segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O PORTUGAL DE FINGIR OU O PAÍS ESQUECIDO




Fica-se com a ideia de que a classe política, ainda não entendeu que a criação de Regiões Administrativas dotadas  de capacidade de decisões políticas próprias, em nada contribuiria para o sucesso e desenvolvimento tão necessário dos territórios esquecidos, abandonados desde sempre pelas elites políticas da capital.
Na loucura e frenesim que, de tempos em tempos aflora às mentes dos decisores políticos, só poderemos encontrar sem ambiguidade nenhuma, a vontade de duplicar, senão mais ainda, a "classe política" que, desempregada, procura poisos, agora numa salganhada a que chamam "regionalização".
Portugal é uno, não possui nenhum sentido nem vontade de dividir alentejanos de algarvios, de durienses a tripeiros, de alfacinhas a beirões.
Somos só um, a mesma língua e o mesmo território. Um povo, o português e a nação lusa e indivisível, continental e insular.
Neste último caso, a insularidade já permitiu há anos, umas quantas aleivosias de pretensas auto determinações e mesmo independências - falo da esquecida tentativa madeirense de desvio do todo, sem sentido e com parco apoio popular.
E é esse inexistente apoio popular que, hoje como ontem - no referendo de 1998 - a classe política pretende fazer esquecer e tentar mais uma vez a criação de postos de trabalho para os desempregados de S. Bento muito especialmente.
Não se contentam com as CCDR´s que, com funções cometidas de coordenação, pouco coordenam, talvez por não poderem, dada a sempre constante dependência política e financeira do Estado Central.
E é este que, por Central, jamais permitirá a badalada intenção da descentralização. ou ase o permitir, as condicionará financeiramente ou as controlará pela míngua.
Regionalizar será portanto o fito, urgente, necessário. Em nome do desenvolvimento, do progresso e da inversão do despovoamento do interior, da desertificação social, económica e cultural. Uma fraude.
A classe política que há quarenta anos fez carreira e profissão, do que devia ser um serviço ao País e portanto uma honra em o servir, transformou a sua passagem pelo serviço público, numa profissão que deverá durar para sempre e que muitas vezes, aparentando sentimento monárquico, também é hereditária.
E é essa "classe" que deseja tão ardentemente a criação de um vasto leque de oportunidades de exercício "profissional" nas regiões administrativas que mais uma vez, como parece - sem ouvir o povo - se pretende implementar.
Será então Portugal o primeiro Estado a fragmentar a sua unicidade sem qualquer consulta popular.
A "regionalização" não trará nada de fantástico ou extraordinariamente útil para o progresso das regiões mais depauperadas económica e socialmente.
Por outro lado, que divisão ou divisões seriam feitas que pudessem servir a gosto, todos os seus entusiastas? A região Alentejo, por exemplo, com o baixo e o alto, com o litoral e o interior? E as Beiras em idêntica situação? 
Como seriam distribuídos os lugares em tais governos das regiôes? 
Se a AR com 230 deputados, já tem eleitos demais - em comparação com outros países dos 28 da UE - a RA da Madeira e a RA dos Açores, cuja autonomia apenas é justificada pela insularidade, com a criação das regiões (quantas ainda não se sabe) criar-se-iam os parlamentos regionais, os secretários para as diversas pastas etc etc, a acrescer a uma quantidade de dirigentes autárquicos nos 308 Concelhos e 3091 Freguesias, com as Assembleias Municipais, de Freguesias, Vereações com e sem pelouro...
Por tudo isto, é pois, a regionalização desejada ou a criação das regiôes administrativas, uma só aspiração da classe política que, necessita de mais oferta no tão difícil "mercado de trabalho" onde se introduziram em busca do bem próprio e nunca pela honra de servir o País. 

AV/9Dez19





quarta-feira, 17 de julho de 2019


Hoje é, seria um dia muito especial. Farias muitas décadas de vida e por isso, tão distantes que agora estamos te mando o meu abraço, amigo, de irmão que sempre amei.
Farias hoje muitas décadas de vida e, como sempre fizeste à tua maneira, também no final, decidiste abandonar-nos a todos que te queríamos bem.
Hoje, repeti o que faço há mais de 3 meses – recordo-te com tanta saudade, tanta paixão e amor fraterno. Todos os dias e sempre buscando um ou outro amigo, dos nossos, daqueles que connosco viveste tantos momentos e tantas alegrias. Procuro-os e nunca desperdiçamos a oportunidade da recordação de ti.
Tantos e belos momentos que vivemos. Que graça tinhas na tua quase permanente bonomia e graça constante. Recordamos as histórias mais incríveis, das noites e dos dias, falamos sobre ti.
E ás vezes, fruto das agruras da vida, lá tinhas um ou outro momento de tristeza, de desassossego de inquietação. Mas logo, logo regressava a graça, a coragem, a pertinácia e coragem com que sempre viveste.
Hoje é dia de boas lembranças de ti. É dia de falar com uns e outros, sobre ti, de ti e de ti todo. Mas a alegria não abunda saudoso mano. Diga-se que é uma falsa alegria, pois partiste e eu não te queria ausente.
Fico, sem tolerar a tua ausência, pensando no carrinho de madeira de rodas mais quadradas que redondas que tu próprio me fizeste… e lá me empurravas calçada abaixo, tantas vezes aos trambolhões. Teria eu talvez 3 anos e tu perto dos dez. Que saudade.
Que saudade tenho de ti !!!
Sabes, felicidade é crescer brigando com um irmão e tê-lo pelo resto da vida como melhor amigo.
Sabes, jamais esquecerei a nossa infância e tudo que passámos e todos os momentos que estiveste ao meu lado, dos sorrisos, das lágrimas, da dor e da felicidade.
E choro, choro muito de saudade. Em segredo e silêncio.
Um dia vou ter contigo e choraremos os dois, juntos.
(Toninho 17 Julho 2019)

sábado, 16 de junho de 2018

CRÓNICA PARA UM IMBECIL - "Morra o Dantas... pim"

Raras vezes me ocupo de pronunciamentos soltos da área do "futebolês".
Justifico esta atitude, por falta permanente de vontade em rivalizar com algumas centenas de "distintos professores", especialistas na matéria geral do que trata o futebol. Também porque, não sendo especialista nem pretendendo conhecer mais, do que sabe um simples adepto do desporto-rei, não me poderei permitir o arrojo da competição discursiva com os "especialistas" do mesmo.

Sou sim, sou Sportinguista de fé. Vibro, sofro com as derrotas e regozijo-me, festejo, exalto os feitos e as vitórias do meu clube de muitas décadas - nem digo quantas, mas asseguro-vos que são mesmo já muitas...

Quando glorifico o meu Sporting Clube de Portugal, manifesto-me sempre com honradez, não desprestigio os adversários, não os machuco com palavras ou actos. Respeito todos e tantas e tantas vezes, enalteço os feitos e virtudes dos adversários do meu SCP. Há porém algumas vezes que, a "discussão retórica" ou alguma acalorada converseta sem mal, me leva a pequenas picardias com os meus amigos, adversários do meu Sporting. E no fim, rimos muito e a vida continua.

É assim. Vivo contente com isso. Reconheço as falhas, as fraquezas desportivas do grande Sporting, mas tal não me leva aos extremos de as justificar com faltas dos outros. Tanta vez me vêem, os que comigo convivem, magnificar os adversários do meu Clube de sempre. Tantas vezes, vibrando com competições internacionais em que, por incapacidade o meu Clube não está presente, mas tal não me impede de torcer pelos outros, por aqueles que, cá dentro são os nossos adversários. Sempre, gritando por Portugal.

Vamos então ao que interessa e tinha, tem como objectivo primeiro - a "Crónica para um imbecil".

Por mais de três meses que vimos sofrendo o vexame, a desonra de, como dizia o general romano no regresso a Roma e na narrativa a César - "não nos governamos, nem nos deixamos governar".

A infelicidade de havermos crido que, um salvador, qual messias de olhar de sonhos, tinha chegado para nos salvar do longo jejum de vitórias e glórias, eis que somos desde há tempos, machucados, humilhados e provocados pelas atitudes absurdas, incongruências e despropósitos de um "cavalheiro" que se acomodou na poltrona mais alta dos sportinguistas.

As tantas asneiradas proferidas ao longo de já longos anos, algumas vezes deixaram no nosso léxico um gosto tão amargo de incredulidade, noutras o sentimento de desonra, de opróbrio de gente humilhada por tão sinistra personagem, supostamente representante dos sportinguistas. E o autor continuado do labéu, chama-se Bruno de Carvalho.

É pois esta pequena crónica, verde de sportinguismo, de expectação e verde de crença no futuro, que pretende manifestar o maior repúdio pela vergonha a que nos tem conduzido a vil criatura a que me refiro.

É com a maior tristeza e vergonha que, nós os sportinguistas (não sportingados), nos temos submetido à provação, ao gozo e à chacota dos nossos adversários. É com o maior desagrado e incapacidade de lutar contra o "pequeno líder gordo", mal educado, pretensioso, mentiroso e trampolineiro que ora nos promete mais lorotas.

Hoje, no final da exibição do nosso Clube - A Selecção Nacional  no jogo contra a Espanha - numa entrevista de rua a um adepto, o mesmo referia com a zombaria que só alguns usam e ainda bem que são poucos - " vim ver os novos jogadores do Benfica a actuar" .

Que honra deitada ao lixo pelo impostor que nos mente em contínuo. Que vergonha não tem este imbecil que, nos tem levado o nosso querido Sporting à exaustão, exaurindo todos os valores, derretendo todas glórias dos mais de cem anos de existência do Sporting Clube de Portugal.

Que personagem ridícula que mobiliza centenas de horas da comunicação social, com as bestialidades, esquizofrenias, alucinações de um ser portador de delirante incongruência mental permanente.

"Basta pum basta!!!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas é um habilidoso!
Morra o Dantas, morra! Pim!
E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!
O Dantas é um ciganão!
Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!
Morra o Dantas, morra! Pim!
Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!
O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
Basta pum basta!!!"

(Leia-se Bruno que não, o pobre Dantas de Almada Negreiros)

António Ventura/15-Jun-18





quinta-feira, 29 de março de 2018

O ELOGIO FORÇADO... ou o Jornalixo da vilã !!!

https://observador.pt/opiniao/um-elogio-a-antonio-costa-e-mario-centeno/

Um elogio a António Costa e Mário Centeno

Muitos ministros das Finanças tentaram dominar o “monstro”, apenas um parece estar a conseguir. Centeno está de parabéns. E Costa também. Esperemos que as tentações eleitoralistas não estraguem tudo.



Esta senhora, a quem não reconheço qualquer qualidade de isenção jornalística. 
Esta senhora em quem não vejo qualquer capacidade de apreciação séria de contas públicas, ou questões económicas, sociais ou de política honesta. Esta senhora que, por ser ouvinte diário da Antena Um, me injecta semana sim, semana não, com os seus tolos conceitos e aberrantes comentários sobre a actualidade, as baboseiras pretensiosas e - nas semanas "não" tenho a felicidade de escutar o jornalista Nicolau Santos, isento, claro, informativo, sério... Vem agora, após largos anos a benzer e conclamar todas as diatribes das "direitas unidas", dos "arcos da desgovernação", dos beneméritos banqueiros e do seu protector geral, enfatizando todas as iniciativas daqueles em "vender" Portugal, polindo reluzentemente os artistas da nossa desgraça de eternos pagadores (também salvadores de Bancos, patrocinadores de Empresas privatizadas, fundamentais),..., vem agora, pois então PARABENIZAR  O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO E O MINISTRO DAS FINANÇAS.
O despudor, falta de ética, carácter e seriedade é tal que, vem mesmo justificar (para nós não seria necessário) que o suporte ao Banco Público - CGD (para pagar as "imparidades", nome tão técnico que só serve para enganar o povão, mas que, de facto quer dizer vigarices, crédito já incobrável na data em que foi concedido aos amigos e trapaceiros que se pavoneiam diáriamente na nossa frente, como se o "Zè" fosse parvo mesmo todo parvo...
Esta senhora, Helena Garrido, terá mudado? Se mudou, deverá rezar 20 avé-marias e penitenciar-se. Se não mudou, pois...
Continuará a merecer de mim, o desprezo que me merecem os "jornalixeiros" que por aí proliferam...
No entanto, acho que, por educação apenas, o Senhor PM e o Senhor Ministro das Finanças agradecem o piropo!!!

António Ventura/29.3.18

domingo, 14 de janeiro de 2018

REQUIEM PARA PEDRO... Bom dia RIO !!!

Caro Pedro, ou PPC como o pessoal se habituou a chamar-te, talvez pela poupança exagerada a que o submeteste durante aquele longo período, annus horribilis de triste memória.

Estou certo que nunca leste as minhas muitas cartinhas, por insignificantes e humildade do seu remetente. Não faz mal.

Hoje, na hora da tua despedida definitiva, ad immortalitatem, não obstante a habitual e enorme preguiça, cá estou de novo para a minha solene despedida em jeito de réquiem. Dirás que é cinismo meu, que não seria necessária a presente prosa, sacana, inusitada e embusteira. Mas olha que não, olha que não…

Tanto tempo de convívio, contigo e com os teus – Gaspar, Albuquerque, José Pedro, Paula, Relvas, Maduro, Álvaro e Nuno – como seria possível esquecer. Ainda temos memória Pedro. Essa não nos conseguiste tirar.

E é por isso que esta nossa despedida de hoje, se justifica, se exige, imprescindível. Não triste e amargurada, mas sabiamente contida nas emoções, porque a pessoas de bem que já tanto sofreram, poucas lágrimas lhes restarão. As poucas, porém, seriam por ti um desperdício.

Ora bem, agora já sabemos que já vais ser rendido nessa tua tão heroica função. E digo heroica porque, até há por aí um grupo nessas nefastas redes (às vezes muito pouco sociais), que te chamam de “grande estadista”, não vejo porque não merecerás então, um “Grande Colar” de uma qualquer Ordem.

Afinal, se o decisor anterior dessa entrega, o Tio Aníbal, tivesse pensado bem (como não é costume), não teria hesitado em te condecorar. Tu foste apenas o seguidor, o finalizador da sua (dele) obra política de desbaratar tudo o que nos restava.
O actual Grão-Mestre de todas as Ordens Honoríficas Portuguesas, penso que não se esquecerá dos imensos feitos à Nação pela tua pessoa.

Mas não quero ser injusto em absoluto. Somos, tu e eu, gente séria e correcta.

Reconheçamos portanto, em teu benefício, que longa e dura foi a tua jornada que ora termina, Graças a Deus. Só levianamente se poderá olvidar que, a dificuldade com que enfrentaste o exercício da tua “maioria absoluta” era tarefa hercúlea, de gente com força, determinação. Por toda essa tua tenacidade, denodo e dedicação, terás um lugarzinho na minha memória.

Mas Pedro, com um raio, que mal acompanhado que estiveste… Não acertaste em quase nenhuma ou nenhum. Que diabo, era raiva? Estavas zangado com a malta?

Por volta de 5 de Novembro de 2014, escrevi-te mais ou menos o seguinte.

Continuas na tua lenga lenga, como se nada de grave se esteja a passar. És valente, tenho de reconhecer. Lutas contra tudo e contra todos. Pões o "pessoal" todo em polvoró, uns contra os outros, os privados contra os públicos, os velhos contra os novos, os ausentes contra os presentes, os professores contra os alunos e os alunos, tão jovenzinhos, parecem começar agora a ficar contra ti. É que a tua voz, que treinavas ao espelho quando tinhas a idade deles, augurando já à época o alto cargo que irias conseguir, já não os convence.
Noto, quando te vejo que estás a demonstrar cansaço. Cansas-te e cansas-nos!!!

Não evitas um só momento em lutar contra os "moinhos de vento" qual Quixote de Cervantes. Vês inimigos em toda a parte e nem por um momento, sossegas, olhas para nós, porque só nós te poderemos ajudar.
Mas não, cansaste-nos e estamos fartos. Queremos ver-te pelas costas depressa.
Onde viste oiro... perdeste-te. Tudo vendeste, tudo ofereceste numa sôfrega ânsia, parece, de teres tempo para tudo derreteres, deixando-nos à míngua.
Depois de ti, nada de pé restaria, ou melhor dizendo, depois de ti, nada nos restaria que valesse uns cobres. Ficaríamos então, como desejaste - pobres, indigentes, maltrapilhos e à mercê da chacota de todos e de tudo.

Felizmente, inverteu-se o rumo. Com o Diabo sempre anunciado, mas nunca chegado, tudo ardendo, a fogueira das vaidades perdendo o lume intenso que tanto animaste…

Chegou sim, o défice mais baixo da democracia. O desemprego em taxas desconhecidas nos últimos vinte anos, o crescimento  e o PIB em subida nunca vista, atestado e parabenizado pelo Sr. Alemão, pela Dama de Berlim, e por todos sem excepção, penitenciando-me por omitir os nomes, por incapacidade de os escrever e pronunciar. O índice de felicidade nos níveis de Norte de Europa, a alegria com a subida dos números do turismo, os prémios internacionais recebidos.

E para júbilo maior, as nomeações para a Sec.Geral da ONU, para o Eurogrupo, para a participação no Mundial da Rússia, enfim… tanta felicidade para gente tão triste.

Como escreveu o Nicolau Santos por essas datas, “Vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação. Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
    E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espetáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Muito há, que aos poucos nos vai arruinando e flagelando. Felizmente, que o Povo se vai apercebendo da má “roleta” governativa que diariamente vamos enfrentando.
Felizmente, que este sente a degradante situação em que vive e unido, manifestou o seu descontentamento, ao aderir em força às manifestações hoje realizadas.
Felizmente, que conscienciosamente nos vamos apercebendo, da má política, que diariamente os governantes nos vão impondo.”
"As dificuldades incentivam a luta do homem e orientam os seus caminhos."

E escreveu Concha Caballero, jornalista andaluza em Janeiro de 2014 – “Um dia, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.”

Pedro, tudo fizeste como vinha nos “manuais”. Os “teus” prometeram-te o paraíso se seguisses à risca as baboseiras, económicas, sociais, políticas, orientadoras do “sucesso esmagado”. Acreditaste, foi o teu mal.

Poderá parecer cinismo, mas não. Sou um justo, sou. Sem nenhum rancor, desejo-te felicidades e sucesso.

Perdoar enobrece-nos, não é (?!)

Um abraço do teu
António Ventura/ Jan18



domingo, 15 de outubro de 2017

A OPINIÃO QUE NÃO CONTA... MESMO !

Seja em que época for, um elemento tem sido comum na ética comunicacional, o "não dirás falso testemunho contra o teu próximo". O princípio da veracidade é algo que sempre se tentou assegurar em qualquer comunicação, como garante do princípio da informação e maneira de assegurar a confiança entre o comunicador e o seu público. 

Escreveu assim, Rui Assis Ferreira na sua "Comunicação e Sociedade, 2007 ". 

E adiante ainda acrescentou - Este princípio de verdade, também presente - e com a intensidade que os testemunhos de Platão e Aristóteles nos legaram - na civilização grega clássica, sofreu, todavia, aí, os limites impostos pelo despotismo dos soberanos, legitimador da mentira enquanto estratégia socialmente benéfica.

Falamos então da ética, da ética profissional cometida aos agentes de informação, para solidificar o crédito dos cidadãos na sua actividade de informar com isenção, sem respeito pelos "soberanos" ( leia-se patronato e os seus interesses obscuros), sempre pugnando pela verdade. Assentando a informação em dados e elementos credíveis, em investigações jornalísticas imparciais, confirmadas, seguras, sérias, pois que, da relação entre o político - seja ele poder ou não -  e o cidadão, individualista, é este o principal elemento capaz de debater tudo o que se relaciona com a "coisa comum", porque só a si interessa. Sobrepondo-se então o direito dos governados à verdade da informação, contrariando o direito dos governantes à produção sistémica da intoxicação pela mentira.

É hoje comum, escutarmos vozes desagradadas com a comunicação social na sua generalidade. 

Garantem alguns que, estando fartos, este ou aquele programa, este ou aquele comentadeiro os obriga de imediato a desligar a TV e, na comunicação escrita há-os que recusam qualquer leitura.

Perguntaremos se há razão para tal e, não será que são as vozes "do contra" na contestação ao que vemos, ouvimos e lemos, estará radicalizada. Mas, afinal radicalizados seremos todos, cada vez que nos confrontamos com a mentira deliberada, a falsa notícia de má-fé encomendada, o comentário regular ou insólito que nos entra dentro.

Há tempo que vimos suportando os devaneios intencionais, insidiosos, da quase generalidade do que pomposamente chamamos de media. São os media que escreveram, são os media que mostraram, foram os media que descobriram, serão os media a descobrir, os media a comentar, a relatar, exibir... seguramente tudo, tudo mesmo com a verdade que a deontologia lhes impõe. Mas não...

O que assegurámos durante mais de um século, como o Quarto Poder, que como disse I. Ramonet , seria " a voz, dos sem-voz", não perdurou nem uma década sequer, tendo sido ràpidamente conquistada e controlada pelos grupos económicos, pelas organizações políticas, pasme-se, das democracias consolidadas do pós revolução francesa. 

Mas se enquanto nestas, como  espaços do individualismo kantiano e das liberdades, foram capturadas, noutros espaços houve, por ausência das liberdades de acção, pensamento e manifestação, que o controle dos "soberanos" se eterniza na mentira, mentalização e envenenamento dos cidadãos através dos media.

Comunicação social de Estados, informação controlada, manipulada... censura.

Na actual conjuntura política Portuguesa, de cuja estabilidade e duração "os do Restelo ", teimosamente insistem em duvidar, não houve e ainda bem, qualquer tentativa de controle dos media, por parte dos decisores da presente solução governativa. Ninguém, com seriedade poderá duvidar disso.

Nem seria credível que, podendo controlar - maléficamente é verdade - não o fariam, consentindo todas as bestialidades que diàriamente nos debitam, afastando o que deve ser o projecto e objectivo comum. O bem-estar, a felicidade, o progresso.

No comentário semanal da SIC, que dá pelo nome de "A opinião que conta", não está sózinho Marques Mendes. Na mesma estação (televisão independente) poderemos acrescentar um número infindável de outros tantos, serviçais da oposição política - a direita mais reaccionária da Europa, mais desorganizada, pretensiosa também, mas sobretudo raivosa e incompetente... para mal da saudável democracia representativa e que indicutívelmente necessitamos. Sim, queremos uma oposição séria, construtiva, controladora e fiscalizadora, denunciadora até de um qualquer ou todos os malefícios da governação vigente. 

Mas séria, dialogante, com propósitos firmes, idéias construtivas - afastando-se de uma vez por todas do neo-liberalismo reaccionário, da estupidez Schaubleana, do servilismo ao Norte europeu, das kafkianas e permanentes intenções de punir, os mais pobres e os mais médios... querendo no fim de contas que, um qualquer síndroma de Estocolmo nos atinja e passemos a adorar quem nos faz mal. Ou, caso não o façamos nas urnas (como se viu o contrário), possamos pelo menos, ir acreditando nas patranhices teledifundidas. 

Assim não vamos lá...


António Ventura /15Out17





domingo, 24 de setembro de 2017

Longa vida aos Edis. Vamos lá então VOTAR !!!

Aqui para nós que ninguém nos ouve. Estou cansado!!!

E na semana, recta final da campanha, das arruadas, dos comícios, dos out-doors, das rádios, tv´s, pasquins. Das esferográficas, dos saquinhos com as caretas, dos isqueiros, dos chouriços embalados com a dita do candidato... Das promessas, das juras, das poucas prestações de contas, das ameaças, dos eriçados encontros, das promissões de que agora é que é... Estou farto.

E estou farto, das mentiras, do "fazer de nós parvos", dos perjuros, dos insultos, da má educação, da sobranceria, das audácias, atoardas sem recato ou qualquer decoro.

Sim, estou farto, empanturrado de "coisa nenhuma", que valha, que interesse ao nosso colectivo, regional ou nacional. E por isso, protesto contra as constantes tentativas de promoção da asnidade, num desapuro constante que abomino. 

E, quando embalados no remanso deste Outono mal chegado, buscando a paz, o sossego, eis que mais uma caravana passa, apregoando os melhores, exibindo as bandeiras, identificando os prometimentos, vãos é certo, mas que fica bem para se alcançar a vitória. 

Com as ridículas conversetas e sorrisos de oportunidade, com a peixeira D.Maria, alvoraçada, com o sapateiro com profissão em fim de vida, com o lojista de rua amargurado com as grandes superfícies, com o desalojado do bairro decrépito, com o cigano xenofóbicamente ostracizado, com o reformado já mais confiante porque lhe devolveram o quinhão roubado, com o desempregado, agora mais esperançoso de que ainda poderá ser útil, com os velhos sem lar, nem rei nem roque, entregues à sua sorte na casinha degradada do bairro da cidade. 


Com a gritaria dos jotas, (almejando um lugar em fim de curso), com os hinos (alguns bem melódicos e já bem conhecidos), com a invasão das praças, ruas, travessas, mercados, de cidades, vilas ou aldeias, onde não voltarão tão depressa, a não ser em tristes momentos de calamidades, incêndios, terramotos ou derrocadas... E aí, também e sempre aproveitando as câmaras de qualquer "man" ou alguns microfones de um qualquer directo radiofónico.

Estou farto!

Interiormente sinto coisa parecida com raiva... mas não posso garantir que seja isso. Só com diagnóstico clínico apurado, concluirei. Mas que estou, é mesmo verdade. Farto!

Em recato, reflicto muitas vezes e recordo os idos, já quarenta anos do poder autárquico.

Faço-o com satisfação, regozijo-me por esta bela conquista de Abril, de que sou fanático desde sempre, mesmo antes, anos antes dessa feliz madrugada. Louvo o propósito original,  desenvolvimento do país, para o bem-estar das populações, na implementação e melhoramento das redes públicas de abastecimento de água, electricidade, saneamento básico, tratamento de lixo, arruamentos, parques e jardins, estradas e caminhos, habitação social, pavilhões poli-desportivos e dinâmica cultural.

Hoje, Portugal é bem diferente. Às autarquias, ao poder local se deve muito do nosso desenvolvimento. É incontestável que às edilidades se deve, o denodado esforço de promoção, de desenvolvimento, de criação de riqueza, do comércio, de indústria, de turismo que outrora não tínhamos, pelas razões bem conhecidas.

São as autarquias e os seus dirigentes, credores do sucesso do fim do abandono de tantas regiões, pequenas vilas e aldeias. A eles devemos a maior parte da modernização das infraestruturas locais, da inclusão de todos (ou quase todos) no mapa da Nação lusa.

Mas perguntemo-nos...(?!) Poderia ter sido feito mais? Sim e não...  

Ou melhor dizendo - "Nim".

Há dias atrás, numa reflexão sobre a política e o Alentejo, comentei os "males" do que chamei "pulhítica" e no caso concreto, a regional, alentejana, do topo de além Tejo até às faldas Norte do Espinhaço de Cão e do Caldeirão.

Mas hoje o que importa, a escassos dias da escolha, interessa apenas qualificar os candidatos, o merecimento, capacidades e porque não, honradez.

E importa também que saibamos distinguir a logração, do falar sério. Conhecer os propósitos, o honrar as juras, o cumprir promessas.

Acredito na pouca originalidade dos nossos actos eleitorais. Sim, somos iguais a tantos outros de idêntica organização política. Por todo o lado, países, regiões, comunidades onde o acto democrático de eleger se coloque, conheceremos sempre a vã promessa, a tentativa de destruição do outro, a mentira, a falsidade, o engano premeditado que, parecendo inocente apenas é objectivo para alcançar a vitória, o poder que, mesmo efêmero pela limitação de mandatos, deve ser muito aliciante. Excluamos com a justiça devida, todos aqueles que fazem do exercício das funções de autarcas, o serviço aos outros, à comunidade, à democracia e  a Portugal. E há tantos pela nossa querida Pátria. Muitos, trabalhando em silêncio, sem opulências nem vaidades.

No dia dois, melhor seria que se esquecessem as diferenças. Juntos seremos melhores. Findem os recalcamentos, as queixas, as ofensas políticas, quiçá até pessoais. Trabalhai Edis, para o nosso bem comum, trabalhai juntos e seremos grandes. Todos !!! Todos com o mesmo propósito que, afinal tanto anunciastes. Juntai-vos nas diferenças, pois tereis muito mais que vos una do que vos separe. Cumpri e merecereis o nosso respeito.

Aos re-Candidatos caberá prestar contas, talvez novas, outras promessas. Aos caloiros, jurem... jurem muito, que 2021 é já amanhã.

Porém, e enquanto escrevo estas linhas, mais se aproxima o primeiro de Outubro. E nesse dia poderemos, a par do voto, recordar e comemorar a importante efeméride - O 1º Ministro de D.José, Rei de Portugal, publicou o Decreto a interditar a Inquisição Portuguesa. Estávamos no ano da graça de 1774. Que belo Decreto a por fim a tão vil e abjecta organização.

Vamos votar! Pois claro!


António Ventura - Set/2017










    O GOLPE TECNOFORMA (e a música a tocar) O organismo antifraude europeu OLAF fez duas coisas essenciais no caso TECNOFORMA . Conclu...