sexta-feira, 7 de abril de 2017

MALDITA PULHÍTICA... ABENÇOADO ALENTEJO

É com teimosia e grande obstinação que insisto. 
Insisto sempre, como se um chamamento de um Deus me queira tornar às raízes longínquas da terra, ao campo, às searas e ao calor que inferniza as gentes nos verões alentejanos e lhes enregela os ossos e a alma quente nos invernos de estalar. 
Insisto sempre.
E não me vejo parar, sem sequer duvidar ser o resto do meu caminho, o trilho que vai dar àquele campo largo com pequenas casas brancas de faixa azul, amarela ou "pó de sapato" de vez em quando, em pequenas cidades e vilas, em montes e aldeias.
Abençoada seja a terra, venturosa gente.
Na absurda insistência, deparo-me então com frequência, com o talvez maior dos nossos males. E enfrento-os, sofro com eles, revolto-me, e de novo regresso à vontade de ficar e fazer...
Não temos dúvida que, se há perto de quarenta e dois anos, poderíamos carpir, e chorar de outros males - bem piores -  desde então, a santa liberdade trouxe-nos a factura. Uma conta que não logramos pagar nunca.
Maldita pulhítica que nos arrasa, que nos tira do sério e nos esmigalha a coragem e o propósito. 
Somos assim... tais quais!
Há alguns meses, na minha querida Portalegre, num encontro de gente boa que se dispôs a discutir o futuro e o turismo que também é futuro... e muito, escutaram-se as palavras de António Ceia da Silva, Presidente da Turismo do Alentejo - ERT que, a certo ponto da sua intervenção, muito apreciada, disse "... somos assim... fazemos noventa e nove coisas boas e uma mal. Somos criticados por essa, nunca apreciados pelas noventa e nove...". Somos assim, pois então. 
E vamos andando, derretendo vontades, excluindo actores, queimando projectos e matando o tempo que é pouco, para lograrmos alcançar, senão a felicidade apregoada, pelo menos o progresso, desenvolvimento e bem-estar numa terra bela, de cantes e encantos que, extasia e deslumbra forasteiros e nos arrebata os corações. E vamos andando...tais quais!
" Abrasai, destruí, consumi-nos a todos; mas pode ser que algum dia queirais espanhóis e portugueses, e que não os acheis". Que perfeitas e certeiras palavras do Padre António Vieira, tão propositadas se aplicadas no tempo de hoje.
E somos assim.
As vaidades, velhos e suspeitados rancores e o "não sei quê" que, não se explica nem nos é explicado, despeja-se num caudal turvo de incoerência, limitador de crescimento, de cooperação e vontade colectiva de crescer bem. 
E vamos andando.
Recusando o propósito, ignorando o saber, cultivando a incompetência... desprezando os nossos.
O que aparentemente se faz crer, ser o acolhimento caloroso ou pelo menos formal, passa ràpidamente, sabe-se lá porquê, ao quase desdém e incredulidade pela fascinação dos outros, que tais.
E fica a expectativa de que os "tais", se auto condenem ao silêncio perpétuo.
Somos assim.
Mas desentranhando as recordações, não se compreende esta nossa postura e desencanto, de tudo duvidando, a todos criticando do alto do nosso umbigo grande.
Maldita pulhítica.
E bordamos de encanto os sonhos e alinhavamos a vida que nos escorre pelo fio que, passa finamente na agulha do tempo.
E moldamos o barro do nosso encantamento. 
E decoramo-lo preciosamente, cada peça única, como este nosso povo alentejano. Único é o Alentejo.
E vemo-nos na nossa modorna, enfadados de tanto olhar o campo sem ver ninguém. Entediados, enfastiados sem saber que ficaremos sózinhos.
E olhamos de novo o campo, escutamos o balido do gado e lá ao fundo na estrada, vai um carro com mais um que decidiu abalar! Somos assim, tais quais...
E não nos juntamos, reunimos, entendemos,
no solidário interesse da nossa terra e todos nós. 
Maldita pulhítica.
Abençoado Alentejo.

António Ventura, 7Abril2017

presente texto está redigido pelo signatário, em língua portuguesa, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo chamado Acordo Ortográfico.








quarta-feira, 29 de março de 2017

UExit - O que a nomenklatura não entendeu é que estamos fartos.

Roma, 25 de Março de 1957 ou a Roma sitiada em 25 de Março de 2017

O que a nomenklatura não entendeu é que estamos fartos. E isso é mau (?) perguntar-se-á... talvez sim, talvez não.

Verdadeiramente, estes quinhentos milhões que um dia decidiram seguir juntos no seu futuro económico, social, fraterno e próspero, mal sabiam que, todos estes simples e humanos interesses comuns poderiam ficar, em sessenta anos, à mercê de uma secta que, inábilmente se apoderou das suas vontades, desígnio e futuro.

Não será difícil entender que os europeus, todos nós que nos juntámos, confiadamente ao longo de seis décadas, ambicionámos olvidar os conflitos e as diferenças, preparando e projectando o futuro de paz e progresso, conjuntamente. Enfrentando os riscos e as vantagens da globalização, estes quinhentos milhões de seres, optaram como indispensável a União, como elemento fundamental, aglutinador, para fazer frente aos desafios, aos perigos e ameaças de um mundo novo, cada vez mais desigual, egoísta e perigoso, com afrontamentos diversos ao longo dos mais dos treze mil quilómetros das fronteiras externas.

Mas a UE da solidariedade, implicou também a ajuda a povos, outros, que infelizmente não foram poupados à ambição, à violência apenas motivada pela sôfrega ganância das suas matérias primas, ou do interesse geo-estratégico de alguns poderes.

Dir-se-á que se repete, que se repetiu a história, particularmente ao longo das duas últimas décadas, o assalto a territórios cujo subsolo ou interesses políticos e económicos motivaram a intromissão externa. 

Finda a guerra fria, rápidamente os habituais guerreiros da democracia se levantaram em armas para acudir aos infelizes povos que, estando em paz, viviam sob regimes mais ou menos autoritários e sobretudo ditatoriais.

Mas a democracia impunha-se.

E, à pala, de umas quantas mentiras, que por insistentes, passaram a verdades, pelo menos temporáriamente, impôs-se a democracia pelo cano dos obuses, pelo julgamento kafkiano e sequente enforcamento de uns, e de outros, pelo bárbaro assassinato em plena rua, em fuga, pelas hordas revolucionárias de uma qualquer Primavera.

Aqueles que meses antes eram recebidos em diversos Estados desta nossa UE, com pompa e circunstância, com tendas montadas junto ao mar, com recepções elegantes, até carregadas de servilismo por parte dos anfitriões, servindo chá e salamaleques, ou melhor dizendo "salam'alaik", foram rápidamente esquecidos porque, se já não serviam, deitavam-se fora.

E foi assim.

E, foi também assim vista a bela Roma eterna e mãe que, em 25 de Março de 2017, se encontrava fechada, sitiada, desconfiada que algo estranho ou perigoso pudesse ocorrer e estragar a premonitória "festa" dos convivas cujos rostos sérios, de apreensão e tristeza, apenas auguravam o fim triste que se avizinha.

Mas não obstante, firmaram, selaram com as suas decisivas canetas, mais um contrato de boa continuidade e esperança, logo após os fastidiosos discursos de Tusk e Juncker, ambos insistindo na boa unidade, na manutenção e salvaguarda das elites a que pertencem e não pretendem deixar de pertencer. Nem permitir qualquer intromissão desses quantos milhões, de quem se servem mas cujas reprovações não consentem. 

E Roma continuou o seu dia.

Para trás, deixou a nomenklatura a franqueza das suas próprias declarações de 5 de Março...

"Nós agiremos concertadamente, se necessário com ritmos diferentes e com uma intensidade diferente, mas avançando na mesma direcção, como temos feito no passado, conforme os Tratados, mas sempre deixando a porta aberta a todos aqueles que desejem juntar-se a nós mais tarde. A nossa união é una e indivisível."

Indivisível ?!... sim. A nomenklatura NÃO SE DIVIDE.

Não se divide nem entende, jamais entenderá porque estamos fartos.

Estamos fartos, enjoados, we are all fed up... we had enough. Nous en avons assez...On en a marre...

Vamos então ser sérios. 

Não entende que, quinhentos milhões de seres, quase todo um continente, berço de todo o engenho humano ou quase todo, não quer mais ficar à mercê de um bando, tantas vezes ridículo de autocratas, funcionáriozecos presunçosos e convencidos de possuir a ciência e a verdade das coisas, que se abastecem de riqueza e serviços. 

Ignorando as gentes, mentindo, ofendendo, prometendo, falseando, ameaçando e destruindo tudo o que é, foi o grande desígnio de um raro e histórico conjunto de povos e nacões, que se quiseram diferentes, porém determinados a ficar unidos em progresso e em paz.

Não entendem. Jamais entenderão o artº 50º do Tratado de Roma. Temos pena... muita pena.

António Ventura
Roma, 29 de Março de 2017













sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Conferência de Imprensa e os Direitos, Liberdades e Garantias

Ninguém que me conheça ou me haja lido, nas prosas modestas que alguma vez vim debitando, ignora as minhas convicções políticas. Talvez mesmo, auto-caracterizando-me muitas vezes como um perigosíssimo radical de esquerda. É assim. Fruto de muita vida vivida, de um olhar que procuro atento, isento, descomprometido e sempre tentando o uso da mais clara honestidade moral e intelectual, sem origens nessas ondas é bem certo, a não ser a adolescência passada na “sinistra rive gauche” de que me orgulho.

Ninguém que me haja lido, por aqui ou em http://desventuralusitana.blogspot.pt/ lá pelos idos de 2011, poderá ignorar quanto crítico fui, quanta crítica me mereceu “José”.

Era tanta a vontade de lhe dizer coisas que, em época mais tormentosa lhe escrevinhei as “cartas a José”, satisfazendo assim o ego, realizando dessa forma a minha vingança de lhe botar na cara as minhas preocupações. Lançando-lhe para cima a raiva e o sentimento do leão ferido que quase já não se levantava.

E o tempo mata a lembrança. O tempo mata, esquece, perdoa, vinga, contempla e até honra alguns aqueles que alguma vez atravessaram a ponte ao mesmo tempo que nós.

Foi assim com José. Com ele, juntos, atravessámos um longo período da minha e da sua vida. Da nossa vida colectiva também.

De tantas que à época lhe disse, escrevendo sem que, provavelmente me haja lido sequer uma vez, muitos milhares mais lhe haveria de ter dito.

Fica-me porém o reconhecimento dos muitos milhares de feitos, históricos, representação política elevada e decisões que em muito alteraram a nossa vida nacional para sempre. Ninguém é perfeito.

O seu legado não está porém isento das culpas que sempre carregam qualquer sujeito e a sua actuação política. 

José está para durar…

Não. Não é o populismo que sempre o caracterizou que, regressando agora aos écrans das televisões, me fazem mudar de opinião.

Ele é um personagem que quer queiramos quer não, marcou e continuará a marcar a imagem política do Portugal moderno. Em crise permanente sim, em crises sistémicas desde há mais de um século. Mas a sua notoriedade, capaz de catalizar, mobilizando toda a comunicação social em qualquer momento que queira, decida explicar, essa é inquestionávelmente indubitável.

Foi assim em 3 de Fevereiro de 2017, ontem exactamente na conferência de imprensa.

E se a notoriedade, é inquestionável, também o foi, qual Trump Lusitano, surpreendentemente alegórica a discriminação em directo de um “jornalista” de um certo canal que não teve direito a perguntar.


José não teve direito a “directo” nas perguntas e respostas dos jornalistas, na conferência de imprensa. Uma lástima. A intoxicação está em todo o ar que respiramos. 

Não merecemos mais nem melhor.

Talvez porque “há outros Trumps ocultos, maquiavélicos, e que só não são tão perigosos porque não são presidentes dos EUA”.