…we also can !!!

Precisamos querer. Enfrentar com determinação, orgulho, vontade e perseverança.

Embora em circunstâncias bem graves e tristes para o nosso querido País, é necessário conseguirmos optimismo e esperança.

Precisamos sorrir também !!!

Não podemos agitar a bandeira, apenas nos campeonatos desportivos. E, lamentavelmente, e de forma surpreendente, fizémo-lo incentivados por um estrangeiro residente, que não tendo nada contra, bem pelo contrário, nos fez crer no nosso orgulho, tantas vezes esquecido.

Sou do tempo que o Hino de Alfredo Keil, nos fazia perfilar.

Com orgulho.

Com emoção sentida.

Ah… e não esquecermos nunca que, é na Sociedade Civil, no Associativismo Cívico, nas Organizações para o exercício da Cidadania plena que está a solução…porque do “outro lado” (imaginem), é mais do mesmo. E como se dizia em tempos idos, junto à fronteira do Caia/Badajoz  - “De Espanha…nem bom vento…nem bom casamento”

António Ventura
1 Abril 2011









sexta-feira, 18 de março de 2011

O SISMO OU A SORTE DE KADHAFI...OU O CINISMO EUROPEU

ESTA EUROPA... NÃO SE MANCA MESMO!!!
A tragédia que abalou o Japão e que vai afectar económicamente o planeta, assim como a iminência dos perigos decorrentes da situação da central nuclear de Tukushima, mas especialmente os mais de 6.000 mortos já identificados e os que se seguirão, no apuramento final com ainda mais de 10.000 desaparecidos, estranhamente beneficiou Kadhafi. Poderá parecer um profundo e perigoso disperate, tal conclusão, mas se embora a "tradição já não seja o que era", o facto é que, Muahmar el Gadhafi, onde toca faz morte e destruição. Estava todo o planeta atento às manobras e mentiras do Grande Líder da Revolução Verde, esperando que o seu fim não tardasse. Esperando que o petróleo apenas mudasse de mãos e fosse bom recomeçar um novo ciclo, eis que a natureza fez das suas. Com uma potência extraordinária de cerca de 8º eis que a terra treme no mar do Império do Sol Nascente,  invade a terra criando destruição e morte. Fruto do seu progresso, a energia nuclear faz parte do Japão. Com ela convive toda a sociedade japonesa e dela vive e com ela cresce económicamente. O perigo  e o medo das fugas radioactivas de Tukushima, trazem aos súbditos pela primeira vez em muitas décadas, a imagem televisiva e as palavras de Akihito, o Imperador.
Poderia continuar aqui a escrever sobre tão medonha e preocupante tragédia. Se o fizesse, teria óbviamente que alterar o título desta pequena crónica de opinião. 
De facto, enquanto o Mundo se comove com as notícias do sismo japonês, o líder Libyo avança na recuperação do seu poder de mais de 40 anos, recebe os beijos dos seus seguidores, promove as manifestações em seu favor, recruta mercenários e paga-lhes em dólares ou euros (porque já não há francos franceses, ou liras italianas) e envia-os para matar o seu Povo, com o equipamento bélico que acumulou durante anos, mesmo quando lho vendiam e por trás o apelidavam de "beduíno terrorista".
A marcha final da Segunda Revolução Verde, às portas de Benghazi, onde certamente se concluirá a matança e o genocídio final, estará para breve. à hora a que escrevo estas linhas já há a notícia de que, será esta noite o assalto final à segunda cidade da nossa amiga e carismática Libya e berço e túmulo do não menos terrorista e, depois carismático e, depois criminoso de guerra, Grande Líder Fraternal e Guia da Revolução Libya... e em breve, de novo carismático e amigo da Europa e do Mundo Livre.
Mas o "carismático" representante do "pan-islamismo", conhece bem o cinismo dos grandes líderes do seu tempo que já vai longo. Todos já tomaram chá nas suas tendas... a todos recebeu com o "afwan" querendo dizer-lhes "you're welcome", sabendo bem que em breve, todos voltarão, penitenciando-se de tanta "asneira" dita e jurando fidelidade eterna à "Great Socialist People's Libyan Arab Jamahiriya".
Mas esta Europa, como diria o meu jovem filho... "não se manca, mesmo!!!". 
Não sei traduzir esta frase do nosso moderno "português", para a língua de Voltaire, Rousseau ou Montesquieu. Três anos de Instituto Italiano, na já longínqua juventude, não me permitem recordar tradução adequada para a língua de Vicenzo Gioberti.
Porém, em português, minha muito querida língua mater,  não a banalizando, porque não é meu costume, fico-me igualmente pela ignorância da incapacidade de tradução - ESTA EUROPA... NÃO SE MANCA MESMO!!!
Rebuscando na Ética, recentemente reaprendida com o distinto Prof. Cassiano Reimão, encontrei que, "a partir de Sócrates (470 a.C-399 a.C.), a filosofia passa a ocupar-se de problemas relativos ao valor da vida, ou seja, das virtudes". 
Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, estará a esta hora, muito provávelmente a descarregar veneno sobre Benghazi. Em breve, estará de novo pronto para fazer negócios!!!
Com todos os seus amigos, penitenciados, mentirosos, cínicos, falsos, ambiciosos, traficantes e muitos, muitos políticos no activo e em processo demissionário, mas arrependidos e sempre cínicos.
Kadhafi, não deve ter ainda conhecimento do sismo de Miyagi. Em Miyagi e no resto das provincias japonesas, contam-se os mortos quando se encontram. Kadhafi... talvez os mande contar no fim.
Falta-me saber se em breve irá voltar a beber-se chá, na tenda beduína, e se o dono receberá os visitantes, de Lisboa, Paris, Roma ou Londres com o tradicional "assalamu-alaikum", que será o mesmo dizer... que a paz esteja sobre vós.
E o cinismo Europeu a tudo assistirá, com o sorriso de quem só quer mais uns barris....

domingo, 6 de março de 2011

A ÉTICA NA POLÍTICA ou o Barão Karl-Theodor Freiherr zu Guttenberg

Na política, afirmava Churchill, a verdade é tão preciosa que requer uma escolta de mentiras.

Existe porém uma velha questão a que importa, dar relevo e conseguir resposta. Será ético mentir? 
Para responder a essa questão, teremos no entanto que separar o tempo, o lugar, a circunstância e sobretudo, a função que desempenha o agente da mentira - o mentiroso - quando a promove. A mentira, pode pois ser usada em duas circunstâncias - na vida pública e na vida privada. Aqui reside então a questão que aqui se pretende aclarar. Quando um qualquer de nós, nas relações sociais se dedica à promoção da mentira, facto que se tornou comum na sociedade moderna, lamentàvelmente, haverá que separar o efeito que tal, criará no alvo dessa mesma mentira.
Preocupado com tão pertinente questão, dediquei-me à leitura de parte da obra do Prof. José Pastore, insigne docente da Universidade Estadual de S.Paulo. E dali retirei, com salvaguarda e autorização de copyright, alguns trechos que valerá bem a pena 
comungar com os, aqui leitores.

"A mentira constitui fenómeno amplamente generalizado na sociedade moderna, mas pouco estudado em suas causas, tipos e consequências. Quando se justifica mentir? Que tipo de mentira é válida para o homem público? Quais as consequências da mentira para quem mente e para quem é enganado?
A interpretação da mentira depende portanto do "código de ética" seguido pelo mentiroso. Para o utilitarista, por exemplo, a mentira justifica-se quando, através dela, se produz maior felicidade. Esse é o caso do comentário que se faz ao moribundo ("você está bem...") ou do consolo do dentista ("não vai doer nada...") ou da formalidade dos adversários quando se encontram em público ("que prazer em vê-lo...") ou mesmo do final da carta desaforada ("com a minha mais alta estima e elevada consideração...").
No código do utilitarista, tais mentiras geram mais satisfação do que as verdades. Mas seria essa a maneira mais adequada para se analisar as "mentiras para o bem público" praticada pelos governantes?
A mentira dos governantes é também fenómeno generalizado. As sociedades, porém, variam enormemente quanto ao tipo e volume de mentira tolerados. A mentira dos governantes é por eles considerada sempre como muito trivial, embora raramente o seja. Analisada dentro de um outro "código de ética", o determinista, a mentira é avaliada de outra maneira. Básicamente ela envolve duas pessoas: o mentiroso e o enganado.
Nenhum dos dois deseja ser enganado.
Nesse ponto eles são iguais. Por isso, quando um deles decide mentir, na reaalidade, ele está tentando reservar para si o direito de exigir que o outro seja honesto. Como isso é impossível, depois das primeiras mentiras, as outras ficam muito mais fáceis, pois as barreiras psicológicas vão sendo relaxadas e as mentiras vão se afigurando como cada vez mais necessárias e menos repreensíveis. Isso acontece muito com as mentiras dos governantes. Daí em diante, as mentiras vão escalando num crescendo incontrolável no pressuposto de que todas elas são utilitárias e triviais, quando na realidade raras delas efectivamente o são. Confunde-se então o direito de omitir uma informação perigosa com o direito de mentir.
A tolerância das sociedades à mentira dos governantes varia. Observa-se que as sociedades mais avançadas preliminarmente debatem o assunto e depois estabelecem explicitamente, os limites e as condições para omissões, mas nunca para a mentira. Esse é o caso por exemplo, do anúncio de uma desvalorização da moeda, que causa grandes prejuízos (ou ganhos descabidos). Até esse ponto, admite-se omitir. Para não precisar mentir, o governante tenta evitar ao máximo ser indagado a esse respeito, pois a mentira nesse caso - apesar de utilitária - deterioraria a sua credibilidade. As sociedades modernas definem, rigorosamente os limites para os depoimentos falsos por reconhecerem que tal prática é a maior destruidora da credibilidade do governante e do próprio tecido social. Com base nessa preocupação tais nações tendem a condenar fortemente o uso da mentira e sempre preferir a alternativa honesta na área pública. As próprias leis e regulamentos são elaborados de modo a desestimular e sancionar o uso da mentira desnecessária." em A Folha de São Paulo, 20/05/1987 José Pastore.


A mentira na vida pública, a mentira do actor político, é pois condenável e não deve ter perdão.
Ao longo da penosa caminhada das Democracias ocidentais, temos sido confrontados com quedas estrondosas de personalidades políticas, por terem usado a mentira, a falta de ética na vida pública, que curiosa e estranhamente até, os atingiu por tudo o que fizeram, ou mentiram, até omitiram, muito antes de ocuparem os altos cargos públicos de onde foram apeados. Seria demasiado enfadonho enumerar aqui uma grande quantidade de factos desses, mas apenas alguns... "O caso Profumo" , Inglaterra em 1963, Watergate USA nos anos 70, Collor de Mello, Brasil em 1992. Esses factos porém, apenas tiveram o seu epílogo após longos e desastrosos conflitos parlamentares e até judiciais.
Muitas mais razões haveria para a invocação de impeachment, em muitos mais casos, alguns bem perto de nós.
Mas, o Barão Karl-Theodor Freiherr zu Guttenberg, talvez o futuro sucessor da Chanceler Merkel, com uma meteórica carreira política iniciada em 2002, passando pelo Ministério da Economia e Tecnologias e recentemente pelo da Defesa do seu país, não deveria ter mentido na sua tese de Doutoramento em Leis, utilizando como se provou, a velha técnica do copy - paste, tão comum em alguma da nossa juventude universitária, a qual em muitos casos chega mesmo a enviar por fax, os seus trabalhos académicos.
Assim sendo, como foi, o Barão Karl-Theodor zu Guttenberg, tendo mentido enquanto exercia funções públicas, interrompeu por agora a sua carreira. Parece que, no Reich de Merkel - zu Guttenberg, os súbditos não consentem mentiras!!! Será???