domingo, 24 de setembro de 2017

Longa vida aos Edis. Vamos lá então VOTAR !!!

Aqui para nós que ninguém nos ouve. Estou cansado!!!

E na semana, recta final da campanha, das arruadas, dos comícios, dos out-doors, das rádios, tv´s, pasquins. Das esferográficas, dos saquinhos com as caretas, dos isqueiros, dos chouriços embalados com a dita do candidato... Das promessas, das juras, das poucas prestações de contas, das ameaças, dos eriçados encontros, das promissões de que agora é que é... Estou farto.

E estou farto, das mentiras, do "fazer de nós parvos", dos perjuros, dos insultos, da má educação, da sobranceria, das audácias, atoardas sem recato ou qualquer decoro.

Sim, estou farto, empanturrado de "coisa nenhuma", que valha, que interesse ao nosso colectivo, regional ou nacional. E por isso, protesto contra as constantes tentativas de promoção da asnidade, num desapuro constante que abomino. 

E, quando embalados no remanso deste Outono mal chegado, buscando a paz, o sossego, eis que mais uma caravana passa, apregoando os melhores, exibindo as bandeiras, identificando os prometimentos, vãos é certo, mas que fica bem para se alcançar a vitória. 

Com as ridículas conversetas e sorrisos de oportunidade, com a peixeira D.Maria, alvoraçada, com o sapateiro com profissão em fim de vida, com o lojista de rua amargurado com as grandes superfícies, com o desalojado do bairro decrépito, com o cigano xenofóbicamente ostracizado, com o reformado já mais confiante porque lhe devolveram o quinhão roubado, com o desempregado, agora mais esperançoso de que ainda poderá ser útil, com os velhos sem lar, nem rei nem roque, entregues à sua sorte na casinha degradada do bairro da cidade. 


Com a gritaria dos jotas, (almejando um lugar em fim de curso), com os hinos (alguns bem melódicos e já bem conhecidos), com a invasão das praças, ruas, travessas, mercados, de cidades, vilas ou aldeias, onde não voltarão tão depressa, a não ser em tristes momentos de calamidades, incêndios, terramotos ou derrocadas... E aí, também e sempre aproveitando as câmaras de qualquer "man" ou alguns microfones de um qualquer directo radiofónico.

Estou farto!

Interiormente sinto coisa parecida com raiva... mas não posso garantir que seja isso. Só com diagnóstico clínico apurado, concluirei. Mas que estou, é mesmo verdade. Farto!

Em recato, reflicto muitas vezes e recordo os idos, já quarenta anos do poder autárquico.

Faço-o com satisfação, regozijo-me por esta bela conquista de Abril, de que sou fanático desde sempre, mesmo antes, anos antes dessa feliz madrugada. Louvo o propósito original,  desenvolvimento do país, para o bem-estar das populações, na implementação e melhoramento das redes públicas de abastecimento de água, electricidade, saneamento básico, tratamento de lixo, arruamentos, parques e jardins, estradas e caminhos, habitação social, pavilhões poli-desportivos e dinâmica cultural.

Hoje, Portugal é bem diferente. Às autarquias, ao poder local se deve muito do nosso desenvolvimento. É incontestável que às edilidades se deve, o denodado esforço de promoção, de desenvolvimento, de criação de riqueza, do comércio, de indústria, de turismo que outrora não tínhamos, pelas razões bem conhecidas.

São as autarquias e os seus dirigentes, credores do sucesso do fim do abandono de tantas regiões, pequenas vilas e aldeias. A eles devemos a maior parte da modernização das infraestruturas locais, da inclusão de todos (ou quase todos) no mapa da Nação lusa.

Mas perguntemo-nos...(?!) Poderia ter sido feito mais? Sim e não...  

Ou melhor dizendo - "Nim".

Há dias atrás, numa reflexão sobre a política e o Alentejo, comentei os "males" do que chamei "pulhítica" e no caso concreto, a regional, alentejana, do topo de além Tejo até às faldas Norte do Espinhaço de Cão e do Caldeirão.

Mas hoje o que importa, a escassos dias da escolha, interessa apenas qualificar os candidatos, o merecimento, capacidades e porque não, honradez.

E importa também que saibamos distinguir a logração, do falar sério. Conhecer os propósitos, o honrar as juras, o cumprir promessas.

Acredito na pouca originalidade dos nossos actos eleitorais. Sim, somos iguais a tantos outros de idêntica organização política. Por todo o lado, países, regiões, comunidades onde o acto democrático de eleger se coloque, conheceremos sempre a vã promessa, a tentativa de destruição do outro, a mentira, a falsidade, o engano premeditado que, parecendo inocente apenas é objectivo para alcançar a vitória, o poder que, mesmo efêmero pela limitação de mandatos, deve ser muito aliciante. Excluamos com a justiça devida, todos aqueles que fazem do exercício das funções de autarcas, o serviço aos outros, à comunidade, à democracia e  a Portugal. E há tantos pela nossa querida Pátria. Muitos, trabalhando em silêncio, sem opulências nem vaidades.

No dia dois, melhor seria que se esquecessem as diferenças. Juntos seremos melhores. Findem os recalcamentos, as queixas, as ofensas políticas, quiçá até pessoais. Trabalhai Edis, para o nosso bem comum, trabalhai juntos e seremos grandes. Todos !!! Todos com o mesmo propósito que, afinal tanto anunciastes. Juntai-vos nas diferenças, pois tereis muito mais que vos una do que vos separe. Cumpri e merecereis o nosso respeito.

Aos re-Candidatos caberá prestar contas, talvez novas, outras promessas. Aos caloiros, jurem... jurem muito, que 2021 é já amanhã.

Porém, e enquanto escrevo estas linhas, mais se aproxima o primeiro de Outubro. E nesse dia poderemos, a par do voto, recordar e comemorar a importante efeméride - O 1º Ministro de D.José, Rei de Portugal, publicou o Decreto a interditar a Inquisição Portuguesa. Estávamos no ano da graça de 1774. Que belo Decreto a por fim a tão vil e abjecta organização.

Vamos votar! Pois claro!


António Ventura - Set/2017










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