sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Conferência de Imprensa e os Direitos, Liberdades e Garantias

Ninguém que me conheça ou me haja lido, nas prosas modestas que alguma vez vim debitando, ignora as minhas convicções políticas. Talvez mesmo, auto-caracterizando-me muitas vezes como um perigosíssimo radical de esquerda. É assim. Fruto de muita vida vivida, de um olhar que procuro atento, isento, descomprometido e sempre tentando o uso da mais clara honestidade moral e intelectual, sem origens nessas ondas é bem certo, a não ser a adolescência passada na “sinistra rive gauche” de que me orgulho.

Ninguém que me haja lido, por aqui ou em http://desventuralusitana.blogspot.pt/ lá pelos idos de 2011, poderá ignorar quanto crítico fui, quanta crítica me mereceu “José”.

Era tanta a vontade de lhe dizer coisas que, em época mais tormentosa lhe escrevinhei as “cartas a José”, satisfazendo assim o ego, realizando dessa forma a minha vingança de lhe botar na cara as minhas preocupações. Lançando-lhe para cima a raiva e o sentimento do leão ferido que quase já não se levantava.

E o tempo mata a lembrança. O tempo mata, esquece, perdoa, vinga, contempla e até honra alguns aqueles que alguma vez atravessaram a ponte ao mesmo tempo que nós.

Foi assim com José. Com ele, juntos, atravessámos um longo período da minha e da sua vida. Da nossa vida colectiva também.

De tantas que à época lhe disse, escrevendo sem que, provavelmente me haja lido sequer uma vez, muitos milhares mais lhe haveria de ter dito.

Fica-me porém o reconhecimento dos muitos milhares de feitos, históricos, representação política elevada e decisões que em muito alteraram a nossa vida nacional para sempre. Ninguém é perfeito.

O seu legado não está porém isento das culpas que sempre carregam qualquer sujeito e a sua actuação política. 

José está para durar…

Não. Não é o populismo que sempre o caracterizou que, regressando agora aos écrans das televisões, me fazem mudar de opinião.

Ele é um personagem que quer queiramos quer não, marcou e continuará a marcar a imagem política do Portugal moderno. Em crise permanente sim, em crises sistémicas desde há mais de um século. Mas a sua notoriedade, capaz de catalizar, mobilizando toda a comunicação social em qualquer momento que queira, decida explicar, essa é inquestionávelmente indubitável.

Foi assim em 3 de Fevereiro de 2017, ontem exactamente na conferência de imprensa.

E se a notoriedade, é inquestionável, também o foi, qual Trump Lusitano, surpreendentemente alegórica a discriminação em directo de um “jornalista” de um certo canal que não teve direito a perguntar.


José não teve direito a “directo” nas perguntas e respostas dos jornalistas, na conferência de imprensa. Uma lástima. A intoxicação está em todo o ar que respiramos. 

Não merecemos mais nem melhor.

Talvez porque “há outros Trumps ocultos, maquiavélicos, e que só não são tão perigosos porque não são presidentes dos EUA”.