terça-feira, 20 de junho de 2017

A CONSTANÇA URBANO DE SOUSA  com muito carinho e agradecimento!!!

Alguém com bom senso poderá criticar, nesta hora triste que todo um país vive, o comportamento de uma mulher, assediada e atacada por todos os lados…
Atacada pelas circunstâncias, pela tragédia que parece, pretender-se culpá-la.
Pelo drama humano que tem de enfrentar e solucionar das mais diversas formas, atenuando o sofrimento dos concidadãos.
Pelo ataque sistemático de grupelhos de ética e decência duvidosa. Pela autoridade que tem de exercer e que, até naturalmente poderá não ter a experiência necessária, dada a enormidade do flagelo e as reais capacidades dos seres humanos de que também faz parte.
Que vergonha para um Povo que nem se une, nesta dor imensa que afinal nos separa. Que porca a política que tanto veneno e mentira espalha.
Que tristeza paira nos olhos dessa mulher, nas últimas 72 horas que, com denodo e sacrifício, “mais do que permite a força humana”, se vai movimentando nas mais que exigidas conferências de imprensa, nos breefings, com a comunicação social, rádio, jornais, TV´s nacionais e estrangeiras, respondendo como pode às mais tolas e imbecis perguntas, muitas vezes exigindo-lhe resposta a situações que acabaram de surgir no minuto antes de começar a responder.
Que mais se poderá exigir a uma grande mulher, política é verdade, mas um sério membro do Governo do País que tudo dá, tudo e muito mais do será humanamente possível pedir-lhe.
Que forças do mal, que Diabo lhes terá entrado nas entranhas, para não terem sequer a humanidade, a ética, a seriedade  e o bom senso para compreenderem a tristeza que vai na alma desta mulher, serena, aplicada, voluntariosa e éticamente valorosa…
Se fosse católico, dir-lhes-ia – PERDOAI-LHES SENHOR QUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.
Porém, não é tanto o que fazem, pois nada fazem, nada fizeram e nada pretendem fazer.
O que me preocupa e me enoja verdadeiramente, é a vilania com que gente, parecendo séria, se permite desancar quem não se pode defender – A Senhora Ministra da Administração Interna, e demais membros da sua equipa, estão a trabalhar!!!
Estão a trabalhar há várias horas. Sem descanso, conforto e muito débil estado psíquico e físico, dado o esforço que vêm empreendendo.
Lamentàvelmente  a mentira de tanta vez repetida parecerá verdade.
Sejamos então sérios! Éticos… honestos nas atitudes e no pensamento.
A MINHA HOMENAGEM E AGRADECIMENTO À MINHA MINISTRA DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA CONSTANÇA URBANO DE SOUSA – Obrigado!!!

“Uma Nação Sem Ideal Desaparece Rapidamente da História”*
“Quero que saiba, Santidade, que nos quase 50 anos de serviço público, dei o meu melhor para embandeirar os direitos dos pobres e abrir portas de oportunidades económicas.”**

*Gustave Le Bon, in "As Opiniões e as Crenças"

**Carta que o senador Edward Kennedy enviou ao Papa, pouco tempo antes de morrer






ANTÓNIO VENTURA 20-06-2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O REI, L´ HACIENDA e o direito a fugir ao fisco...

É bem verdade que o Sol não brilha para todos com o mesmo esplendor. 
E não é menos verdade que ninguém está acima da Lei, assim como nenhum poderá argumentar defesa quanto à sua própria prevaricação, invocando que os outros também prevaricaram.
No caso presente, terá a Hacienda do Reino, um basto trabalho para recolher tudo o que lhe é devido e, quanto a isso estará tudo muito bem.
Quando por aqui, nos deparamos com as diárias notícias de mais uns quantos milhões, escapulidos para um ou outro qualquer paraíso da Terra, seria bom não embandeirarmos em arco, pois há muitos mais do que nós que nem às notícias têm direito.
Quando me lembro que os súbditos nossos vizinhos há décadas que se vêm cotizando para alimentar os génios da corrupção e dos dribles à Hacienda de Sua Majestade, fico espantado com as notícias com que somos bombardeados (em todo o planeta, aliás) de meia em meia hora, de uma hipotética fuga ao fisco por parte do nosso Rei Plebeu, mas que amamos, pelo que é enquanto ser humano, desportista de enormíssimo valor, fidelíssimo cidadão luso, qual porta-bandeira (que aliás faz questão de frequentemente abraçar), simples mas eficaz no que faz e mostra e para isso trabalha.
A questão é simples. A notícia, por insistente e por nos entrar pelos olhos e ouvidos com tamanha força, é fake, ou tendenciosa.
Mas, quem me ler aqui dirá que, estou inocentando ab initio, o fujão do Cristiano dos Santos Aveiro que, depois de tantos milhões ganhos em contratos, salários, imagem, prémios e botas de ouro, não se digna cumprir em tempo devido as suas obrigações fiscais. Mas não!!!
O que me incomoda é apenas o facto de se pretender "crucificar" quem não é crucificável. O Rei não se crucifica.
Cristiano Ronaldo jamais será condenado pela justiça fiscal de Espanha, a qualquer pena de privação da sua liberdade. Mas a notícia dos sete ou dez anos de prisão que é susceptível de vir a ser condenado, diz-se, serve apenas para vender jornais, chamar a atenção para o conjunto da bosta das programações televisivas, com jornalistas tolos, petulantes e opinativos ou, outros mais que se vendem por outros quinhentos.
E quando afirmo que a pena de prisão jamais será sentença, fundo-me na convicção de que, mesmo se houvesse caixas de robalos à mistura em tão intrincado processo fiscal, Cristiano como outros, jamais cairia na prisão. 
Na Ibéria é assim !!! 
E para garantir, o seu Mandatário sabe da poda.
Cristiano anuncia hoje a sua intenção, irrevogável vejam bem, de deixar Espanha. Provàvelmente no fim do contrato que o liga ao Real Madrid.
Que dor de cabeça para Florentino Peres... que terá dificuldade, a ser verdade, em recuperar mais duzentos ou trezentos milhões da transferência.
Mas, nada disso !!!
Agora que passei a Colega do bando de comentadeiros desportivos, que diáriamente nos infectam os écrans de TV com prosápias tolas, asneiradas e petulâncias engravatadas, também eu me permito agora ser futurólogo. 
Acho que Ronaldo não vai preso!!! 
Acho que, ao haver alguma falha no cumprimento fiscal... já prescreveu!!! 
Acho que sair de Madrid é bem possível... um dia!!!
E só mais um pouquinho de futurologia...
Não é por uma qualquer caixita de robalos que alguém irá bater com os costados à Carregueira.
Rajoy não tem culpa nenhuma. O PP, ou "el PP" só tem gente séria e, por isso há quem diga - Donde hay gobierno estoy contra !!!

VIVA EL REY !!!

(António Ventura 16.6.17)










quarta-feira, 29 de março de 2017

UExit - O que a nomenklatura não entendeu é que estamos fartos.

Roma, 25 de Março de 1957 ou a Roma sitiada em 25 de Março de 2017

O que a nomenklatura não entendeu é que estamos fartos. E isso é mau (?) perguntar-se-á... talvez sim, talvez não.

Verdadeiramente, estes quinhentos milhões que um dia decidiram seguir juntos no seu futuro económico, social, fraterno e próspero, mal sabiam que, todos estes simples e humanos interesses comuns poderiam ficar, em sessenta anos, à mercê de uma secta que, inábilmente se apoderou das suas vontades, desígnio e futuro.

Não será difícil entender que os europeus, todos nós que nos juntámos, confiadamente ao longo de seis décadas, ambicionámos olvidar os conflitos e as diferenças, preparando e projectando o futuro de paz e progresso, conjuntamente. Enfrentando os riscos e as vantagens da globalização, estes quinhentos milhões de seres, optaram como indispensável a União, como elemento fundamental, aglutinador, para fazer frente aos desafios, aos perigos e ameaças de um mundo novo, cada vez mais desigual, egoísta e perigoso, com afrontamentos diversos ao longo dos mais dos treze mil quilómetros das fronteiras externas.

Mas a UE da solidariedade, implicou também a ajuda a povos, outros, que infelizmente não foram poupados à ambição, à violência apenas motivada pela sôfrega ganância das suas matérias primas, ou do interesse geo-estratégico de alguns poderes.

Dir-se-á que se repete, que se repetiu a história, particularmente ao longo das duas últimas décadas, o assalto a territórios cujo subsolo ou interesses políticos e económicos motivaram a intromissão externa. 

Finda a guerra fria, rápidamente os habituais guerreiros da democracia se levantaram em armas para acudir aos infelizes povos que, estando em paz, viviam sob regimes mais ou menos autoritários e sobretudo ditatoriais.

Mas a democracia impunha-se.

E, à pala, de umas quantas mentiras, que por insistentes, passaram a verdades, pelo menos temporáriamente, impôs-se a democracia pelo cano dos obuses, pelo julgamento kafkiano e sequente enforcamento de uns, e de outros, pelo bárbaro assassinato em plena rua, em fuga, pelas hordas revolucionárias de uma qualquer Primavera.

Aqueles que meses antes eram recebidos em diversos Estados desta nossa UE, com pompa e circunstância, com tendas montadas junto ao mar, com recepções elegantes, até carregadas de servilismo por parte dos anfitriões, servindo chá e salamaleques, ou melhor dizendo "salam'alaik", foram rápidamente esquecidos porque, se já não serviam, deitavam-se fora.

E foi assim.

E, foi também assim vista a bela Roma eterna e mãe que, em 25 de Março de 2017, se encontrava fechada, sitiada, desconfiada que algo estranho ou perigoso pudesse ocorrer e estragar a premonitória "festa" dos convivas cujos rostos sérios, de apreensão e tristeza, apenas auguravam o fim triste que se avizinha.

Mas não obstante, firmaram, selaram com as suas decisivas canetas, mais um contrato de boa continuidade e esperança, logo após os fastidiosos discursos de Tusk e Juncker, ambos insistindo na boa unidade, na manutenção e salvaguarda das elites a que pertencem e não pretendem deixar de pertencer. Nem permitir qualquer intromissão desses quantos milhões, de quem se servem mas cujas reprovações não consentem. 

E Roma continuou o seu dia.

Para trás, deixou a nomenklatura a franqueza das suas próprias declarações de 5 de Março...

"Nós agiremos concertadamente, se necessário com ritmos diferentes e com uma intensidade diferente, mas avançando na mesma direcção, como temos feito no passado, conforme os Tratados, mas sempre deixando a porta aberta a todos aqueles que desejem juntar-se a nós mais tarde. A nossa união é una e indivisível."

Indivisível ?!... sim. A nomenklatura NÃO SE DIVIDE.

Não se divide nem entende, jamais entenderá porque estamos fartos.

Estamos fartos, enjoados, we are all fed up... we had enough. Nous en avons assez...On en a marre...

Vamos então ser sérios. 

Não entende que, quinhentos milhões de seres, quase todo um continente, berço de todo o engenho humano ou quase todo, não quer mais ficar à mercê de um bando, tantas vezes ridículo de autocratas, funcionáriozecos presunçosos e convencidos de possuir a ciência e a verdade das coisas, que se abastecem de riqueza e serviços. 

Ignorando as gentes, mentindo, ofendendo, prometendo, falseando, ameaçando e destruindo tudo o que é, foi o grande desígnio de um raro e histórico conjunto de povos e nacões, que se quiseram diferentes, porém determinados a ficar unidos em progresso e em paz.

Não entendem. Jamais entenderão o artº 50º do Tratado de Roma. Temos pena... muita pena.

António Ventura
Roma, 29 de Março de 2017













sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Conferência de Imprensa e os Direitos, Liberdades e Garantias

Ninguém que me conheça ou me haja lido, nas prosas modestas que alguma vez vim debitando, ignora as minhas convicções políticas. Talvez mesmo, auto-caracterizando-me muitas vezes como um perigosíssimo radical de esquerda. É assim. Fruto de muita vida vivida, de um olhar que procuro atento, isento, descomprometido e sempre tentando o uso da mais clara honestidade moral e intelectual, sem origens nessas ondas é bem certo, a não ser a adolescência passada na “sinistra rive gauche” de que me orgulho.

Ninguém que me haja lido, por aqui ou em http://desventuralusitana.blogspot.pt/ lá pelos idos de 2011, poderá ignorar quanto crítico fui, quanta crítica me mereceu “José”.

Era tanta a vontade de lhe dizer coisas que, em época mais tormentosa lhe escrevinhei as “cartas a José”, satisfazendo assim o ego, realizando dessa forma a minha vingança de lhe botar na cara as minhas preocupações. Lançando-lhe para cima a raiva e o sentimento do leão ferido que quase já não se levantava.

E o tempo mata a lembrança. O tempo mata, esquece, perdoa, vinga, contempla e até honra alguns aqueles que alguma vez atravessaram a ponte ao mesmo tempo que nós.

Foi assim com José. Com ele, juntos, atravessámos um longo período da minha e da sua vida. Da nossa vida colectiva também.

De tantas que à época lhe disse, escrevendo sem que, provavelmente me haja lido sequer uma vez, muitos milhares mais lhe haveria de ter dito.

Fica-me porém o reconhecimento dos muitos milhares de feitos, históricos, representação política elevada e decisões que em muito alteraram a nossa vida nacional para sempre. Ninguém é perfeito.

O seu legado não está porém isento das culpas que sempre carregam qualquer sujeito e a sua actuação política. 

José está para durar…

Não. Não é o populismo que sempre o caracterizou que, regressando agora aos écrans das televisões, me fazem mudar de opinião.

Ele é um personagem que quer queiramos quer não, marcou e continuará a marcar a imagem política do Portugal moderno. Em crise permanente sim, em crises sistémicas desde há mais de um século. Mas a sua notoriedade, capaz de catalizar, mobilizando toda a comunicação social em qualquer momento que queira, decida explicar, essa é inquestionávelmente indubitável.

Foi assim em 3 de Fevereiro de 2017, ontem exactamente na conferência de imprensa.

E se a notoriedade, é inquestionável, também o foi, qual Trump Lusitano, surpreendentemente alegórica a discriminação em directo de um “jornalista” de um certo canal que não teve direito a perguntar.


José não teve direito a “directo” nas perguntas e respostas dos jornalistas, na conferência de imprensa. Uma lástima. A intoxicação está em todo o ar que respiramos. 

Não merecemos mais nem melhor.

Talvez porque “há outros Trumps ocultos, maquiavélicos, e que só não são tão perigosos porque não são presidentes dos EUA”.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Muito obrigado por não nos aplicarem os merecidos castigos, leia-se, SANÇÕES !!!!



Tivémos hoje a sorte de não recebermos o devido castigo. 
Obrigado aos nossos professores, tutores, orientadores, donos, curadores, patronos, protectores, conselheiros, defensores...
Não fora a vossa cuidada e sempre atenta compreensão, o vosso permanente esforço de nos ajudar, a vossa insistência em nos levar pelo "bom caminho"... 
Não fora a vossa benevolência, tão largamente manifestada, nas mais elementares atitudes em defesa da Europa e dos Europeus, 
Não fora a vossa permanente e douta atenção aos nossos desvios materiais, morais, direccionais (mais à esquerda, mais à direita) e laborais, insistindo constantemente em nos fazer compreender que somos uns mandriões, uns gastadores, perdulários, "langões" (como se diz no nosso Alentejo) e por isso, terão de estar atentos.
Não fora sabermos, toda a gente sabe que, só e apenas pugnam pela estabilidade, solidariedade, dignidade, déficits equilibrados aqui para o Sul, bem estar e felicidade de todos os Europeus, sendo uns mais iguais que outros...
E estaríamos irremediàvelmente perdidos.
A todos os engenhosos supra inteligentes membros dessa organização que insistem em denominar "União" Europeia, a todos os Senhores Comissários, devidamente eleitos democráticamente, a todos os Presidentes de tudo e mais alguma coisa, a todos os Técnicos reputadíssimamente qualificados (quem duvida??), que nos permitem estes tão gravosos desvios deficitários. A todos os que nos vêm insultando constantemente, (para nosso bem, está claro) menorizando-nos enquanto Povo digno e com história comprovada, provocando instabilidade e as notícias na mídia mais "interessada" ... a todos o NOSSO OBRIGADO.
Mais uma vez escapámos ao castigo. Mas as "orelhas de burro" tão bem recortadas, em papel de brilho ou cartolina rija, essas... ninguém no-las tira. Porque merecemos.
Somos uma espécie de jumento, qual azêmola presunçosa, muar teimoso ou mula pretensiosa.
Merecemos bem o castigo.
As orelhas de burro ou as admonendas, os frequentes reproches, os fartos raspanços ou responços não os podemos evitar. É que nós não entendemos o que tão pedagógicamente nos ensinam... Chiça que é demais !!!
Ninguém honesto, sério, inteligente, responsável, atinado e bom, poderá perdoar constantemente esta malta que só quer é "festa". O Benfas e o Sportem, o Pinto e o Costa, o Rock no rio e o da Zambujeira em Agosto, basta, basta... Os Senhores Comissários com nomes tão simples mas de tão boa origem, Timmermans, Ansip, Mogherini, Sêfcovic, Dombrovskis, Katainen, Oettinger, Malmstron, Andriukaitis, Moedas ou Bienkowska, competentemente não podem aguentar esta rambóia. E muito bem!
Porque se eles próprios, sendo como são, (mas não parecem ser) económicos, metódicos, cuidadosos e zelosos da boa economia, das finanças e do bem estar, não podem nem devem suportar estes desmandos cá da malta.
Nem Kostas, perdão ... Costas (Kostas é o Mitroglou), nem Pedros, são herdeiros merecedores da herança de um qualquer Durão. Nem pensar.
Portanto, haverá que ficar pobrezinho mas obediente, respeitar quem manda, porque manda bem, enfim, um bom comportamento requere-se e todos iremos ver a Grande Europa forte, unida, crescida, solidária, humana... "e pluribus unum"...
Assim, seremos sempre perdoados e não sancionados, com as orelhas de burro, em papel de brilho ou cartolina rija. Continuaremos porém, a ser burros.
Mas pensando melhor... VÃO-SE FODER !!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Meu caro Pedro
Certamente estranhaste, a minha ausência... as minhas cartinhas.
Nada de especial. Apenas uma preguiça enorme, de mais um que cansaste e não páras de querer derrotar.
Mas olha que ainda cá ando e preparado para te dar a luta que tanto mereces e parece tanto desejares.
Tu, continuas na tua lenga lenga, como se nada de grave se esteja a passar. És valente, tenho de reconhecer. Lutas contra tudo e contra todos. Pões o "pessoal" todo em polvoró, uns contra os outros, os privados contra os públicos, os velhos contra os novos, os ausentes contra os presentes, os professores contra os alunos e os alunos, tão jovenzinhos, parecem começar agora a ficar contra ti. É que a tua voz, que treinavas ao espelho quando tinhas a idade deles, augurando já à época o alto caro que irias conseguir, já não os convence.
Noto, quando te vejo que estás a demonstrar cansaço. Cansas-te e cansas-nos!!!
Não evitas um só momento em lutar contra os "moinhos de vento" qual Quixote de Cervantes. Vês inimigos em toda a parte e nem por um momento, sossegas, olhas para nós, porque só nós te poderemos ajudar.
Mas não, cansaste-nos e estamos fartos. Queremos ver-te pelas costas depressa. Nem nos importamos que recebas também um Grande Colar de uma qualquer Ordem. Afinal, se o decisor dessa entrega pensar bem (como não é costume), não hesitará em te condecorar. Tu és apenas o seguidor, o finalizador da sua (dele) obra política de desbaratar tudo o que nos restava. Onde vês oiro... perdes-te. Tudo vendes, tudo ofereces numa sôfrega ânsia, parece, de teres tempo para tudo derreteres, deixando-nos à míngua.
Depois de ti, nada de pé restará, ou melhor dizendo, depois de ti, nada nos restará que valha uns cobres. Ficaremos então, como desejas - pobres, indigentes, maltrapilhos e à mercê da chacota de todos e de tudo.
Hoje, preocupas-me mais do que ontem e, quiçá, amanhã preocupar-me-ás mais do que hoje.
Vêm aí os russos, e o Xanana por quem tanto nos apoquentámos, parece hoje, rir-se na tua cara, por te achar um imbecil, sem "cheta". Os russos, não te apoquentes, porque apenas te ignoram e te consideram uma "coisinha" sem qualquer interesse ou valia. Para os enfrentares, como devias, deixa os teus funcionários ministeriados, que são ainda piores que tu. Deixa-os governar essa "crise", deixa-os vomitarem as bacoradas do costume e pedirem desculpas públicamente a seguir. Entrega-lhes também a crise dos "Magistrados de Lorosae" e eles se ocuparão de nos deixar mais pobres ainda, de espírito e vergonha que não têm competência para evitar.
Pedro, continuar a escrever-te hoje, aqui, levar-me-ia a extravasar a linguagem e acho que não devo.
Vou sim, vou descansar. Mas antes, passo pelo espelho e treino umas "prosápias", leio uns textos e olho-me nele, para ver se fico bem, se devo apostar em mudar esta má língua e esta prosa que cada vez que penso em ti, mais me dá vontade de exacerbar...
Até breve Pedro.



terça-feira, 20 de maio de 2014



Resgate de Portugal foi para salvar banca alemã

O economista britânico Philippe Legrain diz, numa entrevista ao Público, que o sector bancário dominou os governos dos países e as instituições da zona euro e, por isso, quando eclodiu a crise, só se preocuparam em salvar os bancos. O ex-conselheiro económico de Durão Barroso entre 2011 e fevereiro deste ano defende a reestruturação dos bancos e o perdão da dívida portuguesa.

E considera “uma anedota” a actuação dos representantes da Comissão Europeia na crise. A Comissão Europeia está desligada da realidade.

Philippe Legrain acaba de publicar o livro “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess” (Primavera europeia: Por que as nossas economias e políticas estão um caos). Na entrevista, afirma que os governos europeus “puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos”, e que “há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos”.

O principal problema era a dívida privada
No caso de Portugal, afirma, “o principal problema era a dívida privada. Antes da crise, a dívida pública era sensivelmente a mesma que na Alemanha – 67/68% do PIB – mas o grande problema que não foi de todo resolvido era a dívida privada que estava acima de 200% do PIB”.
Para o economista, este é que era o problema real, “mas que os portugueses não enfrentaram, a UE e o FMI não ligaram, só se concentraram na redução da dívida pública. Por isso, como não resolveram os problemas reais do sector bancário, não resolveram o problema da dívida privada, só se concentraram na consequência, que foi o aumento da dívida pública”.
Há quem pense que o que eu digo é uma loucura, alegando que os mercados estão a emprestar a Portugal a taxas muito baixas e que por isso a crise acabou, blá blá, blá, mas isso simplesmente não é verdade
O resultado desta decisão, na sua opinião, foi uma “profunda, longa e desnecessária recessão económica”. E a crise está longe de estar resolvida.
“Há quem pense que o que eu digo é uma loucura, alegando que os mercados estão a emprestar a Portugal a taxas muito baixas e que por isso a crise acabou, blá blá, blá, mas isso simplesmente não é verdade. Isso também aconteceu nos anos da bolha [financeira], antes de 2007, em que os mercados também emprestavam de forma incrivelmente fácil, o que não significava que não havia problemas. Neste momento tem havido entrada de liquidez, que está a tapar os problemas subjacentes, mas essa liquidez pode inverter-se se o BCE, como penso que vai acontecer, nos desiludir da ideia de que poderá haver um Quantitative Easing (injecção de liquidez)”.

Troika desempenhou um papel colonial em Portugal
Para Philippe Legrain, “o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores”. Nessa crise, aponta, as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores.
“Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas”.
Esta instituição (a Comissão Europeia) é uma redoma completamente desligada da realidade.
O economista considera que o essencial da responsabilidade da parte orçamental dos programas foi da Comissão Europeia, que fez projeções completamente falsas. “Dá vontade de rir quando se comparam as projeções de 2011 com os resultados de 2013, é uma anedota. Isto resultou em parte da incompetência das pessoas responsáveis, mas há outro problema que é o da responsabilidade democrática. Olli Rehn e os seus altos funcionários decretam que o desemprego vai ser 12% mas se afinal é 20%, dizem 'ah, ok, temos de mudar aqui este número na folha de cálculo'. Ou seja, não estão a lidar com a realidade. Esta instituição é uma redoma completamente desligada da realidade”.

Portugal está em pior estado do que estava no início do programa
O ex-conselheiro de Durão Barroso é particularmente crítico dos resultados do programa português: “Basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa”.
O economista defende para Portugal “uma reestruturação dos bancos, um perdão de dívida tanto pública como privada, é preciso investimento do Banco Europeu de Investimentos"

É destrutivo uma Alemanha quase-hegemónica
A orientação política seguida, afirma, veio da Alemanha. “E a Alemanha aconselhou mal, em parte por causa da forma particular como os alemães olham para a economia, por causa da ideologia conservadora, e porque agiu no seu próprio interesse egoísta de credor em vez de no interesse europeu alargado. A UE sempre funcionou com a Alemanha integrada nas instituições europeias, mas aqui, a Alemanha tentou redesenhar a Europa no seu próprio interesse. É por isso que temos uma Alemanha quase-hegemónica, o que é muito destrutivo”.
O economista defende para Portugal “uma reestruturação dos bancos, um perdão de dívida tanto pública como privada, é preciso investimento do Banco Europeu de Investimentos (BEI), dos fundos estruturais da UE e através dos ganhos de um perdão de dívida que reduza os pagamentos dos juros”.

Não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos

Para Philippe Legrain, “não é verdade que os aumentos salariais no sul da Europa foram excessivos nos anos pré-crise. Em termos de peso no PIB, os salários até caíram. Por isso não é verdade que esta foi a causa da crise, não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos. Só que esmagar salários provoca o colapso do consumo, agrava a recessão e agrava o peso da dívida, porque se os salários baixam, é mais difícil pagá-la. Tudo isto é baseado no erro de conceção alemão de que os custos salariais são uma coisa má e têm de ser reduzidos, quando, de facto, deveriam ser tão altos quanto possível, desde que justificados pela produtividade”.