sábado, 16 de junho de 2018

CRÓNICA PARA UM IMBECIL - "Morra o Dantas... pim"

Raras vezes me ocupo de pronunciamentos soltos da área do "futebolês".
Justifico esta atitude, por falta permanente de vontade em rivalizar com algumas centenas de "distintos professores", especialistas na matéria geral do que trata o futebol. Também porque, não sendo especialista nem pretendendo conhecer mais, do que sabe um simples adepto do desporto-rei, não me poderei permitir o arrojo da competição discursiva com os "especialistas" do mesmo.

Sou sim, sou Sportinguista de fé. Vibro, sofro com as derrotas e regozijo-me, festejo, exalto os feitos e as vitórias do meu clube de muitas décadas - nem digo quantas, mas asseguro-vos que são mesmo já muitas...

Quando glorifico o meu Sporting Clube de Portugal, manifesto-me sempre com honradez, não desprestigio os adversários, não os machuco com palavras ou actos. Respeito todos e tantas e tantas vezes, enalteço os feitos e virtudes dos adversários do meu SCP. Há porém algumas vezes que, a "discussão retórica" ou alguma acalorada converseta sem mal, me leva a pequenas picardias com os meus amigos, adversários do meu Sporting. E no fim, rimos muito e a vida continua.

É assim. Vivo contente com isso. Reconheço as falhas, as fraquezas desportivas do grande Sporting, mas tal não me leva aos extremos de as justificar com faltas dos outros. Tanta vez me vêem, os que comigo convivem, magnificar os adversários do meu Clube de sempre. Tantas vezes, vibrando com competições internacionais em que, por incapacidade o meu Clube não está presente, mas tal não me impede de torcer pelos outros, por aqueles que, cá dentro são os nossos adversários. Sempre, gritando por Portugal.

Vamos então ao que interessa e tinha, tem como objectivo primeiro - a "Crónica para um imbecil".

Por mais de três meses que vimos sofrendo o vexame, a desonra de, como dizia o general romano no regresso a Roma e na narrativa a César - "não nos governamos, nem nos deixamos governar".

A infelicidade de havermos crido que, um salvador, qual messias de olhar de sonhos, tinha chegado para nos salvar do longo jejum de vitórias e glórias, eis que somos desde há tempos, machucados, humilhados e provocados pelas atitudes absurdas, incongruências e despropósitos de um "cavalheiro" que se acomodou na poltrona mais alta dos sportinguistas.

As tantas asneiradas proferidas ao longo de já longos anos, algumas vezes deixaram no nosso léxico um gosto tão amargo de incredulidade, noutras o sentimento de desonra, de opróbrio de gente humilhada por tão sinistra personagem, supostamente representante dos sportinguistas. E o autor continuado do labéu, chama-se Bruno de Carvalho.

É pois esta pequena crónica, verde de sportinguismo, de expectação e verde de crença no futuro, que pretende manifestar o maior repúdio pela vergonha a que nos tem conduzido a vil criatura a que me refiro.

É com a maior tristeza e vergonha que, nós os sportinguistas (não sportingados), nos temos submetido à provação, ao gozo e à chacota dos nossos adversários. É com o maior desagrado e incapacidade de lutar contra o "pequeno líder gordo", mal educado, pretensioso, mentiroso e trampolineiro que ora nos promete mais lorotas.

Hoje, no final da exibição do nosso Clube - A Selecção Nacional  no jogo contra a Espanha - numa entrevista de rua a um adepto, o mesmo referia com a zombaria que só alguns usam e ainda bem que são poucos - " vim ver os novos jogadores do Benfica a actuar" .

Que honra deitada ao lixo pelo impostor que nos mente em contínuo. Que vergonha não tem este imbecil que, nos tem levado o nosso querido Sporting à exaustão, exaurindo todos os valores, derretendo todas glórias dos mais de cem anos de existência do Sporting Clube de Portugal.

Que personagem ridícula que mobiliza centenas de horas da comunicação social, com as bestialidades, esquizofrenias, alucinações de um ser portador de delirante incongruência mental permanente.

"Basta pum basta!!!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas é um habilidoso!
Morra o Dantas, morra! Pim!
E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!
O Dantas é um ciganão!
Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!
Morra o Dantas, morra! Pim!
Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!
O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
Basta pum basta!!!"

(Leia-se Bruno que não, o pobre Dantas de Almada Negreiros)

António Ventura/15-Jun-18





quinta-feira, 29 de março de 2018

O ELOGIO FORÇADO... ou o Jornalixo da vilã !!!

https://observador.pt/opiniao/um-elogio-a-antonio-costa-e-mario-centeno/

Um elogio a António Costa e Mário Centeno

Muitos ministros das Finanças tentaram dominar o “monstro”, apenas um parece estar a conseguir. Centeno está de parabéns. E Costa também. Esperemos que as tentações eleitoralistas não estraguem tudo.



Esta senhora, a quem não reconheço qualquer qualidade de isenção jornalística. 
Esta senhora em quem não vejo qualquer capacidade de apreciação séria de contas públicas, ou questões económicas, sociais ou de política honesta. Esta senhora que, por ser ouvinte diário da Antena Um, me injecta semana sim, semana não, com os seus tolos conceitos e aberrantes comentários sobre a actualidade, as baboseiras pretensiosas e - nas semanas "não" tenho a felicidade de escutar o jornalista Nicolau Santos, isento, claro, informativo, sério... Vem agora, após largos anos a benzer e conclamar todas as diatribes das "direitas unidas", dos "arcos da desgovernação", dos beneméritos banqueiros e do seu protector geral, enfatizando todas as iniciativas daqueles em "vender" Portugal, polindo reluzentemente os artistas da nossa desgraça de eternos pagadores (também salvadores de Bancos, patrocinadores de Empresas privatizadas, fundamentais),..., vem agora, pois então PARABENIZAR  O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO E O MINISTRO DAS FINANÇAS.
O despudor, falta de ética, carácter e seriedade é tal que, vem mesmo justificar (para nós não seria necessário) que o suporte ao Banco Público - CGD (para pagar as "imparidades", nome tão técnico que só serve para enganar o povão, mas que, de facto quer dizer vigarices, crédito já incobrável na data em que foi concedido aos amigos e trapaceiros que se pavoneiam diáriamente na nossa frente, como se o "Zè" fosse parvo mesmo todo parvo...
Esta senhora, Helena Garrido, terá mudado? Se mudou, deverá rezar 20 avé-marias e penitenciar-se. Se não mudou, pois...
Continuará a merecer de mim, o desprezo que me merecem os "jornalixeiros" que por aí proliferam...
No entanto, acho que, por educação apenas, o Senhor PM e o Senhor Ministro das Finanças agradecem o piropo!!!

António Ventura/29.3.18

domingo, 14 de janeiro de 2018

REQUIEM PARA PEDRO... Bom dia RIO !!!

Caro Pedro, ou PPC como o pessoal se habituou a chamar-te, talvez pela poupança exagerada a que o submeteste durante aquele longo período, annus horribilis de triste memória.

Estou certo que nunca leste as minhas muitas cartinhas, por insignificantes e humildade do seu remetente. Não faz mal.

Hoje, na hora da tua despedida definitiva, ad immortalitatem, não obstante a habitual e enorme preguiça, cá estou de novo para a minha solene despedida em jeito de réquiem. Dirás que é cinismo meu, que não seria necessária a presente prosa, sacana, inusitada e embusteira. Mas olha que não, olha que não…

Tanto tempo de convívio, contigo e com os teus – Gaspar, Albuquerque, José Pedro, Paula, Relvas, Maduro, Álvaro e Nuno – como seria possível esquecer. Ainda temos memória Pedro. Essa não nos conseguiste tirar.

E é por isso que esta nossa despedida de hoje, se justifica, se exige, imprescindível. Não triste e amargurada, mas sabiamente contida nas emoções, porque a pessoas de bem que já tanto sofreram, poucas lágrimas lhes restarão. As poucas, porém, seriam por ti um desperdício.

Ora bem, agora já sabemos que já vais ser rendido nessa tua tão heroica função. E digo heroica porque, até há por aí um grupo nessas nefastas redes (às vezes muito pouco sociais), que te chamam de “grande estadista”, não vejo porque não merecerás então, um “Grande Colar” de uma qualquer Ordem.

Afinal, se o decisor anterior dessa entrega, o Tio Aníbal, tivesse pensado bem (como não é costume), não teria hesitado em te condecorar. Tu foste apenas o seguidor, o finalizador da sua (dele) obra política de desbaratar tudo o que nos restava.
O actual Grão-Mestre de todas as Ordens Honoríficas Portuguesas, penso que não se esquecerá dos imensos feitos à Nação pela tua pessoa.

Mas não quero ser injusto em absoluto. Somos, tu e eu, gente séria e correcta.

Reconheçamos portanto, em teu benefício, que longa e dura foi a tua jornada que ora termina, Graças a Deus. Só levianamente se poderá olvidar que, a dificuldade com que enfrentaste o exercício da tua “maioria absoluta” era tarefa hercúlea, de gente com força, determinação. Por toda essa tua tenacidade, denodo e dedicação, terás um lugarzinho na minha memória.

Mas Pedro, com um raio, que mal acompanhado que estiveste… Não acertaste em quase nenhuma ou nenhum. Que diabo, era raiva? Estavas zangado com a malta?

Por volta de 5 de Novembro de 2014, escrevi-te mais ou menos o seguinte.

Continuas na tua lenga lenga, como se nada de grave se esteja a passar. És valente, tenho de reconhecer. Lutas contra tudo e contra todos. Pões o "pessoal" todo em polvoró, uns contra os outros, os privados contra os públicos, os velhos contra os novos, os ausentes contra os presentes, os professores contra os alunos e os alunos, tão jovenzinhos, parecem começar agora a ficar contra ti. É que a tua voz, que treinavas ao espelho quando tinhas a idade deles, augurando já à época o alto cargo que irias conseguir, já não os convence.
Noto, quando te vejo que estás a demonstrar cansaço. Cansas-te e cansas-nos!!!

Não evitas um só momento em lutar contra os "moinhos de vento" qual Quixote de Cervantes. Vês inimigos em toda a parte e nem por um momento, sossegas, olhas para nós, porque só nós te poderemos ajudar.
Mas não, cansaste-nos e estamos fartos. Queremos ver-te pelas costas depressa.
Onde viste oiro... perdeste-te. Tudo vendeste, tudo ofereceste numa sôfrega ânsia, parece, de teres tempo para tudo derreteres, deixando-nos à míngua.
Depois de ti, nada de pé restaria, ou melhor dizendo, depois de ti, nada nos restaria que valesse uns cobres. Ficaríamos então, como desejaste - pobres, indigentes, maltrapilhos e à mercê da chacota de todos e de tudo.

Felizmente, inverteu-se o rumo. Com o Diabo sempre anunciado, mas nunca chegado, tudo ardendo, a fogueira das vaidades perdendo o lume intenso que tanto animaste…

Chegou sim, o défice mais baixo da democracia. O desemprego em taxas desconhecidas nos últimos vinte anos, o crescimento  e o PIB em subida nunca vista, atestado e parabenizado pelo Sr. Alemão, pela Dama de Berlim, e por todos sem excepção, penitenciando-me por omitir os nomes, por incapacidade de os escrever e pronunciar. O índice de felicidade nos níveis de Norte de Europa, a alegria com a subida dos números do turismo, os prémios internacionais recebidos.

E para júbilo maior, as nomeações para a Sec.Geral da ONU, para o Eurogrupo, para a participação no Mundial da Rússia, enfim… tanta felicidade para gente tão triste.

Como escreveu o Nicolau Santos por essas datas, “Vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação. Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
    E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espetáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Muito há, que aos poucos nos vai arruinando e flagelando. Felizmente, que o Povo se vai apercebendo da má “roleta” governativa que diariamente vamos enfrentando.
Felizmente, que este sente a degradante situação em que vive e unido, manifestou o seu descontentamento, ao aderir em força às manifestações hoje realizadas.
Felizmente, que conscienciosamente nos vamos apercebendo, da má política, que diariamente os governantes nos vão impondo.”
"As dificuldades incentivam a luta do homem e orientam os seus caminhos."

E escreveu Concha Caballero, jornalista andaluza em Janeiro de 2014 – “Um dia, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.”

Pedro, tudo fizeste como vinha nos “manuais”. Os “teus” prometeram-te o paraíso se seguisses à risca as baboseiras, económicas, sociais, políticas, orientadoras do “sucesso esmagado”. Acreditaste, foi o teu mal.

Poderá parecer cinismo, mas não. Sou um justo, sou. Sem nenhum rancor, desejo-te felicidades e sucesso.

Perdoar enobrece-nos, não é (?!)

Um abraço do teu
António Ventura/ Jan18



domingo, 15 de outubro de 2017

A OPINIÃO QUE NÃO CONTA... MESMO !

Seja em que época for, um elemento tem sido comum na ética comunicacional, o "não dirás falso testemunho contra o teu próximo". O princípio da veracidade é algo que sempre se tentou assegurar em qualquer comunicação, como garante do princípio da informação e maneira de assegurar a confiança entre o comunicador e o seu público. 

Escreveu assim, Rui Assis Ferreira na sua "Comunicação e Sociedade, 2007 ". 

E adiante ainda acrescentou - Este princípio de verdade, também presente - e com a intensidade que os testemunhos de Platão e Aristóteles nos legaram - na civilização grega clássica, sofreu, todavia, aí, os limites impostos pelo despotismo dos soberanos, legitimador da mentira enquanto estratégia socialmente benéfica.

Falamos então da ética, da ética profissional cometida aos agentes de informação, para solidificar o crédito dos cidadãos na sua actividade de informar com isenção, sem respeito pelos "soberanos" ( leia-se patronato e os seus interesses obscuros), sempre pugnando pela verdade. Assentando a informação em dados e elementos credíveis, em investigações jornalísticas imparciais, confirmadas, seguras, sérias, pois que, da relação entre o político - seja ele poder ou não -  e o cidadão, individualista, é este o principal elemento capaz de debater tudo o que se relaciona com a "coisa comum", porque só a si interessa. Sobrepondo-se então o direito dos governados à verdade da informação, contrariando o direito dos governantes à produção sistémica da intoxicação pela mentira.

É hoje comum, escutarmos vozes desagradadas com a comunicação social na sua generalidade. 

Garantem alguns que, estando fartos, este ou aquele programa, este ou aquele comentadeiro os obriga de imediato a desligar a TV e, na comunicação escrita há-os que recusam qualquer leitura.

Perguntaremos se há razão para tal e, não será que são as vozes "do contra" na contestação ao que vemos, ouvimos e lemos, estará radicalizada. Mas, afinal radicalizados seremos todos, cada vez que nos confrontamos com a mentira deliberada, a falsa notícia de má-fé encomendada, o comentário regular ou insólito que nos entra dentro.

Há tempo que vimos suportando os devaneios intencionais, insidiosos, da quase generalidade do que pomposamente chamamos de media. São os media que escreveram, são os media que mostraram, foram os media que descobriram, serão os media a descobrir, os media a comentar, a relatar, exibir... seguramente tudo, tudo mesmo com a verdade que a deontologia lhes impõe. Mas não...

O que assegurámos durante mais de um século, como o Quarto Poder, que como disse I. Ramonet , seria " a voz, dos sem-voz", não perdurou nem uma década sequer, tendo sido ràpidamente conquistada e controlada pelos grupos económicos, pelas organizações políticas, pasme-se, das democracias consolidadas do pós revolução francesa. 

Mas se enquanto nestas, como  espaços do individualismo kantiano e das liberdades, foram capturadas, noutros espaços houve, por ausência das liberdades de acção, pensamento e manifestação, que o controle dos "soberanos" se eterniza na mentira, mentalização e envenenamento dos cidadãos através dos media.

Comunicação social de Estados, informação controlada, manipulada... censura.

Na actual conjuntura política Portuguesa, de cuja estabilidade e duração "os do Restelo ", teimosamente insistem em duvidar, não houve e ainda bem, qualquer tentativa de controle dos media, por parte dos decisores da presente solução governativa. Ninguém, com seriedade poderá duvidar disso.

Nem seria credível que, podendo controlar - maléficamente é verdade - não o fariam, consentindo todas as bestialidades que diàriamente nos debitam, afastando o que deve ser o projecto e objectivo comum. O bem-estar, a felicidade, o progresso.

No comentário semanal da SIC, que dá pelo nome de "A opinião que conta", não está sózinho Marques Mendes. Na mesma estação (televisão independente) poderemos acrescentar um número infindável de outros tantos, serviçais da oposição política - a direita mais reaccionária da Europa, mais desorganizada, pretensiosa também, mas sobretudo raivosa e incompetente... para mal da saudável democracia representativa e que indicutívelmente necessitamos. Sim, queremos uma oposição séria, construtiva, controladora e fiscalizadora, denunciadora até de um qualquer ou todos os malefícios da governação vigente. 

Mas séria, dialogante, com propósitos firmes, idéias construtivas - afastando-se de uma vez por todas do neo-liberalismo reaccionário, da estupidez Schaubleana, do servilismo ao Norte europeu, das kafkianas e permanentes intenções de punir, os mais pobres e os mais médios... querendo no fim de contas que, um qualquer síndroma de Estocolmo nos atinja e passemos a adorar quem nos faz mal. Ou, caso não o façamos nas urnas (como se viu o contrário), possamos pelo menos, ir acreditando nas patranhices teledifundidas. 

Assim não vamos lá...


António Ventura /15Out17





domingo, 24 de setembro de 2017

Longa vida aos Edis. Vamos lá então VOTAR !!!

Aqui para nós que ninguém nos ouve. Estou cansado!!!

E na semana, recta final da campanha, das arruadas, dos comícios, dos out-doors, das rádios, tv´s, pasquins. Das esferográficas, dos saquinhos com as caretas, dos isqueiros, dos chouriços embalados com a dita do candidato... Das promessas, das juras, das poucas prestações de contas, das ameaças, dos eriçados encontros, das promissões de que agora é que é... Estou farto.

E estou farto, das mentiras, do "fazer de nós parvos", dos perjuros, dos insultos, da má educação, da sobranceria, das audácias, atoardas sem recato ou qualquer decoro.

Sim, estou farto, empanturrado de "coisa nenhuma", que valha, que interesse ao nosso colectivo, regional ou nacional. E por isso, protesto contra as constantes tentativas de promoção da asnidade, num desapuro constante que abomino. 

E, quando embalados no remanso deste Outono mal chegado, buscando a paz, o sossego, eis que mais uma caravana passa, apregoando os melhores, exibindo as bandeiras, identificando os prometimentos, vãos é certo, mas que fica bem para se alcançar a vitória. 

Com as ridículas conversetas e sorrisos de oportunidade, com a peixeira D.Maria, alvoraçada, com o sapateiro com profissão em fim de vida, com o lojista de rua amargurado com as grandes superfícies, com o desalojado do bairro decrépito, com o cigano xenofóbicamente ostracizado, com o reformado já mais confiante porque lhe devolveram o quinhão roubado, com o desempregado, agora mais esperançoso de que ainda poderá ser útil, com os velhos sem lar, nem rei nem roque, entregues à sua sorte na casinha degradada do bairro da cidade. 


Com a gritaria dos jotas, (almejando um lugar em fim de curso), com os hinos (alguns bem melódicos e já bem conhecidos), com a invasão das praças, ruas, travessas, mercados, de cidades, vilas ou aldeias, onde não voltarão tão depressa, a não ser em tristes momentos de calamidades, incêndios, terramotos ou derrocadas... E aí, também e sempre aproveitando as câmaras de qualquer "man" ou alguns microfones de um qualquer directo radiofónico.

Estou farto!

Interiormente sinto coisa parecida com raiva... mas não posso garantir que seja isso. Só com diagnóstico clínico apurado, concluirei. Mas que estou, é mesmo verdade. Farto!

Em recato, reflicto muitas vezes e recordo os idos, já quarenta anos do poder autárquico.

Faço-o com satisfação, regozijo-me por esta bela conquista de Abril, de que sou fanático desde sempre, mesmo antes, anos antes dessa feliz madrugada. Louvo o propósito original,  desenvolvimento do país, para o bem-estar das populações, na implementação e melhoramento das redes públicas de abastecimento de água, electricidade, saneamento básico, tratamento de lixo, arruamentos, parques e jardins, estradas e caminhos, habitação social, pavilhões poli-desportivos e dinâmica cultural.

Hoje, Portugal é bem diferente. Às autarquias, ao poder local se deve muito do nosso desenvolvimento. É incontestável que às edilidades se deve, o denodado esforço de promoção, de desenvolvimento, de criação de riqueza, do comércio, de indústria, de turismo que outrora não tínhamos, pelas razões bem conhecidas.

São as autarquias e os seus dirigentes, credores do sucesso do fim do abandono de tantas regiões, pequenas vilas e aldeias. A eles devemos a maior parte da modernização das infraestruturas locais, da inclusão de todos (ou quase todos) no mapa da Nação lusa.

Mas perguntemo-nos...(?!) Poderia ter sido feito mais? Sim e não...  

Ou melhor dizendo - "Nim".

Há dias atrás, numa reflexão sobre a política e o Alentejo, comentei os "males" do que chamei "pulhítica" e no caso concreto, a regional, alentejana, do topo de além Tejo até às faldas Norte do Espinhaço de Cão e do Caldeirão.

Mas hoje o que importa, a escassos dias da escolha, interessa apenas qualificar os candidatos, o merecimento, capacidades e porque não, honradez.

E importa também que saibamos distinguir a logração, do falar sério. Conhecer os propósitos, o honrar as juras, o cumprir promessas.

Acredito na pouca originalidade dos nossos actos eleitorais. Sim, somos iguais a tantos outros de idêntica organização política. Por todo o lado, países, regiões, comunidades onde o acto democrático de eleger se coloque, conheceremos sempre a vã promessa, a tentativa de destruição do outro, a mentira, a falsidade, o engano premeditado que, parecendo inocente apenas é objectivo para alcançar a vitória, o poder que, mesmo efêmero pela limitação de mandatos, deve ser muito aliciante. Excluamos com a justiça devida, todos aqueles que fazem do exercício das funções de autarcas, o serviço aos outros, à comunidade, à democracia e  a Portugal. E há tantos pela nossa querida Pátria. Muitos, trabalhando em silêncio, sem opulências nem vaidades.

No dia dois, melhor seria que se esquecessem as diferenças. Juntos seremos melhores. Findem os recalcamentos, as queixas, as ofensas políticas, quiçá até pessoais. Trabalhai Edis, para o nosso bem comum, trabalhai juntos e seremos grandes. Todos !!! Todos com o mesmo propósito que, afinal tanto anunciastes. Juntai-vos nas diferenças, pois tereis muito mais que vos una do que vos separe. Cumpri e merecereis o nosso respeito.

Aos re-Candidatos caberá prestar contas, talvez novas, outras promessas. Aos caloiros, jurem... jurem muito, que 2021 é já amanhã.

Porém, e enquanto escrevo estas linhas, mais se aproxima o primeiro de Outubro. E nesse dia poderemos, a par do voto, recordar e comemorar a importante efeméride - O 1º Ministro de D.José, Rei de Portugal, publicou o Decreto a interditar a Inquisição Portuguesa. Estávamos no ano da graça de 1774. Que belo Decreto a por fim a tão vil e abjecta organização.

Vamos votar! Pois claro!


António Ventura - Set/2017










sábado, 16 de setembro de 2017

MALDITA "PULHÍTICA". ABENÇOADO ALENTEJO


É com teimosia e grande obstinação que insisto. 

Insisto sempre, como se o chamamento de um Deus me queira tornar às raízes longínquas da terra, ao campo, às searas e ao calor que inferniza as gentes nos verões alentejanos e lhes enregela os ossos e a alma quente nos invernos de estalar. 

Insisto sempre. E não me vejo parar, sem sequer duvidar ser o resto do meu caminho, o trilho que vai dar àquele campo largo com pequenas casas brancas de faixa azul, amarela ou "pó de sapato" de vez em quando, em pequenas cidades e vilas, em montes e aldeias.

Abençoada seja a terra, venturosa gente.

Na absurda insistência, deparo-me então com frequência, com o talvez maior dos nossos males. E enfrento-os, sofro com eles, revolto-me, e de novo regresso à vontade de ficar e fazer...

Não temos dúvida que, se há perto de quarenta e dois anos, poderíamos carpir, e chorar de outros males - bem piores -  desde então, a santa liberdade trouxe-nos a factura. Uma conta que não logramos pagar nunca. O preço de ser livre.

Trilho PR2 Nisa
Maldita pulhítica que nos arrasa, que nos tira do sério e nos esmigalha a coragem e o propósito.
Somos assim... tais quais!

Há alguns meses, na minha querida Portalegre, num encontro de gente boa que se dispôs a discutir o futuro e o turismo que também é futuro... e muito, escutaram-se as palavras de António Ceia da Silva, Presidente da Turismo do Alentejo - ERT que, a certo ponto da sua intervenção, muito apreciada, disse "... somos assim... fazemos noventa e nove coisas boas e uma mal. Somos criticados por essa, nunca apreciados pelas noventa e nove...". Somos assim, pois então.

Mais tarde e recentemente, veio o mesmo nomear os novos Embaixadores do Alentejo, e bem. Gente que gosta de nós e do Alentejo, grande, abençoado, só e tantas vezes carregado de pinimas. 

Fim de tarde - Chão da Velha 1994
E vamos andando, derretendo vontades, excluindo actores, queimando projectos e matando o tempo que é pouco, para lograrmos alcançar, senão a felicidade apregoada, pelo menos o progresso, desenvolvimento e bem-estar numa terra bela, de cantes e encantos que, extasia e deslumbra forasteiros e nos arrebata os corações. E vamos andando...tais quais!

" Abrasai, destruí, consumi-nos a todos; mas pode ser que algum dia queirais espanhóis e portugueses, e que não os acheis". Que perfeitas e certeiras palavras do Padre António Vieira, tão propositadas se aplicadas no tempo de hoje. E somos assim.
As vaidades, velhos e suspeitados rancores e o "não sei quê" que, não se explica nem nos é explicado, despeja-se num caudal turvo de incoerência, limitador de crescimento, de cooperação e vontade colectiva de crescer bem e sermos felizes, juntos. E vamos andando.

Aldeia de Chão da Velha Set.2017
Recusando o propósito, ignorando o saber, cultivando a incompetência... desprezando os nossos.

O que aparentemente se faz crer, ser o acolhimento caloroso ou pelo menos formal, passa ràpidamente, sabe-se lá porquê, ao quase desdém e incredulidade pela fascinação dos outros, que tais. 

E fica a expectativa de que os "tais", se auto condenem ao silêncio perpétuo. Somos assim.

Mas desentranhando as recordações, não se compreende esta nossa postura e desencanto, de tudo duvidando, a todos criticando do alto do nosso umbigo grande.

Maldita pulhítica.

E bordamos de encanto os sonhos e alinhavamos a vida que nos escorre pelo fio que, passa finamente na agulha do tempo.

E moldamos o barro do nosso encantamento. 

E decoramo-lo preciosamente, cada peça única, como este nosso povo alentejano. Único é o Alentejo.

Queijo de Nisa
E pastamos os últimos ovelhuns e os já poucos caprídeos. E de repente, fazemos nascer o melhor dos queijos para regalo de todos, para fazer a fama dos, talvez melhores do Mundo.

E vemo-nos na nossa modorna, enfadados de tanto olhar o campo sem ver ninguém. Entediados, enfastiados sem saber que ficaremos sózinhos.

E olhamos de novo o campo, escutamos o balido do gado e lá ao fundo na estrada, vai um carro com mais um que decidiu abalar! Somos assim, tais quais...

E não nos juntamos, reunimos, entendemos, apenas e sómente no solidário interesse da nossa terra e todos nós. 

Maldita pulhítica. Abençoado Alentejo.

António Ventura, 7Abril2017

presente texto está redigido pelo signatário, em língua portuguesa, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo chamado Acordo Ortográfico.
"Este é o Paraíso que procuro
De manhãs frescas e Sol rútilo
Onde a vida e o seu resto parece querer
Viver para sempre no seu remanso.. feliz."
(AV/Set.2017)


CRÓNICA PARA UM IMBECIL - "Morra o Dantas... pim" Raras vezes me ocupo de pronunciamentos soltos da área do "futebolês&q...