sexta-feira, 9 de junho de 2023

 


MARCELO II – “O POPULARUCHO”

 

Passaram algumas décadas desde que, eu próprio, na saudável relação de um casamento efémero ( mea culpa ), era frequentemente adjectivado de “muito popularucho”.

De facto, eram esses tempos em que, a juventude, implicava as extravagâncias nos contactos e relações pessoais, em negócios, em grupos de amigos ou mesmo desconhecidos. Sempre com a permanente bonomia, a anedota, a graçola tantas vezes brejeira, o abraço e mesmo a foto de grupo que, hoje britânica e parolamente soi chamar-se de “selfie”.

Todo esse comportamento, reconheço-o hoje, era ridículo.

Marcelo II, porque sendo afilhado, não é primeiro, nada aprendeu com o padrinho que usava a contenção verbal, a declaração serena, a sobriedade permanente e apenas assertivas declarações no momento certo. E tantas vezes, apenas nas dormentes “conversas em família”… E que família !

Marcelo II e aqui, doravante apenas Marcelo, não resiste, não se contém e descamba no convívio com a populaça, com quem se perfilar na sua frente, seja o Zé, sejam altas figuras da política, das artes, do desporto, da cultura, de uma qualquer rambóia que se evidencie. E não se lhe apresente uma câmera de têvê ou um microfone de uma qualquer rádio, de um “jornaleiro de serviço” ou de umas jovens debutantes na fina arte do jornalismo.

Quando se confronta com estes, Marcelo entra em absoluto êxtase. E inicia o habitual ror de banalidades, de comentário inútil, trivial e frouxo de substância ou interesse verdadeiramente mensurável, por insignificante.

Se é simpático? É !!! Marcelo é popularucho pois !!!

A populaça adora ver a performance de Marcelo. Uma “selfie”, um aperto de mão – sempre exageradamente puxado para si – um abraço judoístico de aperto do pescoço, os beijos molhados ou mesmo simulados levam, seguramente ao entusiasmo e, creio mesmo, a alguns orgasmos, qual excitação fisiológica por tanto prazer.

Dir-se-á que, “Dez anos é muito tempo, Muitos dias, muitas horas a cantar, Dez anos é muito tempo, Deste tempo inteiro que eu vos quero dar”, como cantou Paulo de Carvalho, mas não. Nunca será muito tempo para aprofundar até ao limite, o carácter, mas sobretudo a ambiguidade estratégica da sua actuação política.

Se entendermos que Marcelo nunca nos desiludiu e foi sempre igual a si próprio desde a longa e premeditada longa marcha para Belém, semanal e pontualmente perante as câmeras da televisão no seu social, político e mexeriqueiro comentário, atribuindo valores na escala académica de 1/20, a tudo e a todos, logo concluiremos que, F.P.Balsemão – o “lélé da cuca” nas tiradas de Marcelo, é brando quando o compara ao escorpião da lenda da rã que, disponível aceitou carregá-lo para atravessar o rio, sem imaginar que iriam morrer os dois por ser da sua própria natureza, ferrar com o veneno os que lhe fazem bem.

Marcelo atingiu ultimamente a menoridade racional. No conceito kantiano, simula-se esclarecido, mas fala e age a partir das opiniões que escuta ou sonha e nisso assenta a sua menoridade racional.

Mas Marcelo é um homem muito inteligente e sagaz. Associa à inteligência que lhe abunda, a perspicácia, a destreza, a cultura, a argúcia e a fluência do seu discurso simples. Útil para o povão entender tudo.

Diz o povo que “Quem diz o que quer, ouve o que não quer”.

Agrava-se galopantemente a ousadia e o folclore com que Marcelo gere a instituição a que preside.

Seria enfadonho, mas às vezes divertido até, trazer aqui o ror de dislates, discursos e comportamento de Marcelo nas últimas viagens, da qual ressalta, por actual, a da África do Sul. Vou-me conter…

Ficar-me-ei pelas cómicas idas ao Multibanco ou aos Gelados Santinni, ali por Belém para não descrever as exibições natatónicas na praia de Cascais ou no atravessamento do Tejo.

Excuso-me a penitências, rezas e promessas falsas.

Longa vida a Marcelo!

 

(AV 9-6-23 in http://desventuralusitana.blogspot.com/ em recusa consciente de utilização do “aborto” ortográfico)

 

 

 

 

quarta-feira, 8 de março de 2023


QUATRO ANOS DE SAUDADE... Que raio!!!

Em menos de nada, damo-nos conta dos 4 anos passados desde que partiste.

Foi neste  dia de 2019 que me acordaram de manhã cedo, com a notícia da tua partida.

Neste todo tempo, acho mesmo que não passei uma manhã sequer, sem te ter recordado com a muita saudade que me emagrece a alma.

"A Oeste Nada de Novo" como titulou o seu melhor e ultimo romance, o judeu francês Erich Maria Remarque, sobre a guerra de 14.

Querido João, como se pudesses ler-me... Ainda assim te digo que os tempos são negros por agora. A guerra de 14 e a de 39 não trouxeram ensinamentos a esta malta que nos desgoverna. O sofrimento dos inocentes é retratado todos os dias nas têvês ao serviço da canalha. Outros haverão de ter diferente opinião, eu sei.

Sigo, seguimos nos convívios dos nossos amigos de sempre - alguns vão desaparecendo também. Com eles te vamos sempre recordando.

O teu sobrinho - que tu asseguravas com a graça habitual, ser o garante do apelido e a continuidade da nossa "má raça" (alentejana), vai-te recordando sem grandes manifestações mas, sempre com um olhar que só eu interpreto como de grande saudade do Tio João.

Dos teus mais próximos pouco vou sabendo - talvez achem que não mereço saber mais. Mas não lhes levo a mal. Que fiquem, cada um com a sua decisão que eu ficarei com a saudade de ti, penosa como é toda a saudade, mas com a alegria de te ter tido como irmão.

Tanta vez brigámos - coisa natural - e afinal tanto nos unia e poucos sabiam disso.

Quatro anos poderiam ser entendidos como uma eternidade, ou longo tempo mas, 4 anos depois, com a constante e diária lembrança, estás sempre presente, aqui comigo e com os outros que te estimavam.

Vai longa mais esta carta que sei não poderás ler, mas sabias bem que te a iria escrever e assim continuarei até que possa.

Muita saudade João, muita.

(mano Toninho 4 anos depois de ti)


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

 PEDRO SANTANA LOPES

Conheci Pedro Santana Lopes nos idos de 66/68, em sua casa no Bairro dos Olivais Sul, por diversas vezes, em visitas minhas a convite de seu saudoso Pai Aníbal Lopes que há poucos anos nos deixou.

Não se recordará de mim.

Ele, era um jovem estudante do início do ensino secundário. Jovem educado, numa família de princípios éticos, honestidade e educação. Também um pouco rebelde, característico da adolescência mas que indiciava segurança de atitude e convicção.

De seu Pai que recordo sempre que se me aflora à lembrança os tempos vividos, a muito aprender com ele, sinto uma enorme saudade e uma comovente gratidão pelo que me ensinou a ser um profissional e homem de bem. Eu, era ao tempo, trabalhador-estudante, bolseiro da Fundação Rotária Portuguesa.

Não conheço PSL na actualidade nem nos voltámos a cruzar em qualquer circunstância.

Nos muitos anos que se seguiram, cada um para seu lado, nunca nos reencontrámos.

Políticamente também, cada um de nós abraçou a ideologia que nos pareceu mais conveniente para o futuro de Portugal e dos Portugueses.

O Pedro, na social democracia (centro-esquerda como preconizada por F.Lassalle) – intervenções económicas e sociais do Estado para promover justiça social e bem-estar social, sindicatos e regulação económica, distribuição de renda mais igualitária e o compromisso para a democracia representativa. Creio que um férreo apoiante de Francisco Sá Carneiro.

Do meu lado, após o luto passado a partir do fatídico 4 de Dezembro de 1980 em Camarate, segui outro caminho, não muito distante, mas muito de centro-esquerda igualmente.

Acompanho toda a acção política nacional e em algumas, muitas vezes, arrepio-me do que se vai fazendo ao País.

Não prescindi nunca de acompanhar o percurso político do jovem PSL que conheci em muito jovem. Critiquei-o negativamente. De forma positiva, manifestei-me a favor do “enfant terrible” que chegou a primeiro ministro como sempre havia desejado. Reconheci-lhe os defeitos e regozijei-me com muitas das suas qualidades – são muitas.

Hoje, Pedro Santana Lopes, é um homem firme, politicamente conhecedor, sensato, talvez cansado das muitas lutas em que se envolveu e perdeu. Talvez em prejuízo do País. Certamente em seu próprio infortúnio.

PSL é hoje um autarca da “sua Figueira” que não sendo dele, ali granjeou apoios de vulto e por ali segue o seu trabalho autárquico. Parece mesmo que, muito tem feito pelo Concelho onde pela segunda vez preside aos destinos e orientação governativa local.

Pedro Santana Lopes, atravessa frequentemente os “desertos” que, ele próprio ou as vicissitudes o levam a percorrer mas, é claro que de cada vez que a sua voz se faz ouvir – e ultimamente pela sabedoria que a idade nos transmite - é ouvido com apreço. Pelo emnos por mim. Acontece comigo ainda que nem todos, como imagino, estarão de acordo.

PSL veio hoje manifestar-se sobre a crise política derivada da demissão do Ministro Pedro Nuno Santos, tecendo lúcidas opiniões sobre o futuro político imediato. Com serenidade, com experiência própria e grande capacidade política. Sem “mimimis”, sem ódios nem rancores.

Não conheço PSL na actualidade nem nos voltámos a cruzar em qualquer circunstância.

Saúdo Pedro Santana Lopes pela sua verticalidade actual. Seu Pai, o meu saudoso amigo Anibal Luis Lopes, sentir-se-ia hoje, ainda mais orgulhoso.

Pedro Santana Lopes não é, nunca foi o “bétinho” que chegou a político.


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

AINDA SOBRE O MANICÓNIO...

VAN DER LEYEN - O DISCURSO VAZIO DE PROPÓSITO E SUBSTÂNCIA

Merece-me respeito qualquer intervenção da Presidente da Comissão Europeia. Por ser mulher, como ser humano de valor, sensível e plena de vontade de fazer bem. No melhor espírito democrático, mas ...

Aguardando pela chegada da hora exacta para ouvir e ver a sua intervenção de hoje, perante o Parlamento de Strasbourg, atentando no conteúdo e desde muito cedo com fracas expectativas é bem certo, ao cabo dos primeiros trinta minutos, nada ou quase nada de relevo retirei do mesmo. No final, concluí igual. 

As cores predominantes do ambiente da sala da capital alsaciana, o azul e amarelo, o traje sempre elegante da Presidente, a condizer, pareceram-me pretender-se identificar desde logo, a chegada de novo membro ao Clube para não dizer, freguês à freguesia. 

Bem sabemos que a adesão de novos membros ao Clube é questão de muita paciência e cumprimento de obrigações que, no caso, nada parece apontar como reunidas ou passíveis de estarem reunidas nos próximos dez ou quinze anos, para o tal a quem se criam altas expectativas. Sem sequer pensarmos nas questões fundamentais do exercício pleno da democracia, liberdade de associação política e comunicação social, justiça igual, etc, Mas enfim...

É sobre o conteúdo que me importa aqui vir hoje comentar, neste meu espaço livre e independente.

O discurso de Van der Leyen foi, na sua maior parte, de "mimimis", de comoção e louvores ao povo ukraniano que, não sendo de ignorar, não corresponde à realidade com que vivem os europeus. De nota, a presença da primeira dama da Ukrênia, a senhora Olena Zelenska que mereceu a saudação e louvor em directo. Das razões, incongruências e incapacidade dos responsáveis da União, no tratamento antecipado na iminência da guerra em vista de a evitar, nada disse.

E nada disse porque nada fez. Nada fizeram a não ser a manifestação sumptuosa e ridícula de subserviência aos EEUU, pretensamente líderes hegemónicos do mundo onde espalham a sua democracia, única forma política, capaz de criar a felicidade global.

A Presidente da Comissão, ocupa quase uma hora do seu discurso, sem uma única vez assumir que, como é conhecido, a UE não teve capacidade política para evitar a guerra que se estende por toda a Ukrânia e que poderá próximamente alargar-se.

Nada disse sobre a dependência externa, não só de energias como também de tudo o que provém da despudoradamente consentida "fábrica do mundo".

Apenas culpa Putin e nisso até estamos de acordo porque invadiu e destrói militarmente um país soberano e independente, criando miséria, drama e desepero a todo um povo, a todo um continente. Uma guerra que a Presidente asseguar que a Ukrânia vai ganhar.

A senhora Van der Leyen, no seu discurso sobre o estado da UE, confessa a sua determinação em endividar a Europa para resolver os problemas energéticos que o próximo inverno vai evidenciar - afinal Putin tinha razão.

E esse incómodo já o havia anunciado Putin, e a Gazprom no início das sanções que lhe foram impostas. Quase como uma provocação - " o Inverno será longo".

Os europeus, não tarde mas já, começam a manifestar o seu incómodo com o sofrimento que lhes é imposto pelas más políticas dos seus dirigentes que apenas têm servido para consentir a subserviência à sempre presente tentativa hegemónica dos Estados Unidos e da NATO que todos sustentamos, enquanto "organização militar defensiva" (permitimo-nos excluir aqui, o momento dos seus bombardeamentos de há 23 anos, sem o consentmento sequer do Conselho de Segurança). 

E Macron, quase outro Órban, - " Estamos vivendo o fim da era da abundância"... E agora na proclamada negação à construção do gasoduto transPirinéus. Uns a seguir aos outros, vêm os dirigentes europeus manifestando as mais ridículas posições, as mais inverossímeis atitudes e declarações que fariam tornar à cova os fundadores, pela vergonha.

Há muito que a UE não evidencia capacidade de se bastar políticamente. Há muito que no Velho Continente não sobressai um Estadista, com tino, com capacidade, com vislumbre, acção estratégica e determinante da política comum.

Mas tudo isto, será resolvido pelos altos dirigentes da UE que, com a grandeza e inteligência política que os caracteriza, mau grado os frios e difíceis tempos que se seguirão.

Justificando o título acima, sempre recordarei a cena que há anos me contaram, passada na Av. Brasil - No portão de baixo do Hospital Júlio de Matos, estava um internado que avisava um transeunte que no portão seguinte, um pouco mais acima iria encontrar um "maluco" que lhe pedia para se aproximar. Alertava-o para não se chegar a ele porque o iria esbofetear. Agradecido o passante continuou sem se dar conta de que pelo interior o mesmo havia corrido e estava no portão seguinte. Achou estranho e questiomou-se sobre o que quereria de novo. Aproximou-se e foi esbofeteado e com a manifestação do paciente psiquiátrico - "eu não o avisei ?" 

Entretanto, "slava Ukraina"

AV 14 Agosto 2022







 


domingo, 31 de julho de 2022

 TALVEZ POR ESTA VEZ PUTIN TENHA RAZÃO.

Não escutei na totalidade a entrevista que o Presidente da ENDESA Portugal deu no programa Conversa Capital da Antena Um no dia de anteontem.
Não porque o tema não me interesse mas apenas porque a um dado momento percebi que a minha incultura em economia-energias-formação de preços-subsidios- lucros assegurados etc etc não me permitiriam entender nada. Aliás, consumidor de energia eléctrica de um dos impolutos fornecedores que dá pelo nome de EDP (ele há tantos que nem sei qual - EDP ZERO / EDP Renováveis / EDP SU ), a entrevista a um gestor "de topo" da concorrente espanhola sempre me atrairia conhecer.
Mas houve uma parte da entrevista com a jornalista Rosário Lyra que me emudeceu. Triste como um vencido apenas registei o que Nuno Ribeiro da Silva fez saber a todos os portuguesinhos (perdoem os "inhos" que apenas identificam a nossa incapacidade e desvontade de lutar contra os continuados saques a que somos sujeitos desde há anos - "Um povo traído" como classifica e dá título, Paul Preston no seu ultimo livro sobre a Espanha dos últimos 50 anos e da democracia em que vive.
O gestor da Endesa nem sequer nos animou com a célebre "uma notícia boa" e "uma notícia má". Começou e terminou pela última - "A factura de electricidade dos consumidores irá ter um aumento de cerca de 40% já em Agosto". Chiça que é forte!!!
Mas Nuno... uma notícia dessas precisava de preparar os destinatários... - ainda por cima com tão vasta crise nas "urgências" hospitalares!
Não dá mesmo para brincar!
A incompetência da "serviçal UE" e dos seus líderes levar-nos-á a perceber que talvez Putin tenha razão quando assegurou há dias que os europeus (da sua débil e frouxa unidade), quando chegar o inverno e estiverem a badalejar não se esqquecrão de sair às ruas...
Talvez e por agora Putin tenha razão.
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quinta-feira, 28 de julho de 2022

 

DESTA VEZ NÃO VÃO TER HIPÓTESE - CUIDEM-SE CAMBADA


Há, da parte da oposição, uma férrea e ignóbil vontade em "queimar" os Ministros da Administração Interna José Luis Carneiro e das Infraestruturas e Habitação Pedro Nuno Santos.
Um longo historial de abjectos comportamentos de que ressaltam entre outros, os mais recentes - contra os ex Ministros Eduardo Cabrita e Azeredo Lopes. Mais recente ainda, Pedro Nuno Santos.
Não devo nada a nenhum deles. Não sou pago para escrever isto nem lambo botas a nenhum patrão que há décadas não tenho. Muito menos a políticos de quem não recebo, nem peço prebendas.

Não escondo as minhas convicções políticas nem as propagandeio. Apenas como homem livre, sem medos nem mimimis, expresso aqui o meu desprezo pela cambada que há anos vive à conta da política, que não sabe o que é o interesse nacional, apenas pretende destruir tudo o que se lhe oponha e os faça, irremediávelmente ter de esperar mais 4 ou 5 anos, pelo menos, para tentarem, mais uma vez, sentarem os seus anafados traseiros nos cadeirões do poder.
Desta vez porém, vão-se dar mal.
Pedro Nuno Santos e José Luis Carneiro não lhes vão dar hipótese.
Estão a trabalhar.
Portanto, CUIDEM-SE CAMBADA.

terça-feira, 26 de julho de 2022

 BRUXELAS E AS COUVES... 

ou as "New Tupperware Parties"®

Foi no confiado ano de 1946 que o americano Mr Tupper tentou espalhar pelo mundo e pela Europa em ruínas a sua invenção das embalagens herméticas e funcionais que haveriam de criar satisfação generalizada no acondicionamento de alimentos.

E, na década seguinte teríamos o verdadeiro boom da utilização do plástico em tudo ou quase tudo o que é o nosso dia a dia.

Do plástico nem vamos falar agora. Deixaremos para a véspera, se houver tempo, do último e derradeiro julgamento de Deus sobre todos os seres da Terra, que ajudámos a destruir para o insaciável crescimento num planeta finito.

Passaram 70 anos e também do fim da guerra que espalhou a morte e destruição por grande parte do planeta e particularmente pela Europa.

Quando a senhora Brownie Wise criou em 1951 o surpreendente plano de marketing directo a que chamou "Tupperware party" o resultado foi de extraordinária eficácia. A utilização de um sítio, uma reunião de interessados (no caso, mais interessadas), a discussão do produto e a sua apresentação, as dúvidas suscitadas pelas presentes, a demosntração de funcionalidade do artigo e as vantagens evidenciadas da sua utilização.

A Europa destruída, rápidamente se lançou na reconstrução e na constituição da nova ordem que prometia ter em vista a paz, a segurança e o progresso.

Seria enfadonho prosseguir aqui com a identificação de todas as iniciativas ocidentais para lograrmos alcançar o que o fim da guerra nos impunha.

Mas de todas, ressalta a criação da CECA e da CEE que depois, se fundou na Declaração de Schuman e que nos dias de hoje conhecemos por UE.

Mas não é da declaração do político nem da seriedade da sua proposta que quero aqui falar. Tampouco das embalagens herméticas e funcionais saídas da mente de Earl Tupper.

Falo do que mais parecem hoje, as "New Tupperare Parties".

Nas "old tupperware parties" as convidadas chegavam ao local de encontro e eram saudadas como amigas do peito, gente conhecida, comungando dos mesmos desejos e ambições. À chegada eram efusivamente e com espavento osculadas pela anfitriã, tantas vezes, acabadas de se conhecer.

As "New Tupperware Participants" já não têm dificuldade em encontrar o local para as frequentes realizações. O sítio é em Bruxelas no Bairro Europeu e as imensas e sumptuosas instalações permitem juntar centos de participantes, para comprar, vender, trocar, sugerir, votar e vetar, discutir e passear.

Nos sérios momentos que vivemos - talvez a minha insólita opinião - parece-me muito desajustada a forma alegre e quase de "forró" como os convidados, (leia-se comissários) são recebidos no "party". Beijos dois, um em cada face ou um apenas que é moderno, abraços, risos, imagine-se até algumas graçolas de circunstância são os condimentos para o início de uma qualquer discussão sobre a guerra, sobre o boicote ao fornecimento de energias, sobre os crimes perpetrados pelos actores da contenda, sobre o êxodo forçado de milhões de cidadãos inocentes, enfim um ambiente de pândega que me afecta a digestão política sobre o que, na actualidade nos preocupa.

Míngua de estadistas, ou talvez não.

Depois, um discurso final ou a observação atenta de uma qualquer comunicação em zoom ou através de outro meio electrónico, com a mensagem de um participante no "party" que não pode estar presente. Normalmente é aplaudido de pé em fim da dissertação.

Tudo dito para já, resta-me falar finalmente das couves. Pequeninas, levemente adocicadas, ricas em fósforo e ferro, Ideais para acompanhamento de pratos de cozinha sofisticada.

Esta brássica é considerada como originária da região de Bruxelas e para quem não conhece aqui se deixa a sugestão.

Bom apetite Europa Nossa !







FRAGATAS E BARCAÇAS - SEGREDO MILITAR NÃO É SEGREDO NOS NEGÓCIOS

O senhor CEMGFA, general João Cartaxo Alves, veio  defender o segredo militar nas aquisições de fragatas e de outro equipamento para as Fo...