quinta-feira, 29 de março de 2018

O ELOGIO FORÇADO... ou o Jornalixo da vilã !!!

https://observador.pt/opiniao/um-elogio-a-antonio-costa-e-mario-centeno/

Um elogio a António Costa e Mário Centeno

Muitos ministros das Finanças tentaram dominar o “monstro”, apenas um parece estar a conseguir. Centeno está de parabéns. E Costa também. Esperemos que as tentações eleitoralistas não estraguem tudo.



Esta senhora, a quem não reconheço qualquer qualidade de isenção jornalística. 
Esta senhora em quem não vejo qualquer capacidade de apreciação séria de contas públicas, ou questões económicas, sociais ou de política honesta. Esta senhora que, por ser ouvinte diário da Antena Um, me injecta semana sim, semana não, com os seus tolos conceitos e aberrantes comentários sobre a actualidade, as baboseiras pretensiosas e - nas semanas "não" tenho a felicidade de escutar o jornalista Nicolau Santos, isento, claro, informativo, sério... Vem agora, após largos anos a benzer e conclamar todas as diatribes das "direitas unidas", dos "arcos da desgovernação", dos beneméritos banqueiros e do seu protector geral, enfatizando todas as iniciativas daqueles em "vender" Portugal, polindo reluzentemente os artistas da nossa desgraça de eternos pagadores (também salvadores de Bancos, patrocinadores de Empresas privatizadas, fundamentais),..., vem agora, pois então PARABENIZAR  O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO E O MINISTRO DAS FINANÇAS.
O despudor, falta de ética, carácter e seriedade é tal que, vem mesmo justificar (para nós não seria necessário) que o suporte ao Banco Público - CGD (para pagar as "imparidades", nome tão técnico que só serve para enganar o povão, mas que, de facto quer dizer vigarices, crédito já incobrável na data em que foi concedido aos amigos e trapaceiros que se pavoneiam diáriamente na nossa frente, como se o "Zè" fosse parvo mesmo todo parvo...
Esta senhora, Helena Garrido, terá mudado? Se mudou, deverá rezar 20 avé-marias e penitenciar-se. Se não mudou, pois...
Continuará a merecer de mim, o desprezo que me merecem os "jornalixeiros" que por aí proliferam...
No entanto, acho que, por educação apenas, o Senhor PM e o Senhor Ministro das Finanças agradecem o piropo!!!

António Ventura/29.3.18

domingo, 14 de janeiro de 2018

REQUIEM PARA PEDRO... Bom dia RIO !!!

Caro Pedro, ou PPC como o pessoal se habituou a chamar-te, talvez pela poupança exagerada a que o submeteste durante aquele longo período, annus horribilis de triste memória.

Estou certo que nunca leste as minhas muitas cartinhas, por insignificantes e humildade do seu remetente. Não faz mal.

Hoje, na hora da tua despedida definitiva, ad immortalitatem, não obstante a habitual e enorme preguiça, cá estou de novo para a minha solene despedida em jeito de réquiem. Dirás que é cinismo meu, que não seria necessária a presente prosa, sacana, inusitada e embusteira. Mas olha que não, olha que não…

Tanto tempo de convívio, contigo e com os teus – Gaspar, Albuquerque, José Pedro, Paula, Relvas, Maduro, Álvaro e Nuno – como seria possível esquecer. Ainda temos memória Pedro. Essa não nos conseguiste tirar.

E é por isso que esta nossa despedida de hoje, se justifica, se exige, imprescindível. Não triste e amargurada, mas sabiamente contida nas emoções, porque a pessoas de bem que já tanto sofreram, poucas lágrimas lhes restarão. As poucas, porém, seriam por ti um desperdício.

Ora bem, agora já sabemos que já vais ser rendido nessa tua tão heroica função. E digo heroica porque, até há por aí um grupo nessas nefastas redes (às vezes muito pouco sociais), que te chamam de “grande estadista”, não vejo porque não merecerás então, um “Grande Colar” de uma qualquer Ordem.

Afinal, se o decisor anterior dessa entrega, o Tio Aníbal, tivesse pensado bem (como não é costume), não teria hesitado em te condecorar. Tu foste apenas o seguidor, o finalizador da sua (dele) obra política de desbaratar tudo o que nos restava.
O actual Grão-Mestre de todas as Ordens Honoríficas Portuguesas, penso que não se esquecerá dos imensos feitos à Nação pela tua pessoa.

Mas não quero ser injusto em absoluto. Somos, tu e eu, gente séria e correcta.

Reconheçamos portanto, em teu benefício, que longa e dura foi a tua jornada que ora termina, Graças a Deus. Só levianamente se poderá olvidar que, a dificuldade com que enfrentaste o exercício da tua “maioria absoluta” era tarefa hercúlea, de gente com força, determinação. Por toda essa tua tenacidade, denodo e dedicação, terás um lugarzinho na minha memória.

Mas Pedro, com um raio, que mal acompanhado que estiveste… Não acertaste em quase nenhuma ou nenhum. Que diabo, era raiva? Estavas zangado com a malta?

Por volta de 5 de Novembro de 2014, escrevi-te mais ou menos o seguinte.

Continuas na tua lenga lenga, como se nada de grave se esteja a passar. És valente, tenho de reconhecer. Lutas contra tudo e contra todos. Pões o "pessoal" todo em polvoró, uns contra os outros, os privados contra os públicos, os velhos contra os novos, os ausentes contra os presentes, os professores contra os alunos e os alunos, tão jovenzinhos, parecem começar agora a ficar contra ti. É que a tua voz, que treinavas ao espelho quando tinhas a idade deles, augurando já à época o alto cargo que irias conseguir, já não os convence.
Noto, quando te vejo que estás a demonstrar cansaço. Cansas-te e cansas-nos!!!

Não evitas um só momento em lutar contra os "moinhos de vento" qual Quixote de Cervantes. Vês inimigos em toda a parte e nem por um momento, sossegas, olhas para nós, porque só nós te poderemos ajudar.
Mas não, cansaste-nos e estamos fartos. Queremos ver-te pelas costas depressa.
Onde viste oiro... perdeste-te. Tudo vendeste, tudo ofereceste numa sôfrega ânsia, parece, de teres tempo para tudo derreteres, deixando-nos à míngua.
Depois de ti, nada de pé restaria, ou melhor dizendo, depois de ti, nada nos restaria que valesse uns cobres. Ficaríamos então, como desejaste - pobres, indigentes, maltrapilhos e à mercê da chacota de todos e de tudo.

Felizmente, inverteu-se o rumo. Com o Diabo sempre anunciado, mas nunca chegado, tudo ardendo, a fogueira das vaidades perdendo o lume intenso que tanto animaste…

Chegou sim, o défice mais baixo da democracia. O desemprego em taxas desconhecidas nos últimos vinte anos, o crescimento  e o PIB em subida nunca vista, atestado e parabenizado pelo Sr. Alemão, pela Dama de Berlim, e por todos sem excepção, penitenciando-me por omitir os nomes, por incapacidade de os escrever e pronunciar. O índice de felicidade nos níveis de Norte de Europa, a alegria com a subida dos números do turismo, os prémios internacionais recebidos.

E para júbilo maior, as nomeações para a Sec.Geral da ONU, para o Eurogrupo, para a participação no Mundial da Rússia, enfim… tanta felicidade para gente tão triste.

Como escreveu o Nicolau Santos por essas datas, “Vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação. Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
    E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espetáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Muito há, que aos poucos nos vai arruinando e flagelando. Felizmente, que o Povo se vai apercebendo da má “roleta” governativa que diariamente vamos enfrentando.
Felizmente, que este sente a degradante situação em que vive e unido, manifestou o seu descontentamento, ao aderir em força às manifestações hoje realizadas.
Felizmente, que conscienciosamente nos vamos apercebendo, da má política, que diariamente os governantes nos vão impondo.”
"As dificuldades incentivam a luta do homem e orientam os seus caminhos."

E escreveu Concha Caballero, jornalista andaluza em Janeiro de 2014 – “Um dia, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.”

Pedro, tudo fizeste como vinha nos “manuais”. Os “teus” prometeram-te o paraíso se seguisses à risca as baboseiras, económicas, sociais, políticas, orientadoras do “sucesso esmagado”. Acreditaste, foi o teu mal.

Poderá parecer cinismo, mas não. Sou um justo, sou. Sem nenhum rancor, desejo-te felicidades e sucesso.

Perdoar enobrece-nos, não é (?!)

Um abraço do teu
António Ventura/ Jan18



domingo, 15 de outubro de 2017

A OPINIÃO QUE NÃO CONTA... MESMO !

Seja em que época for, um elemento tem sido comum na ética comunicacional, o "não dirás falso testemunho contra o teu próximo". O princípio da veracidade é algo que sempre se tentou assegurar em qualquer comunicação, como garante do princípio da informação e maneira de assegurar a confiança entre o comunicador e o seu público. 

Escreveu assim, Rui Assis Ferreira na sua "Comunicação e Sociedade, 2007 ". 

E adiante ainda acrescentou - Este princípio de verdade, também presente - e com a intensidade que os testemunhos de Platão e Aristóteles nos legaram - na civilização grega clássica, sofreu, todavia, aí, os limites impostos pelo despotismo dos soberanos, legitimador da mentira enquanto estratégia socialmente benéfica.

Falamos então da ética, da ética profissional cometida aos agentes de informação, para solidificar o crédito dos cidadãos na sua actividade de informar com isenção, sem respeito pelos "soberanos" ( leia-se patronato e os seus interesses obscuros), sempre pugnando pela verdade. Assentando a informação em dados e elementos credíveis, em investigações jornalísticas imparciais, confirmadas, seguras, sérias, pois que, da relação entre o político - seja ele poder ou não -  e o cidadão, individualista, é este o principal elemento capaz de debater tudo o que se relaciona com a "coisa comum", porque só a si interessa. Sobrepondo-se então o direito dos governados à verdade da informação, contrariando o direito dos governantes à produção sistémica da intoxicação pela mentira.

É hoje comum, escutarmos vozes desagradadas com a comunicação social na sua generalidade. 

Garantem alguns que, estando fartos, este ou aquele programa, este ou aquele comentadeiro os obriga de imediato a desligar a TV e, na comunicação escrita há-os que recusam qualquer leitura.

Perguntaremos se há razão para tal e, não será que são as vozes "do contra" na contestação ao que vemos, ouvimos e lemos, estará radicalizada. Mas, afinal radicalizados seremos todos, cada vez que nos confrontamos com a mentira deliberada, a falsa notícia de má-fé encomendada, o comentário regular ou insólito que nos entra dentro.

Há tempo que vimos suportando os devaneios intencionais, insidiosos, da quase generalidade do que pomposamente chamamos de media. São os media que escreveram, são os media que mostraram, foram os media que descobriram, serão os media a descobrir, os media a comentar, a relatar, exibir... seguramente tudo, tudo mesmo com a verdade que a deontologia lhes impõe. Mas não...

O que assegurámos durante mais de um século, como o Quarto Poder, que como disse I. Ramonet , seria " a voz, dos sem-voz", não perdurou nem uma década sequer, tendo sido ràpidamente conquistada e controlada pelos grupos económicos, pelas organizações políticas, pasme-se, das democracias consolidadas do pós revolução francesa. 

Mas se enquanto nestas, como  espaços do individualismo kantiano e das liberdades, foram capturadas, noutros espaços houve, por ausência das liberdades de acção, pensamento e manifestação, que o controle dos "soberanos" se eterniza na mentira, mentalização e envenenamento dos cidadãos através dos media.

Comunicação social de Estados, informação controlada, manipulada... censura.

Na actual conjuntura política Portuguesa, de cuja estabilidade e duração "os do Restelo ", teimosamente insistem em duvidar, não houve e ainda bem, qualquer tentativa de controle dos media, por parte dos decisores da presente solução governativa. Ninguém, com seriedade poderá duvidar disso.

Nem seria credível que, podendo controlar - maléficamente é verdade - não o fariam, consentindo todas as bestialidades que diàriamente nos debitam, afastando o que deve ser o projecto e objectivo comum. O bem-estar, a felicidade, o progresso.

No comentário semanal da SIC, que dá pelo nome de "A opinião que conta", não está sózinho Marques Mendes. Na mesma estação (televisão independente) poderemos acrescentar um número infindável de outros tantos, serviçais da oposição política - a direita mais reaccionária da Europa, mais desorganizada, pretensiosa também, mas sobretudo raivosa e incompetente... para mal da saudável democracia representativa e que indicutívelmente necessitamos. Sim, queremos uma oposição séria, construtiva, controladora e fiscalizadora, denunciadora até de um qualquer ou todos os malefícios da governação vigente. 

Mas séria, dialogante, com propósitos firmes, idéias construtivas - afastando-se de uma vez por todas do neo-liberalismo reaccionário, da estupidez Schaubleana, do servilismo ao Norte europeu, das kafkianas e permanentes intenções de punir, os mais pobres e os mais médios... querendo no fim de contas que, um qualquer síndroma de Estocolmo nos atinja e passemos a adorar quem nos faz mal. Ou, caso não o façamos nas urnas (como se viu o contrário), possamos pelo menos, ir acreditando nas patranhices teledifundidas. 

Assim não vamos lá...


António Ventura /15Out17





domingo, 24 de setembro de 2017

Longa vida aos Edis. Vamos lá então VOTAR !!!

Aqui para nós que ninguém nos ouve. Estou cansado!!!

E na semana, recta final da campanha, das arruadas, dos comícios, dos out-doors, das rádios, tv´s, pasquins. Das esferográficas, dos saquinhos com as caretas, dos isqueiros, dos chouriços embalados com a dita do candidato... Das promessas, das juras, das poucas prestações de contas, das ameaças, dos eriçados encontros, das promissões de que agora é que é... Estou farto.

E estou farto, das mentiras, do "fazer de nós parvos", dos perjuros, dos insultos, da má educação, da sobranceria, das audácias, atoardas sem recato ou qualquer decoro.

Sim, estou farto, empanturrado de "coisa nenhuma", que valha, que interesse ao nosso colectivo, regional ou nacional. E por isso, protesto contra as constantes tentativas de promoção da asnidade, num desapuro constante que abomino. 

E, quando embalados no remanso deste Outono mal chegado, buscando a paz, o sossego, eis que mais uma caravana passa, apregoando os melhores, exibindo as bandeiras, identificando os prometimentos, vãos é certo, mas que fica bem para se alcançar a vitória. 

Com as ridículas conversetas e sorrisos de oportunidade, com a peixeira D.Maria, alvoraçada, com o sapateiro com profissão em fim de vida, com o lojista de rua amargurado com as grandes superfícies, com o desalojado do bairro decrépito, com o cigano xenofóbicamente ostracizado, com o reformado já mais confiante porque lhe devolveram o quinhão roubado, com o desempregado, agora mais esperançoso de que ainda poderá ser útil, com os velhos sem lar, nem rei nem roque, entregues à sua sorte na casinha degradada do bairro da cidade. 


Com a gritaria dos jotas, (almejando um lugar em fim de curso), com os hinos (alguns bem melódicos e já bem conhecidos), com a invasão das praças, ruas, travessas, mercados, de cidades, vilas ou aldeias, onde não voltarão tão depressa, a não ser em tristes momentos de calamidades, incêndios, terramotos ou derrocadas... E aí, também e sempre aproveitando as câmaras de qualquer "man" ou alguns microfones de um qualquer directo radiofónico.

Estou farto!

Interiormente sinto coisa parecida com raiva... mas não posso garantir que seja isso. Só com diagnóstico clínico apurado, concluirei. Mas que estou, é mesmo verdade. Farto!

Em recato, reflicto muitas vezes e recordo os idos, já quarenta anos do poder autárquico.

Faço-o com satisfação, regozijo-me por esta bela conquista de Abril, de que sou fanático desde sempre, mesmo antes, anos antes dessa feliz madrugada. Louvo o propósito original,  desenvolvimento do país, para o bem-estar das populações, na implementação e melhoramento das redes públicas de abastecimento de água, electricidade, saneamento básico, tratamento de lixo, arruamentos, parques e jardins, estradas e caminhos, habitação social, pavilhões poli-desportivos e dinâmica cultural.

Hoje, Portugal é bem diferente. Às autarquias, ao poder local se deve muito do nosso desenvolvimento. É incontestável que às edilidades se deve, o denodado esforço de promoção, de desenvolvimento, de criação de riqueza, do comércio, de indústria, de turismo que outrora não tínhamos, pelas razões bem conhecidas.

São as autarquias e os seus dirigentes, credores do sucesso do fim do abandono de tantas regiões, pequenas vilas e aldeias. A eles devemos a maior parte da modernização das infraestruturas locais, da inclusão de todos (ou quase todos) no mapa da Nação lusa.

Mas perguntemo-nos...(?!) Poderia ter sido feito mais? Sim e não...  

Ou melhor dizendo - "Nim".

Há dias atrás, numa reflexão sobre a política e o Alentejo, comentei os "males" do que chamei "pulhítica" e no caso concreto, a regional, alentejana, do topo de além Tejo até às faldas Norte do Espinhaço de Cão e do Caldeirão.

Mas hoje o que importa, a escassos dias da escolha, interessa apenas qualificar os candidatos, o merecimento, capacidades e porque não, honradez.

E importa também que saibamos distinguir a logração, do falar sério. Conhecer os propósitos, o honrar as juras, o cumprir promessas.

Acredito na pouca originalidade dos nossos actos eleitorais. Sim, somos iguais a tantos outros de idêntica organização política. Por todo o lado, países, regiões, comunidades onde o acto democrático de eleger se coloque, conheceremos sempre a vã promessa, a tentativa de destruição do outro, a mentira, a falsidade, o engano premeditado que, parecendo inocente apenas é objectivo para alcançar a vitória, o poder que, mesmo efêmero pela limitação de mandatos, deve ser muito aliciante. Excluamos com a justiça devida, todos aqueles que fazem do exercício das funções de autarcas, o serviço aos outros, à comunidade, à democracia e  a Portugal. E há tantos pela nossa querida Pátria. Muitos, trabalhando em silêncio, sem opulências nem vaidades.

No dia dois, melhor seria que se esquecessem as diferenças. Juntos seremos melhores. Findem os recalcamentos, as queixas, as ofensas políticas, quiçá até pessoais. Trabalhai Edis, para o nosso bem comum, trabalhai juntos e seremos grandes. Todos !!! Todos com o mesmo propósito que, afinal tanto anunciastes. Juntai-vos nas diferenças, pois tereis muito mais que vos una do que vos separe. Cumpri e merecereis o nosso respeito.

Aos re-Candidatos caberá prestar contas, talvez novas, outras promessas. Aos caloiros, jurem... jurem muito, que 2021 é já amanhã.

Porém, e enquanto escrevo estas linhas, mais se aproxima o primeiro de Outubro. E nesse dia poderemos, a par do voto, recordar e comemorar a importante efeméride - O 1º Ministro de D.José, Rei de Portugal, publicou o Decreto a interditar a Inquisição Portuguesa. Estávamos no ano da graça de 1774. Que belo Decreto a por fim a tão vil e abjecta organização.

Vamos votar! Pois claro!


António Ventura - Set/2017










sábado, 16 de setembro de 2017

MALDITA "PULHÍTICA". ABENÇOADO ALENTEJO


É com teimosia e grande obstinação que insisto. 

Insisto sempre, como se o chamamento de um Deus me queira tornar às raízes longínquas da terra, ao campo, às searas e ao calor que inferniza as gentes nos verões alentejanos e lhes enregela os ossos e a alma quente nos invernos de estalar. 

Insisto sempre. E não me vejo parar, sem sequer duvidar ser o resto do meu caminho, o trilho que vai dar àquele campo largo com pequenas casas brancas de faixa azul, amarela ou "pó de sapato" de vez em quando, em pequenas cidades e vilas, em montes e aldeias.

Abençoada seja a terra, venturosa gente.

Na absurda insistência, deparo-me então com frequência, com o talvez maior dos nossos males. E enfrento-os, sofro com eles, revolto-me, e de novo regresso à vontade de ficar e fazer...

Não temos dúvida que, se há perto de quarenta e dois anos, poderíamos carpir, e chorar de outros males - bem piores -  desde então, a santa liberdade trouxe-nos a factura. Uma conta que não logramos pagar nunca. O preço de ser livre.

Trilho PR2 Nisa
Maldita pulhítica que nos arrasa, que nos tira do sério e nos esmigalha a coragem e o propósito.
Somos assim... tais quais!

Há alguns meses, na minha querida Portalegre, num encontro de gente boa que se dispôs a discutir o futuro e o turismo que também é futuro... e muito, escutaram-se as palavras de António Ceia da Silva, Presidente da Turismo do Alentejo - ERT que, a certo ponto da sua intervenção, muito apreciada, disse "... somos assim... fazemos noventa e nove coisas boas e uma mal. Somos criticados por essa, nunca apreciados pelas noventa e nove...". Somos assim, pois então.

Mais tarde e recentemente, veio o mesmo nomear os novos Embaixadores do Alentejo, e bem. Gente que gosta de nós e do Alentejo, grande, abençoado, só e tantas vezes carregado de pinimas. 

Fim de tarde - Chão da Velha 1994
E vamos andando, derretendo vontades, excluindo actores, queimando projectos e matando o tempo que é pouco, para lograrmos alcançar, senão a felicidade apregoada, pelo menos o progresso, desenvolvimento e bem-estar numa terra bela, de cantes e encantos que, extasia e deslumbra forasteiros e nos arrebata os corações. E vamos andando...tais quais!

" Abrasai, destruí, consumi-nos a todos; mas pode ser que algum dia queirais espanhóis e portugueses, e que não os acheis". Que perfeitas e certeiras palavras do Padre António Vieira, tão propositadas se aplicadas no tempo de hoje. E somos assim.
As vaidades, velhos e suspeitados rancores e o "não sei quê" que, não se explica nem nos é explicado, despeja-se num caudal turvo de incoerência, limitador de crescimento, de cooperação e vontade colectiva de crescer bem e sermos felizes, juntos. E vamos andando.

Aldeia de Chão da Velha Set.2017
Recusando o propósito, ignorando o saber, cultivando a incompetência... desprezando os nossos.

O que aparentemente se faz crer, ser o acolhimento caloroso ou pelo menos formal, passa ràpidamente, sabe-se lá porquê, ao quase desdém e incredulidade pela fascinação dos outros, que tais. 

E fica a expectativa de que os "tais", se auto condenem ao silêncio perpétuo. Somos assim.

Mas desentranhando as recordações, não se compreende esta nossa postura e desencanto, de tudo duvidando, a todos criticando do alto do nosso umbigo grande.

Maldita pulhítica.

E bordamos de encanto os sonhos e alinhavamos a vida que nos escorre pelo fio que, passa finamente na agulha do tempo.

E moldamos o barro do nosso encantamento. 

E decoramo-lo preciosamente, cada peça única, como este nosso povo alentejano. Único é o Alentejo.

Queijo de Nisa
E pastamos os últimos ovelhuns e os já poucos caprídeos. E de repente, fazemos nascer o melhor dos queijos para regalo de todos, para fazer a fama dos, talvez melhores do Mundo.

E vemo-nos na nossa modorna, enfadados de tanto olhar o campo sem ver ninguém. Entediados, enfastiados sem saber que ficaremos sózinhos.

E olhamos de novo o campo, escutamos o balido do gado e lá ao fundo na estrada, vai um carro com mais um que decidiu abalar! Somos assim, tais quais...

E não nos juntamos, reunimos, entendemos, apenas e sómente no solidário interesse da nossa terra e todos nós. 

Maldita pulhítica. Abençoado Alentejo.

António Ventura, 7Abril2017

presente texto está redigido pelo signatário, em língua portuguesa, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo chamado Acordo Ortográfico.
"Este é o Paraíso que procuro
De manhãs frescas e Sol rútilo
Onde a vida e o seu resto parece querer
Viver para sempre no seu remanso.. feliz."
(AV/Set.2017)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A ÉTICA, A RELIGIÃO E A POLÍTICA - As incompatibilidades “compatíveis” e o dessiso dos coreutas…

ÉTICA E RELIGIÃO...
A exigência moral não surge do facto de se, ser crente ou ateu, mas da condição humana, de querer ser pessoa humana, autêntica e cabal, plenamente realizada. A moral não contém dever, de se fazer um crente ou um ateu, desde que, tanto um como o outro sejam moralmente éticos. Deus criou o Homem por amor, segundo variados conceitos religiosos, mas sobretudo na perspectiva Cristã. Então Deus, só poderá querer a adequada e plena realização da pessoa humana, com o único e divino interesse pelo homem vivo, realizado e feliz.
A moral como ciência da ética, e a religião, serão pois distintas.
Muito embora a religião possa e deva, segundo os seus dogmas e propósitos, contribuir para a moral, o facto é que não poderemos consentir dizer que, onde não há religião e se ponha em causa a existência de Deus, tudo será permitido e imoral e assim sendo éticamente reprovável.
A religião e os religiosos sabem bem que, a sua prática, não se reduz à moral, embora fazendo parte dela, não é da mesma exclusivo nem temporal. As verdadeiras religiões, constituem, isso sim, o impulso para a realização ética e a prática da moral.
Sendo a moral e a sua prática, incondicionais, também somos normalmente confrontados com a religião e a finitude humana, mas terrena, consignada por Deus. A religião perdoa e Deus é geralmente o protagonista desse mesmo acto de perdoar, mas a moral ou a falta da prática dela mesma, é imperdoável aos olhos do Homem e da Civilização. O Homem como elemento historicamente fundamental do universo é o único responsável pela sua falta de ética. Como “Ser” central do conhecimento, não poderá prescindir dos seus deveres sociais, por ser ele próprio o “ser social e ético”. Mas a prática da religião, impõe aos seus praticantes semelhantes acções e atitudes morais, muito embora, como se disse anteriormente, não seja implícito – “ser moral e ético = ser religioso”.
A perspectiva cristã, adivinha e define o fim terreno do Homem, prolongando-lhe a existência eterna, no além espiritual.
Segundo o teólogo suíço Hans Kung, contemporâneo do Papa Bento XVI na Universidade alemã de Tubinga, onde ambos leccionaram Teologia, no seu “Projecto de Ética Mundial (Weltethos): Uma moral ecuménica em vista da sobrevivência humana”, define que “a religião é essencialmente resistência. A religião não serve somente para a opressão (como muitos apregoam), mas também para a libertação das pessoas e não somente de uma forma psico-terapêutica, mas também em dimensão político-social. Desde a América Latina, a religião lutou por uma sociedade humana, liberta da opressão. Ficou evidente tanto social quanto psicologicamente que a religião pode contribuir para promover a liberdade, a observação dos direitos humanos e o ressurgimento da democracia. A religião pode promover ética até há pouco não observada: a força revolucionária de uma ética da não violência.”
Kung, acredita no diálogo da fé cristã com as ciências naturais e a busca de uma ética mundial. Está convencido de que é possível construir-se esta ética a partir dos valores morais compartilhados pelas grandes religiões do mundo e aceites pela razão secular. 
Foi um crítico feroz de João Paulo II, considerando-o um papa de grandes dons e decisões erradas. A acção externa em favor dos direitos humanos, da paz no mundo e do entendimento entre as religiões contrastou com uma prática interna obstruindo reformas, negando o diálogo dentro da Igreja e impondo o domínio romano absoluto.
Mas as religiões não fazem, com frequência distinção entre o plano ético e o religioso. Os costumes dos povos, as regras e os princípios morais de cada grupo, são tão religiosos quanto as preces. Já em Moisés e nas suas “tábuas”, existiram os “mandamentos éticos” (exp. Não matarás!) ; e os “mandamentos religiosos” (exp. Não terás outros Deuses diante de Mim !).
Incluem-se nos cinco pilares dos muçulmanos (credo, oração, esmola, jejum e peregrinação a Meca) tanto orar a Deus como doar esmolas aos pobres. Não há aqui distinção entre a ética e a religião. A noção do ser humano como uma criação divina implica que ele é responsável perante Deus por tudo o que faz: ritual, moral, social e politicamente. Profetas e pregadores religiosos, muitas vezes, iniciaram debates sobre assuntos especificamente éticos. Em geral, os profetas do antigo Israel atacavam os ricos e poderosos que observavam fielmente os rituais, mas pisoteavam os pobres. O ponto de vista moral desses profetas tinha, porém, uma justificativa religiosa.
Nas sociedades onde coexistem várias religiões e vários pontos de vista éticos é mais difícil vincular a ética exclusivamente à religião. As sociedades precisam ter suas linhas mestras éticas, sendo que algumas delas são preservadas nas leis. Os romanos foram os primeiros a criar, de maneira sistemática, um esquema legal que pudesse ser usado por todos os povos, independentemente da religião. O Direito Romano tornou-se a base para todos os sistemas legais, subsequentes nos Estados seculares modernos. Em certos países muçulmanos há dois sistemas agindo em paralelo: um baseado no Corão, outro no Direito Romano. Hoje, muitos países aceitam a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pelas Nações Unidas como uma afirmação ética comum, seja qual for a religião ou a perspectiva geral do Estado.
A religião nunca é vinculada apenas ao intelecto. Ela envolve igualmente as emoções, que são tão essenciais na vida humana quanto o intelecto e a capacidade de pensar. A música, o canto e a dança apelam para as emoções. Na maioria das religiões, as pessoas extravasam, pela música instrumental e pelo canto, a tristeza ou a alegria; em algumas, também pela dança, que é um meio bastante antigo de expressão religiosa. Nos rituais cristãos, os hinos cantados em coro e a música de órgão (teclado) são parte integrante da experiência geral. Muitas igrejas e templos contêm, ainda, obras de arte - pinturas, esculturas e peças de altar que tocam a imaginação e as emoções.
A América Latina está marcada pelo surgimento, nas últimas décadas, de novos movimentos religiosos à margem das grandes religiões. São grupos que possuem, crenças peculiares e práticas religiosas próprias. Muitas vezes, seguem uma via espiritual em desconformidade com as instituições religiosas estabelecidas e as grandes tradições religiosas mundialmente reconhecidas. Muitos desses agrupamentos se distinguem por utilizarem técnicas de persuasão coercitiva e controle mental, para conseguir a total submissão dos indivíduos, numa actuação pouco ética e de moral duvidosa.
Porém, a consciência cristã, é assumida na fé, portanto, é também uma consciência religiosa. O povo sofrido é, ao mesmo tempo, um povo crente. Assim, a religião revela a existência de uma ética da alteridade, que por reconhecer o outro como igual, semelhante, julga injusto e contrário à vontade de Deus o mal que aniquila o homem. De facto, a religião – o Cristianismo de modo particular – preconiza uma ética alterativa não advinda de uma moral ôntica da consciência privada da totalidade fundada e firmada imoralmente, mas originária do respeito pelo outro, e fundada no amor e na justiça. 
Ainda segundo o Teólogo Hans Küng, vislumbra-se um futuro de responsabilidade. Essa responsabilidade obriga ao imperativo de aprender a pensar em inter-relações globais, especialmente com o meio ambiente, isto é, sobreviver como pessoas numa terra habitável. Então, o critério último da ética foi e continuará sendo hoje, mais que ontem, a pessoa humana. Ele pensa também, “numa ética mundial advinda de um concerto, entre as religiões que apontam Deus como valor máximo absoluto. Isso porque “as religiões exigem determinados padrões não negociáveis, propõem normas éticas fundamentais e máximas orientadoras que são fundamentadas a partir de um absoluto; as religiões conseguem transmitir uma dimensão mais profunda, um horizonte interpretativo mais abrangente face à dor, à injustiça, à culpa e à falta de sentido para viver. Também consegue transmitir um sentido último de vida ante a morte: o sentido de onde vem e para onde vai a existência humana; as religiões conseguem garantir os valores mais elevados, as normas mais incondicionais, as motivações mais profundas e os ideais mais sublimes; as religiões conseguem criar uma pátria de confiança, de fé, de certeza, de fortalecimento do “eu”, do abrigo e da esperança: uma comunidade e uma pátria espiritual; as religiões podem fundamentar protesto e resistência contra situações de injustiça e colocar-se a serviço de um projecto de transformação; as religiões podem oferecer motivações éticas extraídas de tradições e valores perenes; as religiões conseguem falar ao coração das pessoas individuais, interpelando-as a favor de causas justas, nobres, altruístas”.
“Quando a razão busca até ao fim, encontra na raiz dela o afecto que se expressa pelo amor e, acima dela, o espírito que se manifesta pela espiritualidade. E no termo final da busca, encontra o mistério. Mistério não é o limite da razão, mas o ilimitado da razão. Por isso, o mistério continua mistério em todo o conhecimento que se sente desafiado a conhecer sempre mais. A razão científica ratifica-nos esse percurso. Ela começou com a matéria, chegou aos átomos, desceu aos elementos sub-atômicos, à energia e aos campos energéticos, ao campo de Higgs, origem de todos os campos, ao big-bang, há 15 mil milhões de anos, para terminar no vácuo quântico, que é o estado de energia de fundo do universo, aquela fonte alimentadora de tudo o que existe, misteriosa e inominável, que o conhecido cosmólogo Brian Swimme identifica como “presença de Deus”.
Concretamente o mistério é o outro. Por mais que se queira conhecê-lo e enquadrá-lo, ele sempre se retrai para um mais além. Ele é mistério desafiador que nos obriga a sair de nós mesmos e a nos posicionar diante dele. Quando o outro irrompe à minha frente, nasce a ética, porque o outro me exige uma atitude prática, ou de acolhida, ou de indiferença ou de rechaço. O outro significa uma “pró-posta” que pede uma “res-posta” com responsabilidade O ethos que ama, funda um novo sentido de viver. Amar o outro é dar-lhe razão de existir. O existir é pura gratuidade, pois não há razão para existir. Amar o outro é querer que ele exista porque o amor faz o outro importante. “Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não morrerás jamais; tu deves existir, tu não podes morrer” (G. Marcel). Somente esse ethos que ama, está à altura dos desafios actuais porque inclui, todos. Faz dos distantes, próximos, e dos próximos, irmãos e irmãs. E por isso, tudo o que amamos, cuidamos, zelamos, defendemos e gostamos. Segundo e conforme o nosso entendimento e prática ética, religiosos ou ateus, mas sempre éticos como nós próprios.

António Ventura - U.L, 20 Out.2009
Notas e Bibliografia:
• Hans Küng (born March 19, 1928, in Sursee, Canton of Lucerne), is a Swiss Catholic priest, controversial theologian, and prolific author. Since 1995 he has been President of the Foundation for a Global Ethic (Stiftung Weltethos).
• Marcel, Gabriel (1987).Dramaturgo e filósofo francês. Aproximación al misterio del ser: Posición y aproximaciones concretas al misterio ontológico.
• Borges, Anselmo (2009) Diario de Noticias 16.10.09

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